O tubarão-da-Groenlândia pode viver vários séculos e alguns indivíduos provavelmente nasceram antes da Revolução Industrial
Espécie de águas geladas cresce lentamente e pode atravessar séculos de mudanças humanas antes de chegar ao fim da vida.
Enquanto fábricas, locomotivas e cidades industriais ainda nem existiam como conhecemos hoje, alguns tubarões-da-Groenlândia já poderiam estar nadando nas águas geladas do Atlântico Norte. Pesquisas indicam que essa espécie pode viver por vários séculos, fazendo dela um dos vertebrados mais longevos conhecidos pela ciência.

Quanto tempo pode viver um tubarão-da-Groenlândia?
Estimativas científicas apontam que o tubarão-da-Groenlândia, chamado de Somniosus microcephalus, pode ultrapassar facilmente os 200 anos de vida. Um estudo publicado em 2016 estimou que uma grande fêmea analisada poderia ter cerca de 392 anos, embora exista uma margem considerável de incerteza nesse cálculo.
Isso significa que alguns indivíduos muito antigos encontrados atualmente podem ter nascido quando o mundo era completamente diferente. Dependendo de sua idade real, certos exemplares poderiam ter surgido antes da Revolução Industrial ganhar força, atravessando silenciosamente séculos de transformações humanas.

Como os cientistas descobriram uma idade tão impressionante?
Determinar a idade desses animais é difícil porque eles não apresentam algumas estruturas normalmente usadas para contar anos em outros peixes. Pesquisadores recorreram à datação por radiocarbono de proteínas presentes no cristalino dos olhos, tecidos formados ainda durante o desenvolvimento do animal e preservados ao longo da vida.
A técnica não revela uma data de nascimento exata, mas permite construir estimativas. Os resultados mostraram que os maiores exemplares eram extremamente antigos e também sugeriram que a espécie pode demorar mais de um século para atingir a maturidade sexual, algo extraordinário mesmo entre animais de crescimento lento.
Por que esse tubarão envelhece tão devagar?
O tubarão-da-Groenlândia vive principalmente em águas frias e profundas, onde o metabolismo tende a funcionar de maneira lenta. Ele também cresce em ritmo surpreendentemente reduzido, estimado em aproximadamente um centímetro por ano, característica que ajuda a explicar por que um indivíduo grande pode carregar séculos de história.
- Vive em águas extremamente frias do Atlântico Norte e do Ártico.
- Apresenta crescimento muito lento ao longo de sua existência.
- Pode levar mais de um século para alcançar a maturidade sexual.
- Mantém um ritmo de vida associado a metabolismo reduzido e ambientes profundos.
Os cientistas ainda investigam exatamente quais mecanismos permitem tamanha longevidade. Temperatura corporal baixa, metabolismo lento e possíveis particularidades celulares podem participar desse processo, mas a espécie continua cercada de perguntas. Justamente por isso, seu envelhecimento desperta interesse muito além da biologia marinha.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Mistérios Universais falando sobre o vertebrado mais velho do mundo.
Como é possível sobreviver durante tantos séculos?
Passar centenas de anos no oceano significa enfrentar mudanças climáticas, variações de alimento, doenças, predadores e alterações provocadas pela atividade humana. O tubarão-da-Groenlândia parece compensar esses desafios com uma vida de baixo gasto energético, movimentos lentos e adaptação a um ambiente onde poucas espécies conseguem permanecer.
Essa longevidade também cria uma vulnerabilidade. Como o animal cresce e se reproduz lentamente, a perda de indivíduos adultos pode levar muito tempo para ser compensada. Um tubarão capturado hoje pode representar centenas de anos de crescimento, enquanto sua substituição dentro da população pode exigir muitas décadas.
Um único tubarão pode carregar séculos de história
Pensar na idade de um tubarão-da-Groenlândia muda nossa percepção do tempo. Um animal que hoje atravessa as águas profundas pode ter vivido enquanto gerações inteiras nasceram e desapareceram, tecnologias transformaram sociedades e a humanidade alterou profundamente os oceanos sem que ele deixasse seu ambiente gelado.
Essa possibilidade torna a conservação da espécie ainda mais urgente. Proteger um tubarão tão antigo é preservar uma vida que atravessou séculos. Conhecer esses gigantes silenciosos também é um lembrete poderoso de que algumas histórias da Terra continuam vivas, nadando lentamente sob águas que raramente vemos.