Parece inofensivo, mas pode fazer mal: 7 soluções caseiras perigosas para cães e gatos 

Por EdiCase

A preocupação com a saúde e o bem-estar dos animais de estimação faz parte da rotina dos tutores de cães e gatos. Diante de uma coceira, ferida, dor, intoxicação ou outro problema, é natural querer aliviar rapidamente o desconforto do pet. Nesse contexto, receitas encontradas na internet ou recomendações passadas de pessoa para pessoa podem parecer alternativas simples e acessíveis. 

No entanto, o fato de uma substância ser considerada natural ou segura para humanos não significa que ela seja adequada aos animais. Cães e gatos apresentam particularidades na forma como metabolizam diferentes compostos e, dependendo da substância, da quantidade e da via de exposição, uma tentativa de tratamento pode provocar intoxicação ou piorar o quadro. Por isso, soluções caseiras não devem substituir a avaliação e a orientação do médico-veterinário. Abaixo, confira algumas das mais perigosas! 

1. Dar medicamentos humanos para aliviar a dor 

Quando o cachorro ou gato demonstra dor, alguns tutores podem pensar em oferecer analgésicos ou anti-inflamatórios encontrados no armário de casa, como paracetamol, ibuprofeno, naproxeno ou aspirina. Essa prática é perigosa porque medicamentos usados por pessoas podem causar intoxicações graves nos pets. 

O ibuprofeno e o naproxeno, por exemplo, estão associados a úlceras gastrointestinais e danos renais, enquanto o paracetamol pode afetar o fígado e as células vermelhas do sangue, sendo especialmente perigoso para gatos. Diante de sinais de dor, o correto é procurar um médico-veterinário, que poderá identificar a causa e prescrever um medicamento apropriado para a espécie e na dose adequada. 

2. Usar água oxigenada para limpar feridas 

A água oxigenada costuma ser associada à limpeza de machucados e, por isso, alguns tutores podem recorrer a ela quando o cachorro ou gato sofre um corte ou apresenta uma ferida. Porém, o peróxido de hidrogênio pode ser tóxico para as células saudáveis responsáveis pela recuperação do tecido e, consequentemente, prejudicar a cicatrização. Além disso, dependendo do ferimento, o animal pode precisar de limpeza adequada, curativo, medicamentos ou outros cuidados profissionais. 

3. Aplicar álcool em machucados 

O álcool também pode ser lembrado como uma opção para “desinfetar” cortes e feridas, mas não deve ser aplicado indiscriminadamente na pele lesionada de cães e gatos. Além de causar ardência e irritação nos tecidos, o produto pode ser lambido pelo animal durante a higienização do próprio corpo.

Os álcoois podem ser absorvidos pelo trato gastrointestinal e pela pele. Em casos de intoxicação, podem causar vômitos, desorientação, letargia, tremores e dificuldade respiratória. Nos quadros mais graves, há risco de convulsões e coma. Para a limpeza inicial de ferimentos, é importante seguir a orientação veterinária e evitar o uso de produtos domésticos sem indicação profissional.

A aplicação de óleos essenciais diretamente na pele dos pets pode aumentar o risco de intoxicação, principalmente em gatos (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
A aplicação de óleos essenciais diretamente na pele dos pets pode aumentar o risco de intoxicação, principalmente em gatos (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)

4. Usar óleos essenciais diretamente na pele 

Óleos essenciais, como o de melaleuca, são frequentemente associados a propriedades naturais e podem aparecer em receitas caseiras contra coceira, problemas de pele ou parasitas. Entretanto, substâncias naturais também podem ser tóxicas. Os óleos essenciais são absorvidos pela pele, pelas mucosas, pelo sistema respiratório e pelo trato gastrointestinal, e o risco aumenta com produtos concentrados. Os gatos são particularmente sensíveis a diversos compostos presentes nesses óleos, e o hábito de lamber a própria pelagem ainda aumenta a possibilidade de ingestão. 

5. Usar alho como vermífugo ou contra pulgas 

O alho aparece em algumas receitas populares como uma maneira “natural” de afastar pulgas, carrapatos ou até combater vermes. O problema é que esse alimento pertence ao gênero Allium e é considerado tóxico para cães e gatos. A exposição pode danificar as células vermelhas do sangue e favorecer o desenvolvimento de anemia, além de provocar sinais como vômitos, fraqueza, aumento da frequência cardíaca e alterações na urina. 

Para vermes e ectoparasitas, é importante conversar com o médico-veterinário sobre produtos desenvolvidos especificamente para a espécie, considerando também peso, idade e condições de saúde do animal. 

6. Dar leite para tentar combater uma intoxicação 

Uma crença popular é que oferecer leite ao animal após a ingestão de uma substância tóxica ajudaria a “cortar” ou neutralizar o veneno. Esse procedimento, porém, não deve ser feito por conta própria. O tratamento de uma intoxicação depende da substância envolvida, da quantidade ingerida, do tempo transcorrido, do peso do animal e dos sinais apresentados. Em alguns casos, determinadas medidas de descontaminação são contraindicadas e podem aumentar os riscos

Se houver suspeita de envenenamento, o tutor deve retirar o acesso do pet ao produto e entrar imediatamente em contato com um serviço veterinário, informando, sempre que possível, o nome da substância, a quantidade aproximada e o horário da exposição. Levar a embalagem do produto também pode ajudar na avaliação. 

7. Passar pomadas e cremes de uso humano 

Pomadas para assaduras, dores musculares, inflamações ou problemas de pele podem parecer inofensivas, principalmente porque são aplicadas externamente. Porém, cães e gatos costumam lamber regiões do corpo que receberam produtos tópicos, transformando uma exposição cutânea em ingestão. Cremes de uso humano podem conter diferentes princípios ativos, como anti-inflamatórios, anestésicos, corticosteroides, salicilatos, óxido de zinco e outras substâncias que exigem atenção em animais. 

Além do risco de intoxicação, utilizar uma pomada inadequada pode irritar a pele ou atrasar o diagnóstico da verdadeira causa da lesão. Se o pet apresentar vermelhidão, coceira, ferida, queda de pelo ou inflamação, a recomendação é procurar orientação veterinária antes de aplicar qualquer medicamento.