O cajueiro pode produzir flores sem formar castanhas; este detalhe ajuda a entender o fenômeno
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Ver um cajueiro cheio de flores não significa necessariamente que a árvore ficará carregada de castanhas. Entre a abertura da flor e a formação do fruto existe uma etapa decisiva: a polinização seguida da fecundação. Como apenas uma pequena parcela das flores hermafroditas chega a formar frutos, é perfeitamente possível observar uma floração intensa e, depois, encontrar poucas castanhas em desenvolvimento.

O que precisa acontecer depois que a flor do cajueiro abre?
O cajueiro produz flores masculinas e hermafroditas. Somente as flores hermafroditas possuem a estrutura feminina capaz de dar origem ao fruto. Depois que o pólen chega ao estigma receptivo, pode ocorrer a fecundação e iniciar-se o desenvolvimento da castanha.
A Embrapa explica que o estigma do cajueiro pode estar receptivo desde um dia antes da abertura da flor e permanecer assim até dois dias depois. A polinização ocorre normalmente até o meio-dia do dia em que a flor se abre, o que mostra como existe uma janela relativamente específica para esse processo.
Por que muitas flores podem não virar castanhas?
Uma das razões está na própria biologia da espécie. A proporção de frutos formados em relação ao número de flores hermafroditas é naturalmente baixa e pode variar conforme a região, a época do ano, a planta e até mesmo entre diferentes panículas da mesma árvore.
A polinização também depende da visita de insetos. A Embrapa destaca que o cajueiro é favorecido pela polinização realizada por insetos, com a abelha Apis mellifera entre as espécies mais importantes. Por isso, uma árvore florida não significa automaticamente que todas as flores receberam pólen de maneira eficiente.

O que acontece quando uma flor é realmente fecundada?
Quando ocorre a fertilização, a estrutura que sustenta a flor começa a apresentar mudanças e, aproximadamente uma semana depois, o pequeno fruto já pode ser percebido. A castanha verdadeira se desenvolve associada ao pedúnculo carnoso que conhecemos como caju, que é o pseudofruto.
O desenvolvimento não acontece de maneira uniforme durante todo o período. Segundo a Embrapa, a castanha cresce inicialmente, atinge seu tamanho máximo por volta da quinta semana e depois passa por uma redução até a maturação. No cajueiro-anão-precoce, o período entre o surgimento e a maturação é de aproximadamente 52 dias, enquanto no cajueiro comum pode ficar entre 56 e 60 dias.
Quais fatores podem interferir na formação das castanhas?
A polinização é apenas uma das etapas que precisam dar certo. A Embrapa aponta que a queda de frutos ainda imaturos pode estar relacionada a ataques de fungos e insetos, questões nutricionais e fatores mecânicos, como ventos fortes. As condições ambientais também influenciam o florescimento e a frutificação do cajueiro.
Por isso, observar somente a quantidade de flores não é uma maneira confiável de prever a colheita. Uma árvore pode apresentar uma bela floração e ainda formar poucos frutos, enquanto condições favoráveis à polinização, ao desenvolvimento da planta e à permanência dos frutos podem resultar em uma produção melhor. O importante é entender que a flor é apenas o começo do processo: entre ela e a castanha existem várias etapas que precisam acontecer corretamente.