Pedra do Altar de Stonehenge: análise química revela origem que muda teoria sobre o transporte do monumento

Os pesquisadores examinaram a composição e a idade de pequenos grãos de zircão, apatita e rutilo encontrados em fragmentos do arenito.

A Pedra do Altar de Stonehenge, um bloco de arenito com cerca de 6 toneladas, não teria vindo do País de Gales, como se acreditou durante mais de um século. Uma análise publicada em 2024 encontrou correspondência entre os minerais da rocha e sedimentos do nordeste da Escócia, a pelo menos 750 quilômetros do monumento.

Os pesquisadores examinaram a composição e a idade de pequenos grãos de zircão, apatita e rutilo encontrados em fragmentos do arenito.
Os pesquisadores examinaram a composição e a idade de pequenos grãos de zircão, apatita e rutilo encontrados em fragmentos do arenito. - Imagem gerada por IA

Por que a origem galesa deixou de ser aceita?

A Pedra do Altar foi associada durante décadas às formações de arenito do País de Gales, região de onde vieram algumas das pedras menores de Stonehenge e seus círculos megalíticos. Estudos mais recentes, porém, não encontraram uma assinatura mineral compatível com as áreas galesas examinadas.

  • O bloco é formado por arenito, e não pelo mesmo material das grandes pedras sarsen;
  • A composição não correspondeu às formações galesas anteriormente propostas;
  • Os minerais apresentaram idades relacionadas a regiões geológicas escocesas;
  • A nova comparação apontou para o nordeste da Escócia.

Como a análise química identificou a procedência da rocha?

Os pesquisadores examinaram a composição e a idade de pequenos grãos de zircão, apatita e rutilo encontrados em fragmentos do arenito. Esses minerais funcionam como registros geológicos, pois preservam características relacionadas às rochas das quais se originaram antes de serem transportados e depositados como sedimentos.

A análise geoquímica revelou uma combinação de idades e elementos semelhante à encontrada nos arenitos antigos da Bacia Orcadiana. Esse tipo de comparação permite reduzir as áreas de origem possíveis sem retirar novas amostras diretamente do bloco central do monumento.

A Bacia Orcadiana passou a ocupar o centro da investigação

A Bacia Orcadiana abrange uma extensa região geológica do nordeste da Escócia. A descoberta não determinou a pedreira exata de onde a Pedra do Altar foi retirada, mas indicou que sua matéria-prima se formou nessa área, muito mais distante da Planície de Salisbury do que as hipóteses anteriores sugeriam.

  • A distância mínima estimada é de aproximadamente 750 quilômetros;
  • A região de origem fica no nordeste da Escócia;
  • O ponto exato de extração ainda não foi localizado;
  • A composição afasta a antiga associação com o sul do País de Gales;
  • O percurso supera o das outras pedras conhecidas do monumento.

    Os pesquisadores examinaram a composição e a idade de pequenos grãos de zircão, apatita e rutilo encontrados em fragmentos do arenito.
    Os pesquisadores examinaram a composição e a idade de pequenos grãos de zircão, apatita e rutilo encontrados em fragmentos do arenito. - Imagem gerada por IA

Como um bloco de 6 toneladas chegou ao sul da Inglaterra?

A nova origem torna mais difícil explicar o deslocamento da Pedra do Altar apenas por terra. O trajeto atravessaria rios, áreas montanhosas, florestas e diferentes tipos de terreno, exigindo mão de obra numerosa, estruturas de madeira e uma coordenação prolongada entre comunidades neolíticas.

Uma rota marítima passou a ser considerada plausível por reduzir parte dos obstáculos terrestres, mas o estudo não comprovou como o transporte ocorreu. Barcos, trenós, rolos de madeira e vias fluviais aparecem entre as possibilidades discutidas, enquanto a ausência de registros escritos impede uma reconstrução definitiva do percurso.

O que a descoberta muda na interpretação de Stonehenge?

A distância sugere que comunidades separadas por centenas de quilômetros mantinham redes de contato, troca e cooperação mais amplas do que se imaginava. Transportar uma pedra desse porte exigiria planejamento, conhecimento do território e participação coletiva, transformando o transporte neolítico em parte essencial da história do monumento.

A descoberta também acrescenta uma nova questão às diferentes teorias sobre a construção de Stonehenge. A origem escocesa da Pedra do Altar está sustentada pelos minerais analisados, mas a escolha desse arenito, o significado atribuído ao bloco e o caminho usado para levá-lo até a Planície de Salisbury continuam abertos à investigação arqueológica.