Um estudo sugere que o núcleo da Terra para de girar, inverte sua direção e que os humanos já estão sentindo os efeitos.

O núcleo interno continua girando junto com o restante do planeta.

O núcleo interno da Terra diminuiu sua velocidade e passou a se mover na direção oposta em relação ao manto, segundo uma análise de ondas sísmicas. Isso não significa que o centro do planeta tenha parado completamente nem que a rotação terrestre será invertida. Os possíveis efeitos na superfície são tão pequenos que não podem ser percebidos pelas pessoas.

O núcleo interno continua girando junto com o restante do planeta
O núcleo interno continua girando junto com o restante do planeta - Imagem gerada por IA

O que o estudo descobriu sobre o núcleo da Terra?

O trabalho identificou uma mudança no movimento relativo da esfera sólida de ferro e níquel localizada a mais de 5 mil quilômetros de profundidade. O núcleo interno avançou mais rapidamente do que o manto entre 2003 e 2008, desacelerou e depois começou a percorrer lentamente o caminho contrário.

A pesquisa sobre a mudança na rotação do núcleo interno foi publicada em junho de 2024 e analisou registros sísmicos produzidos entre 1991 e 2023. Os principais resultados foram:

  • A mudança de direção ocorreu por volta de 2008;
  • O movimento posterior ficou cerca de 2,5 vezes mais lento;
  • O núcleo voltou a ocupar posições registradas anteriormente;
  • A oscilação acontece em relação ao manto e à superfície;
  • O fenômeno pode integrar um ciclo de várias décadas.

Por que dizer que o núcleo “parou” causa confusão?

O núcleo interno continua girando junto com o restante do planeta. A chamada parada representa o momento em que sua velocidade relativa ficou próxima à do manto, antes de passar a se deslocar lentamente na direção contrária quando comparado à superfície. A Terra não interrompeu sua rotação, e o núcleo não começou a girar livremente ao contrário dentro do planeta.

Como os cientistas observaram algo tão profundo?

Nenhum equipamento consegue alcançar diretamente o núcleo terrestre. Os pesquisadores estudam essa região por meio de ondas produzidas por terremotos, que atravessam diferentes camadas do planeta e chegam a estações sísmicas com pequenas alterações de velocidade, trajetória e formato.

O estudo comparou terremotos repetidos ocorridos perto das Ilhas Sandwich do Sul. Como esses eventos tiveram origens muito semelhantes, mudanças nas ondas que atravessaram o centro da Terra puderam ser relacionadas ao deslocamento do núcleo:

  • Foram analisados 121 terremotos registrados ao longo de 32 anos;
  • Os eventos formaram 143 pares para comparação;
  • As ondas foram captadas por redes no norte da América;
  • Alguns sinais mudaram e depois voltaram ao formato anterior;
  • Essa repetição indicou o retorno do núcleo à mesma posição relativa.

    O núcleo interno continua girando junto com o restante do planeta
    O núcleo interno continua girando junto com o restante do planeta - Imagem gerada por IA

Os humanos já estão sentindo os efeitos dessa inversão?

Não há evidência de que as pessoas sintam diretamente a mudança. Ela pode estar relacionada a variações na duração do dia, mas a diferença estimada fica na ordem de um milésimo de segundo, praticamente perdida entre alterações causadas pelos oceanos e pela atmosfera. A interpretação de que os humanos já perceberiam consequências vai além do que o estudo demonstrou.

A descoberta ajuda a compreender o interior do planeta

O movimento do núcleo interno está ligado às interações gravitacionais com o manto e às forças magnéticas produzidas no núcleo externo líquido. A pesquisa ajuda a aperfeiçoar modelos sobre essas camadas, mas não concluiu que a mudança esteja provocando terremotos, alterações climáticas ou enfraquecimento perigoso do campo magnético.

A rotação do núcleo da Terra ocorre em uma escala muito diferente da vida cotidiana. O fenômeno revela que o centro do planeta é dinâmico e pode oscilar ao longo das décadas, enquanto seus efeitos conhecidos na superfície permanecem pequenos, indiretos e impossíveis de sentir sem instrumentos de alta precisão.