Uma cidade de 3.400 habitantes, localizada a uma altitude de 300 metros, abriga os únicos espelhos gigantes que refletem sol sobre uma praça e atrai turistas durante o inverno
O município ocupa o vale de Vestfjord, na região de Telemark, próximo à montanha Gaustatoppen.
Rjukan está localizada a cerca de 300 metros de altitude, no fundo de um vale estreito da Noruega cercado por montanhas íngremes. Entre setembro e março, o relevo bloqueia a luz solar direta e mantém ruas e casas na sombra. Desde 2013, três espelhos instalados acima da cidade refletem os raios do sol sobre a praça central.

Por que Rjukan fica sem sol por quase seis meses?
O município ocupa o vale de Vestfjord, na região de Telemark, próximo à montanha Gaustatoppen. Como o vale segue no sentido leste-oeste e possui paredões elevados ao sul, o sol permanece baixo demais para ultrapassar as montanhas durante boa parte do outono e do inverno.
Isso não significa que a região fique completamente escura durante seis meses. Há claridade natural ao longo do dia, mas os moradores não recebem luz solar direta entre setembro e março. Antes da instalação dos espelhos, era necessário subir a montanha para encontrar um ponto iluminado.
Como os espelhos gigantes iluminam a praça central?
Os espelhos gigantes funcionam como heliostatos controlados por computador. Eles acompanham o movimento do sol no horizonte e ajustam continuamente sua posição para direcionar os raios até a praça central. Os principais números da estrutura são:
- três espelhos com 17 m² cada;
- área refletora total de 51 m²;
- instalação a 742 metros acima do nível do mar;
- posição cerca de 450 metros acima da praça;
- círculo iluminado com aproximadamente 600 m².
Quem teve a ideia de levar a luz solar até a cidade?
A proposta surgiu em 1913, quando o industrial Sam Eyde, responsável pelo desenvolvimento urbano de Rjukan, imaginou instalar um espelho na montanha. Ele desejava oferecer aos trabalhadores um local com luz solar durante o inverno, mas a tecnologia disponível naquele período não permitiu executar o projeto.
Em 2005, o artista e morador Martin Andersen retomou a ideia. Com sistemas eletrônicos capazes de calcular a posição do sol, a instalação finalmente foi inaugurada em 2013, exatamente cem anos após a proposta original. As especificações dos espelhos solares indicam que a luz refletida conserva entre 80% e 100% da intensidade capturada no alto da montanha.

O que os turistas encontram em Rjukan durante o inverno?
Os visitantes costumam se reunir na praça central para observar o círculo de luz cercado pelas áreas sombreadas. Além da instalação, a cidade possui paisagens montanhosas, construções industriais preservadas e atividades ligadas à neve. Entre os atrativos locais estão:
- os três heliostatos acompanhando o movimento solar;
- a arquitetura industrial desenvolvida no início do século XX;
- as montanhas cobertas de neve ao redor do vale;
- trilhas e pontos de observação em áreas mais elevadas;
- o conjunto urbano reconhecido como patrimônio mundial.
A luz refletida mudou a relação da cidade com o inverno
Os espelhos não iluminam todas as ruas nem substituem o sol natural sobre o vale. Sua função é concentrar a luz solar em uma área específica, oferecendo aos moradores um ponto de encontro iluminado nos meses mais sombrios. O contraste entre o círculo claro e as montanhas cobertas pela sombra tornou-se uma das imagens mais conhecidas da cidade.
Além de beneficiar a população, o projeto reforçou o turismo de inverno e despertou a curiosidade de viajantes interessados em engenharia e paisagens nórdicas. Quem visita a pequena cidade norueguesa cercada por montanhas encontra uma solução que combina astronomia, tecnologia e planejamento urbano para levar a luz até o fundo do vale.