O papagaio mais gordo do mundo, que esteve à beira da extinção há 30 anos, registra uma temporada de reprodução histórica

Há apenas três décadas, o kākāpō parecia condenado a desaparecer.

Há apenas três décadas, o kākāpō parecia condenado a desaparecer. Em 2026, porém, o papagaio mais pesado do mundo alcançou um resultado histórico: 105 filhotes nasceram em uma única temporada reprodutiva, o maior número registrado desde o início do monitoramento da espécie na Nova Zelândia.

Segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia, 105 filhotes nasceram de 256 ovos postos durante a temporada
Segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia, 105 filhotes nasceram de 256 ovos postos durante a temporada - Imagem gerada por IA

Por que a temporada de 2026 entrou para a história?

Segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia, 105 filhotes nasceram de 256 ovos postos durante a temporada. Na atualização divulgada em 3 de abril, 98 ainda estavam vivos e um ovo permanecia na incubadora. O resultado superou todos os registros acumulados pelo programa de recuperação nos últimos 30 anos.

A marca é especialmente importante porque o kākāpō se reproduz apenas a cada dois a quatro anos. Além disso, muitas fêmeas conseguem criar somente um filhote por temporada, o que torna o crescimento populacional lento e vulnerável a doenças, alterações ambientais e perdas inesperadas de indivíduos.

Temporada bem-sucedida trouxe o maior número de filhotes já monitorado.
Temporada bem-sucedida trouxe o maior número de filhotes já monitorado. - Imagem gerada por IA.

O que torna o kākāpō uma ave tão incomum?

Encontrado exclusivamente na Nova Zelândia, o Strigops habroptilus é um papagaio noturno que não consegue voar. Os machos podem pesar até 4 quilos, característica que lhe garante o título de papagaio mais pesado do planeta. A plumagem verde ajuda a espécie a se camuflar entre plantas e no solo das florestas.

O comportamento terrestre funcionou durante milhares de anos em um ambiente com poucos mamíferos predadores. Após a chegada humana e a introdução de animais capazes de atacar aves, ovos e ninhos, essa característica se tornou uma desvantagem. Sem o voo como defesa, o kākāpō passou a depender de áreas protegidas e monitoramento constante.

Por que a espécie chegou tão perto da extinção?

A caça, a destruição do habitat e a introdução de predadores provocaram uma queda intensa na população. Na década de 1990, o desaparecimento parecia possível. Atualmente, estima-se que existam apenas 235 indivíduos na natureza, número ainda reduzido para garantir que a espécie esteja segura no longo prazo.

Entre os principais fatores que dificultam a recuperação do kākāpō estão:

  • Reprodução pouco frequente, limitada a intervalos de dois a quatro anos.
  • Baixo número de filhotes criado por muitas fêmeas em cada temporada.
  • Ausência de voo, que aumenta a vulnerabilidade diante de predadores.
  • População reduzida, com menor diversidade genética e maior risco de doenças.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube DESCOBRINDO ANIMAIS mostrando o papagio mais pesado do mundo que não consegue voar.

Todos os filhotes conseguirão sobreviver?

Apesar do recorde, os ambientalistas mantêm cautela. Sarah Manktelow, guarda florestal do Programa de Recuperação do Kākāpō, informou que sete filhotes haviam morrido e quatro foram encaminhados ao Hospital de Vida Selvagem de Dunedin. A equipe continuará acompanhando a saúde e o desenvolvimento dos sobreviventes.

Os filhotes são considerados adultos quando completam aproximadamente 150 dias, etapa prevista para meados de julho. Somente nesse momento o total definitivo da temporada poderá ser confirmado. Alimentação, doenças e desenvolvimento físico permanecem entre os fatores observados pelos especialistas durante esse período decisivo.

Cada nascimento renova a esperança de salvar o kākāpō

Deidre Vercoe, gerente de operações do Departamento de Conservação, afirmou que cada novo filhote afasta a espécie da beira da extinção. O recorde mostra que décadas de proteção, manejo de ninhos, incubação, atendimento veterinário e controle de predadores podem produzir resultados concretos mesmo diante de uma situação crítica.

A recuperação ainda está longe de ser concluída, mas 2026 oferece uma oportunidade rara de mudar o futuro da espécie. Proteger os filhotes, preservar os habitats e manter os programas de conservação é urgente. Cada ave que chega à idade adulta representa mais do que um número: é uma nova chance de impedir que o kākāpō desapareça para sempre.