Sete broches cercavam o crânio de uma mulher de alto status e revelaram um costume funerário quase desconhecido

Sepultamentos, armas, joias e um elaborado cocar feminino indicam que a cultura Murom pode ser mais antiga do que os pesquisadores imaginavam.

Um conjunto de pequenos broches disposto como uma espécie de auréola ao redor do crânio de uma mulher chamou a atenção dos arqueólogos em um antigo cemitério na Rússia. A descoberta, feita em Zvyaginsky II, pode ajudar a reescrever parte da história do povo Murom e indicar que essa cultura surgiu antes do que se imaginava.

Ao todo, os pesquisadores identificaram 43 sepulturas, entre inumações, uma cremação e sepulturas de cavalos
Ao todo, os pesquisadores identificaram 43 sepulturas, entre inumações, uma cremação e sepulturas de cavalos - Imagem gerada por IA

O que os arqueólogos encontraram nas tumbas de Murom?

As escavações foram realizadas no distrito de Vachsky, na região de Nizhny Novgorod, por uma equipe ligada ao Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências e ao Museu-Reserva de Nizhny Novgorod. Durante a temporada de 2026, aproximadamente mil metros quadrados do cemitério foram investigados.

Ao todo, os pesquisadores identificaram 43 sepulturas, entre inumações, uma cremação e sepulturas de cavalos. O principal objetivo desta etapa era examinar a área mais antiga do sítio e entender não apenas como a cultura Murom desapareceu, mas também quando e de que forma ela começou a se formar.

Pesquisadores examinaram dezenas de sepulturas antigas na região de Nizhny.
Pesquisadores examinaram dezenas de sepulturas antigas na região de Nizhny. - Créditos: Academia Russa de Ciências

Por que o adorno feminino chamou tanta atenção?

Um dos achados mais impressionantes apareceu no túmulo de uma mulher considerada de alto status. Ao redor de sua cabeça havia sete pequenos broches em formato de cruz, enquanto uma peça maior, formada por duas placas, estava posicionada atrás do crânio. O conjunto provavelmente fazia parte de um elaborado cocar cerimonial.

Os broches não apresentavam pinos de fixação, o que levou os pesquisadores a acreditar que eram costurados em um adorno de tecido. Vestígios de cordões de couro, anéis de bronze e pequenas contas metálicas também foram preservados, oferecendo uma rara oportunidade de compreender como os acessórios da elite Murom eram confeccionados.

  • Sete broches menores estavam distribuídos ao redor do crânio da mulher enterrada.
  • Um broche maior composto por duas placas foi encontrado na parte posterior da cabeça.
  • Cordões de couro e anéis de bronze ajudaram a revelar detalhes da construção do cocar.
  • Objetos semelhantes já haviam aparecido em outros cemitérios entre os rios Volga e Oka.

O que armas e cintos revelam sobre essa sociedade?

As sepulturas masculinas continham pontas de lança, dardos, machados e outras armas associadas ao período. Em um dos túmulos, os arqueólogos encontraram um conjunto completo de guerreiro, formado por lança e dardo, reforçando a importância que o armamento provavelmente possuía dentro da organização social dessas comunidades.

Também foram identificados diferentes tipos de cintos, incluindo modelos de influência oriental que teriam chegado à região a partir da Ásia Central. Curiosamente, um desses cintos apareceu em uma sepultura feminina acompanhado de um raro fecho metálico, mostrando que objetos normalmente associados a homens ou guerreiros também podiam fazer parte do vestuário feminino.

Armas e cintos orientais expõem complexa organização militar e comercial.
Armas e cintos orientais expõem complexa organização militar e comercial. - Créditos: Academia Russa de Ciências

Por que as novas datas podem mudar a história de Murom?

Grande parte dos objetos encontrados aponta para sepultamentos entre o final do século VII e o começo do século VIII. No entanto, algumas tumbas infantis continham contas de vidro e peças metálicas que parecem ser anteriores, possivelmente datadas do final do século VI ou início do século VII.

Isso é importante porque empurra para trás a presença conhecida das comunidades Murom nas margens do rio Oka. Se a interpretação for confirmada, os novos achados poderão demonstrar que essa população já estava estabelecida na região antes do período tradicionalmente aceito para o início de sua cultura.

O que essas tumbas ainda podem revelar?

Os pesquisadores acreditam que Zvyaginsky II ajuda a conectar a cultura Murom a tradições anteriores da região entre os rios Volga e Oka. Comparações com outros cemitérios indicam elementos semelhantes em joias, vestimentas, armas e rituais funerários, sugerindo uma rede cultural muito mais ampla do que parecia à primeira vista.

Cada broche, conta ou fragmento de couro funciona como uma pista deixada há mais de mil anos. Quanto mais essas peças são analisadas com técnicas modernas, mais claro fica que a história do povo Murom ainda está longe de estar completa. As próximas descobertas podem revelar não apenas quando essa cultura surgiu, mas como ela se espalhou e se transformou ao longo de séculos.