Os Estados Unidos chegaram a treinar morcegos para carregar pequenas bombas incendiárias durante a Segunda Guerra Mundial
O plano militar usaria milhares de morcegos para espalhar incêndios pelo Japão, mas acabou cancelado antes de chegar ao campo de batalha.
Um avião despeja um grande recipiente sobre uma cidade, mas, em vez de uma bomba comum, centenas de morcegos saem voando com pequenos dispositivos incendiários presos ao corpo. Parece uma invenção de filme, porém essa foi a base de um projeto militar realmente estudado pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial.

De onde surgiu a ideia de transformar morcegos em armas?
A proposta surgiu em 1942, pouco depois do ataque japonês a Pearl Harbor. O dentista americano Lytle Adams conhecia grandes colônias de morcegos e imaginou que os animais poderiam levar pequenas cargas incendiárias até construções inimigas. A ideia chegou ao governo e acabou recebendo atenção militar.
O plano tinha como principal alvo cidades japonesas, onde muitas construções da época utilizavam materiais altamente vulneráveis ao fogo, como madeira e papel. Em vez de concentrar uma explosão em apenas um ponto, os morcegos poderiam espalhar centenas de pequenos incêndios por uma área muito maior.

Como funcionaria a chamada Bat Bomb?
Os militares escolheram o morcego-de-cauda-livre-mexicano, uma espécie pequena capaz de carregar um peso considerável em relação ao próprio corpo. Durante o transporte, os animais seriam mantidos resfriados para permanecerem em estado semelhante à hibernação dentro de um grande recipiente lançado por um avião.
Durante a queda, um paraquedas reduziria a velocidade do recipiente, que então se abriria no ar. Com o aumento da temperatura, os morcegos despertariam e voariam procurando locais escuros para se esconder. Presas aos seus corpos estariam pequenas cargas incendiárias programadas para entrar em ação algum tempo depois.
Por que uma ideia tão estranha parecia funcionar?
O comportamento natural dos morcegos tornava o plano curioso, mas não completamente absurdo para os militares. Eles costumam procurar frestas, telhados e outros espaços protegidos para descansar, justamente locais onde uma bomba convencional dificilmente conseguiria colocar fogo diretamente.
Os responsáveis pelo projeto enxergavam algumas vantagens que explicam por que a experiência continuou sendo financiada e testada:
- Os morcegos poderiam se espalhar por uma área muito maior do que uma única bomba incendiária.
- Os animais buscariam naturalmente telhados, sótãos e outras partes escondidas das construções.
- As pequenas cargas poderiam iniciar diversos focos de incêndio quase ao mesmo tempo.
- Milhares de animais poderiam ser transportados em poucos recipientes lançados por aviões.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Forças Mundiais Militares e Seus Fatos mostrando a arma secreta utilizando morcegos com bombas incendiárias criada pelos Estados Unidos.
Os morcegos chegaram a causar incêndios durante os testes?
Os testes provaram de uma maneira inesperada que o conceito podia realmente provocar estragos. Em 1943, morcegos equipados com dispositivos incendiários foram liberados acidentalmente em uma instalação militar no Novo México. Alguns animais se esconderam em estruturas próximas e provocaram um incêndio dentro da própria área de testes.
Apesar do acidente, os experimentos continuaram, e o programa passou por diferentes setores das Forças Armadas até receber o nome de Projeto X-Ray. Foram construídos equipamentos específicos e realizados testes para descobrir como transportar, liberar e equipar os animais sem impedir que eles conseguissem voar.
Por que o Projeto Bat Bomb acabou abandonado?
O maior inimigo do projeto acabou sendo o tempo. O desenvolvimento exigia muitos testes e ajustes, enquanto a guerra avançava rapidamente. Em 1944, a iniciativa foi cancelada antes de chegar ao campo de batalha. Naquele momento, os Estados Unidos já concentravam enormes recursos em outras armas, incluindo o secreto Projeto Manhattan.
A Bat Bomb nunca atacou uma cidade, mas permanece como um dos projetos militares mais incomuns da Segunda Guerra Mundial. A história mostra até onde a busca por vantagem tecnológica pode chegar em tempos de conflito. Conhecer experiências como essa ajuda a enxergar um lado surpreendente da história que raramente aparece nos livros escolares.