Sangue de dinossauro datado de 115 milhões de anos atrás foi encontrado pela primeira vez
O achado veio de um fóssil guardado desde 2008 no Nordeste brasileiro.
Vestígios de sangue de dinossauro foram identificados em um osso fossilizado de 115 milhões de anos encontrado no Brasil. A descoberta reúne células mineralizadas e sinais químicos de heme, molécula ligada à hemoglobina, e abre uma nova frente para a Paleontologia investigar a fisiologia de animais do Cretáceo.
O que foi encontrado dentro do fóssil?
O material estava nos ossos dos membros de um Aratasaurus museunacionali, terópode de cerca de três metros de comprimento. O fóssil pertence a um indivíduo jovem, com aproximadamente quatro anos quando morreu, e preservou estruturas microscópicas nos canais por onde o sangue circulava.
Os pesquisadores não encontraram sangue líquido nem DNA pronto para clonagem. A expressão sangue de dinossauro descreve glóbulos vermelhos mineralizados e biomoléculas derivadas do heme que permaneceram associadas a essas estruturas. A combinação entre forma, localização e composição química sustenta a identificação.
- Estruturas elipsoidais semelhantes a glóbulos vermelhos;
- Heme B preservado dentro das estruturas celulares;
- Aminoácidos associados ao colágeno dos ossos;
- Minerais formados durante o processo de fossilização.
Aratasaurus viveu no Cretáceo brasileiro
O Aratasaurus museunacionali viveu no atual Nordeste durante o Cretáceo Inferior. Seus restos foram recuperados em 2008, em uma mina da Bacia do Araripe, região conhecida pela preservação excepcional de peixes, plantas, insetos e vertebrados. Esse dinossauro carnívoro tinha penas e caminhava sobre duas pernas.

Como o sangue de dinossauro resistiu por 115 milhões de anos?
A hipótese central envolve um sepultamento rápido em ambiente pobre em oxigênio e rico em microrganismos. Essas condições teriam limitado a decomposição e favorecido reações entre tecidos, minerais e sedimentos. Com o tempo, os glóbulos foram mineralizados, enquanto fragmentos químicos permaneceram protegidos no interior do fóssil.
A equipe empregou diferentes técnicas para reduzir o risco de confundir material original com contaminação recente. Na Paleontologia, a posição de uma molécula dentro do osso é tão relevante quanto sua composição, pois resíduos externos podem penetrar em rachaduras após a escavação.
- Microscopia revelou células nos canais vasculares;
- Mapeamento químico localizou compostos derivados do heme;
- Espectrometria analisou moléculas sem separá-las de sua posição original;
- Testes complementares identificaram sinais ligados ao colágeno.
Uma evidência inédita, mas ainda sujeita a debate
A pesquisa apresenta a evidência química mais antiga de material relacionado ao sangue em um dinossauro. Estudos anteriores relataram possíveis vasos, proteínas e células, porém esta análise detectou sinais de heme dentro das estruturas microscópicas. Alguns especialistas, contudo, observam que o formato delas difere dos glóbulos vermelhos nucleados vistos em répteis e aves atuais.

O fóssil amplia as perguntas da Paleontologia
A descoberta permite estudar aspectos antes considerados inacessíveis, como transporte de oxigênio, metabolismo e preservação molecular. O heme encontrado não revela a cor exata do animal nem recupera seu genoma, mas oferece uma assinatura química ligada ao funcionamento do organismo durante o Cretáceo.
Para a Paleontologia, o resultado também reforça a importância de conservar coleções e aplicar novas tecnologias a peças já escavadas. O sangue de dinossauro preservado no fóssil brasileiro mostra que canais vasculares mineralizados podem guardar informações biológicas por 115 milhões de anos, desde que o soterramento e a química do ambiente retardem a destruição molecular.