Um filhote de beija flor nasceu coberto por penas compridas que fazem seu corpo parecer uma lagarta perigosa
Penas longas e movimentos incomuns fizeram pesquisadores investigar se o jacobino-de-pescoço-branco usa mimetismo, camuflagem ou ambos.
À primeira vista, seria fácil confundir o pequeno animal no ninho com uma lagarta coberta de pelos. Mas pesquisadores no Panamá estavam diante de um filhote recém-nascido de beija-flor, com penas longas e fofas nas costas tão incomuns que levantaram uma hipótese curiosa sobre como ele pode tentar escapar de predadores.

Que beija-flor chamou a atenção dos pesquisadores?
O filhote pertence ao jacobino-de-pescoço-branco, espécie de nome científico Florisuga mellivora, encontrada em regiões tropicais das Américas. Durante observações realizadas no Panamá, pesquisadores acompanharam um ninho e perceberam algo inesperado quando o ovo finalmente eclodiu.
Em vez da aparência normalmente associada aos filhotes muito jovens de beija-flor, o recém-nascido apresentava numerosas penas compridas e macias na região dorsal. Elas cobriam boa parte das costas e mudavam completamente sua silhueta, criando uma semelhança impressionante com certos insetos peludos.

Por que ele parece tanto com uma lagarta?
Algumas lagartas possuem pelos ou estruturas que funcionam como defesa e podem fazer potenciais predadores evitarem o contato. A aparência do pequeno beija-flor lembrou justamente esse tipo de animal, levantando a possibilidade de que suas penas incomuns possam funcionar como uma espécie de disfarce defensivo.
Essa interpretação ficou ainda mais interessante porque não foi apenas a aparência que chamou atenção. Os pesquisadores também registraram movimentos do filhote que lembravam o comportamento de certas lagartas quando são perturbadas, reforçando a ideia de que forma e movimento poderiam atuar juntos.
O filhote realmente imita uma lagarta perigosa?
A possibilidade é fascinante, mas ainda deve ser tratada como hipótese. Para falar em mimetismo com maior segurança, seria necessário demonstrar que possíveis predadores realmente confundem o filhote com uma lagarta ou evitam atacá-lo por causa dessa semelhança. Uma única observação não consegue responder tudo isso.
Por enquanto, algumas características ajudam a explicar por que os cientistas consideram essa possibilidade interessante, sem transformá-la em uma conclusão definitiva:
- As penas dorsais são excepcionalmente longas e fofas para um filhote recém-nascido de beija-flor.
- A silhueta criada pelas penas lembra lagartas peludas que podem ser evitadas por outros animais.
- O filhote realizou movimentos corporais que também lembraram respostas observadas em algumas lagartas.
- Ainda faltam observações de outros ninhos e interações com predadores para testar a explicação.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Canal dos Bichos mostrando o beija-flor que nasceu coberto de penas compridas.
Também pode ser apenas uma forma de camuflagem?
Sim, e essa é outra possibilidade considerada pelos pesquisadores. Penas compridas podem ajudar o pequeno animal a se confundir com materiais presentes ao redor do ninho, dificultando sua identificação à distância. Nesse cenário, a vantagem estaria menos em parecer perigoso e mais em simplesmente passar despercebido.
As duas explicações também não precisam ser necessariamente excludentes. Uma característica capaz de tornar o filhote menos visível pode, ao mesmo tempo, lembrar um organismo pouco atraente para predadores. Descobrir qual efeito realmente ocorre exige acompanhar mais indivíduos em condições naturais.
O que ainda falta descobrir sobre esse estranho disfarce?
Os próximos ninhos podem ser decisivos. Os cientistas precisam saber se outros filhotes da espécie apresentam as mesmas penas, repetem os movimentos observados e, principalmente, como predadores reagem diante deles. Só então será possível entender se existe realmente mimetismo, camuflagem ou uma combinação dos dois.
Por enquanto, o pequeno beija-flor deixa uma lembrança poderosa de quanto ainda existe para descobrir na natureza. Vale acompanhar as próximas observações, porque um detalhe tão pequeno quanto uma pena pode revelar uma estratégia de sobrevivência que passou despercebida por muito tempo.