Os detectores de metal apitaram tantas vezes que arqueólogos perderam a conta: sob o campo estava o maior tesouro viking já encontrado na Noruega

Uma sequência quase ininterrupta de sinais nos detectores revelou algo que a arqueologia norueguesa jamais havia registrado

Uma sequência quase ininterrupta de sinais nos detectores revelou algo que a arqueologia norueguesa jamais havia registrado: um tesouro viking com 2.970 moedas de prata. Encontrado em uma fazenda perto de Rena, no leste da Noruega, o conjunto reúne peças de diferentes reinos europeus e ainda pode crescer, pois as escavações continuam.

A descoberta começou em 10 de abril de 2026, quando dois detectoristas localizaram 19 moedas na fazenda de Mørstad
A descoberta começou em 10 de abril de 2026, quando dois detectoristas localizaram 19 moedas na fazenda de Mørstad - Imagem gerada por IA

Como o maior tesouro viking da Noruega foi encontrado?

A descoberta começou em 10 de abril de 2026, quando dois detectoristas localizaram 19 moedas na fazenda de Mørstad. Eles comunicaram imediatamente as autoridades, e arqueólogos do Condado de Innlandet chegaram ao local no dia seguinte para ampliar as buscas e proteger o contexto histórico dos objetos.

A arqueóloga May-Tove Smiseth contou à Science Norway que chegou a brincar sobre a possibilidade de encontrarem mais algumas moedas. A reação do terreno foi muito além do esperado. “Os detectores não pararam de apitar”, afirmou ela ao descrever o momento em que dezenas, centenas e depois milhares de peças começaram a surgir.

Detectoristas de metais alertaram especialistas ao acharem as primeiras moedas.
Detectoristas de metais alertaram especialistas ao acharem as primeiras moedas. - Imagem gerada por IA.

Quais moedas fazem parte do Tesouro de Mørstad?

As 2.970 moedas de prata foram cunhadas na Inglaterra, Alemanha, Dinamarca e Noruega. Especialistas do Museu de História Cultural de Oslo identificaram exemplares ligados a governantes como Etelredo II, Canuto, o Grande, Oto III e Harald Hardrada, figuras centrais da política europeia entre os séculos X e XI.

Entre os principais elementos encontrados no tesouro estão:

  • Moedas inglesas do reinado de Etelredo II;
  • Peças associadas ao governo de Canuto, o Grande;
  • Moedas germânicas da época do imperador Oto III;
  • Exemplares noruegueses cunhados sob Harald Hardrada;
  • Fragmentos de joias de prata usados como meio de pagamento.

Quando as moedas foram escondidas no campo?

Segundo o numismata Svein Gullbekk, moedas estrangeiras dominaram a circulação monetária norueguesa até Harald Hardrada fortalecer uma cunhagem nacional. Como algumas peças do tesouro foram produzidas durante o reinado dele, os pesquisadores estimam que o conjunto tenha sido enterrado por volta do ano 1050.

Esse período marcou uma transição econômica importante na Noruega, quando moedas locais começavam a ganhar espaço ao lado da prata importada. Gullbekk destacou que outros depósitos vikings com cerca de 2 mil moedas já haviam sido encontrados, mas nenhum havia ultrapassado a barreira de 3 mil exemplares.

O sepultamento das peças marca a transição para moedas nacionais.
O sepultamento das peças marca a transição para moedas nacionais. - May-Tove Smiseth/Innlandet County Authority

A fortuna pode ter vindo da produção de ferro

Embora tesouros vikings sejam frequentemente associados a saques, os arqueólogos consideram outra possibilidade para a origem dessa riqueza. Jostein Bergstøl, do Museu de História Cultural, explicou que a região teve uma produção intensa de ferro entre os anos 900 e o fim do século XIII.

O minério era retirado de áreas pantanosas, processado em grande escala e exportado para outras partes da Europa. A prata encontrada pode representar o pagamento acumulado por essa atividade comercial. As condições do solo também teriam contribuído para preservar as moedas durante quase mil anos.

As escavações ainda podem revelar novas surpresas

Os arqueólogos continuam trabalhando na fazenda para descobrir se outras moedas permanecem enterradas e se havia algum assentamento próximo ao depósito. Para Smiseth, trata-se de uma descoberta única, daquelas que um profissional talvez tenha a oportunidade de vivenciar apenas uma vez em toda a carreira.

O Tesouro de Mørstad já transformou a compreensão sobre riqueza, comércio e circulação monetária na Era Viking. Agora, cada nova análise pode revelar conexões esquecidas entre a Noruega e outros reinos europeus. Acompanhar essas descobertas é essencial para compreender como uma fazenda silenciosa guardou uma das maiores histórias arqueológicas do país.