Um homem amarrou 42 balões meteorológicos numa cadeira de jardim e terminou a quase 5 mil metros de altitude no caminho dos aviões

Em 1982, Larry Walters subiu quase 5 mil metros preso a uma cadeira de jardim sustentada por 42 balões de hélio.

Larry Walters queria subir alguns metros sobre o quintal. Em 2 de julho de 1982, porém, os 42 balões de hélio presos à sua cadeira de jardim venceram as amarras e o lançaram até cerca de 4.880 metros. Pilotos passaram a relatar algo que nenhuma torre esperava ouvir: havia um homem sentado no céu.

Walters prendeu grandes balões meteorológicos a uma cadeira de alumínio, levou suprimentos e planejou controlar a subida por meio de amarras.
Walters prendeu grandes balões meteorológicos a uma cadeira de alumínio, levou suprimentos e planejou controlar a subida por meio de amarras.Imagem gerada por inteligência artificial

Como uma cadeira conseguiu decolar?

Walters prendeu grandes balões meteorológicos a uma cadeira de alumínio, levou suprimentos e planejou controlar a subida por meio de amarras. A força total do hélio foi muito maior do que ele esperava, e a decolagem suave virou uma arrancada.

Cada balão isolado não parecia capaz de tamanho feito. Somados, porém, eles deslocavam ar suficiente para erguer cadeira, equipamentos e passageiro. O improviso havia cruzado a fronteira entre brincadeira terrestre e aeronave sem que seu criador dominasse a transição.

Larry Walters voou quase cinco quilômetros numa cadeira presa a balões.
Larry Walters voou quase cinco quilômetros numa cadeira presa a balões.Imagem gerada por inteligência artificial

O que aconteceu a quase cinco mil metros?

A cadeira alcançou aproximadamente 16 mil pés, ou 4.880 metros, altitude em que frio, vento e falta de oxigênio já importam. Ela também entrou em espaço aéreo controlado na região de Long Beach, e tripulações comerciais comunicaram o avistamento.

Walters tinha um rádio, mas não os instrumentos, a proteção e o treinamento de um piloto. O episódio parece cômico visto de longe; dentro da cadeira, era uma emergência exposta ao tráfego aéreo e às mudanças imprevisíveis do vento.

O plano de descer cabia numa arma de pressão

A ideia era estourar balões aos poucos com uma arma de pressão, reduzindo sustentação sem provocar queda brusca. Walters conseguiu romper alguns, mas deixou a arma cair antes de completar o procedimento.

A engenhosidade lembra outras histórias de comunicação improvável, como a capacidade dos pombos-correios para encontrar o caminho. Larry, ao contrário, não tinha um sistema confiável para escolher direção ou pouso.

  • 42 balões meteorológicos
  • Cadeira de jardim reforçada
  • Rádio para contato
  • Arma de pressão para controlar a descida

Para acompanhar a sequência que transformou uma experiência de quintal em ocorrência aérea, o canal do YouTube Secret Base reconstitui o voo de Larry Walters e sua cadeira sustentada por balões:

Como o voo terminou?

A estrutura perdeu altitude e acabou presa em fios elétricos, interrompendo o fornecimento de energia em parte da área. Walters foi retirado vivo, mas a aventura não terminou no pouso: autoridades de aviação investigaram várias violações.

A FAA enfrentou um problema de linguagem, pois as regras não haviam sido escritas pensando numa cadeira sustentada por balões. Ainda assim, voar em espaço controlado sem os requisitos de comunicação e segurança não deixou de criar risco só porque o veículo era absurdo.

Por que a cadeira foi parar num museu?

Décadas depois, a cadeira associada ao voo entrou na coleção do Smithsonian National Air and Space Museum. Ela representa uma forma não convencional de voo e um episódio que obrigou instituições a olhar seriamente para uma invenção doméstica.

O objeto também preserva a diferença entre sonho e planejamento. Larry realizou o desejo de voar, mas sem margem para corrigir o que desse errado. A história fascina porque a fantasia infantil subiu de verdade e encontrou, no alto, regras físicas e aéreas nada fantasiosas.