Uma área ignorada perto da Grande Pirâmide revelou uma estrutura enterrada e um segundo mistério até 10 metros abaixo
Varreduras geofísicas revelaram formas incomuns sob o Cemitério Ocidental, mas somente novas investigações poderão esclarecer o mistério.
Mesmo em uma das áreas arqueológicas mais estudadas do planeta, a areia ainda pode esconder grandes surpresas. Perto da Grande Pirâmide de Gizé, pesquisadores detectaram uma estrutura subterrânea em forma de L e outra anomalia muito mais profunda, em uma região onde nada chamava atenção na superfície.

Onde a misteriosa estrutura foi encontrada?
A descoberta ocorreu no Cemitério Ocidental de Gizé, localizado a oeste da Grande Pirâmide. A área foi usada no antigo Egito para sepultamentos de membros da família real e funcionários de alta posição, sendo conhecida principalmente pelas mastabas, túmulos retangulares de teto plano.
O trecho escolhido pelos pesquisadores, porém, tinha recebido menos atenção porque não apresentava construções visíveis. Foi justamente essa aparência aparentemente vazia que tornou o resultado curioso. Um estudo publicado em 2024 na revista Archaeological Prospection mostrou que havia algo inesperado escondido sob aquela parte do terreno.

Como os pesquisadores enxergaram algo enterrado sem escavar?
A equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Tohoku combinou duas técnicas geofísicas. O radar de penetração no solo, conhecido como GPR, envia pulsos para baixo da superfície e registra seus reflexos, enquanto a tomografia de resistividade elétrica, ou ERT, mede diferenças na passagem de correntes pelo terreno.
Ao juntar os resultados, os pesquisadores conseguiram observar contrastes que sugeriam estruturas enterradas. O levantamento revelou:
- Uma estrutura em forma de L localizada aproximadamente 2 metros abaixo da superfície.
- Uma formação com cerca de 10 metros de comprimento que parece ter sido aterrada intencionalmente.
- Uma segunda anomalia localizada muito mais profundamente abaixo da primeira estrutura.
- Fortes diferenças elétricas no subsolo que podem indicar materiais distintos ou espaços vazios.
O que existe abaixo da estrutura em forma de L?
Os instrumentos detectaram uma segunda anomalia a profundidades de aproximadamente 5 a 10 metros. Ela apresentou resistência elétrica bastante diferente do solo ao redor, sinal de que alguma característica subterrânea está alterando as medições naquele ponto específico do Cemitério Ocidental.
Os autores do estudo consideraram algumas possibilidades, como uma mistura de areia e cascalho ou a presença de espaços vazios com ar. No próprio artigo, porém, fizeram uma ressalva importante: os dados não permitem determinar qual material provoca a anomalia, embora ela possa representar uma grande estrutura arqueológica subterrânea.

Os arqueólogos acreditam ter encontrado uma tumba?
Por enquanto, não. A geometria bem definida da formação superior despertou interesse porque parece pouco compatível com uma formação natural. Motoyuki Sato, um dos pesquisadores envolvidos, destacou que o formato é bastante acentuado, reforçando a possibilidade de intervenção humana naquele local.
Uma das hipóteses apresentadas é que a estrutura em forma de L pudesse funcionar como entrada para algo maior localizado abaixo. Ainda assim, os cientistas foram cuidadosos: nenhuma tumba foi confirmada. Sem uma escavação, não é possível saber se o sinal representa uma construção, uma cavidade ou outra característica subterrânea.
Por que essa descoberta ainda pode render grandes surpresas?
O caso chama atenção justamente por ter surgido em Gizé, uma região investigada por gerações de arqueólogos. Ele mostra como tecnologias capazes de observar o subsolo sem removê-lo podem revelar áreas promissoras mesmo em locais onde aparentemente já se conhece quase tudo sobre a paisagem.
A resposta definitiva, porém, continua enterrada. Até que novas investigações ou escavações sejam realizadas, a estrutura permanecerá como um enigma sob as areias de Gizé. Vale acompanhar os próximos estudos, porque alguns metros de areia podem estar separando os arqueólogos de uma descoberta capaz de explicar o que realmente existe ali.