Uma família decidiu baixar o piso da cozinha de uma casa antiga e encontrou mais de mil moedas escondidas dentro de uma tigela quebrada
Uma reforma em uma casa inglesa revelou 1.029 moedas de ouro e prata escondidas sob a cozinha desde a Guerra Civil Inglesa.
Robert e Betty Fooks não estavam procurando um tesouro. A casa de aproximadamente 400 anos em South Poorton Farm, no oeste de Dorset, precisava de uma reforma pesada, e baixar o piso ajudaria a ganhar altura no cômodo. Depois de atravessar concreto, antigas lajes e quase 60 centímetros de terra, a picareta encontrou uma tigela de cerâmica com mais de mil moedas de ouro e prata escondidas sob a cozinha.

Como a reforma encontrou o chamado tesouro de Poorton?
O achado ocorreu em 2019. Robert Fooks escavava o piso quando encontrou uma tigela de cerâmica vidrada, já quebrada ou atingida durante o trabalho. As moedas foram recolhidas e a família comunicou o caso ao responsável local pelo registro de achados arqueológicos. O conjunto seguiu então para especialistas do British Museum, que fizeram limpeza e identificação.
A Smithsonian Magazine descreve mais de mil moedas, enquanto levantamentos especializados do achado registram 1.029 peças. O conjunto ficou conhecido como Poorton Coin Hoard. O detalhe que sustenta toda a história é quase absurdo de tão simples: se os proprietários não tivessem decidido abaixar o chão, a tigela poderia continuar enterrada sob a casa por muitas gerações.

Quem poderia ter escondido tanto dinheiro?
Não existe nome confirmado do proprietário original. A cronologia das moedas, porém, indica que o esconderijo provavelmente foi feito durante a Primeira Guerra Civil Inglesa, entre 1642 e 1646, quando forças ligadas ao Parlamento e à Coroa disputavam o país. Dorset estava numa região atravessada por movimentação de tropas e instabilidade política.
O historiador Waseem Ahmed, da University College London, explicou que propriedades de pessoas vistas como inimigas de um dos lados podiam ser confiscadas. Nesse ambiente, retirar riqueza de circulação e escondê-la em casa fazia sentido. A pergunta sem resposta é a mais humana: quem enterrou a tigela aparentemente pretendia voltar, então por que nunca conseguiu recuperá-la?
Que moedas estavam dentro da tigela?
O conjunto reuniu peças de diferentes reinados, cobrindo aproximadamente um século de circulação monetária. Havia moedas associadas a Eduardo VI, Maria I, Elizabeth I, Jaime I e Carlos I, entre outros governantes. Isso mostra que não se tratava de dinheiro recém-cunhado, mas de uma reserva acumulada com peças que continuavam circulando ao longo do tempo.
O conteúdo ajuda a visualizar o “cofre” doméstico:
- O esconderijo reunia mais de mil moedas de ouro e prata guardadas num recipiente de cerâmica.
- Havia seis pence, xelins, meias coroas e moedas de ouro de maior valor.
- As peças cobriam reinados do século XVI até o período de Carlos I.
- A composição e a cronologia são compatíveis com ocultação durante a Guerra Civil Inglesa.
- O conjunto foi limpo e identificado por especialistas antes de retornar aos proprietários.

Esconder moedas no chão funcionava como um banco particular?
Em períodos de guerra, instabilidade e acesso limitado a instituições financeiras modernas, enterrar riqueza podia ser uma estratégia de proteção. O comportamento é conhecido em vários tesouros arqueológicos: moedas são reunidas num recipiente, caixa ou tecido e colocadas sob piso, parede ou terreno numa posição que o dono acreditava conseguir reencontrar.
O Tesouro de Hoxne, muito mais antigo, ilustra o mesmo mistério arqueológico de uma riqueza escondida que jamais foi recuperada pelo proprietário. O fato de o dinheiro permanecer no local é justamente a pista de que algum acontecimento rompeu o plano original.
O que aconteceu com as moedas depois da descoberta?
Após o processo de identificação e os trâmites legais, as moedas foram devolvidas à família e colocadas em leilão pela Duke’s Auctioneers. Em 2024, a venda totalizou £60.740, quase o dobro da estimativa máxima prévia citada pela Smithsonian Magazine. Uma moeda de ouro de Carlos I foi um dos destaques individuais.
O valor financeiro chama atenção, mas a melhor história continua sob o piso. Uma reforma doméstica encontrou uma decisão tomada no meio de uma guerra civil: alguém reuniu a própria riqueza, colocou-a numa tigela e a escondeu onde acreditava estar segura. Quase quatro séculos depois, outro morador precisou cavar exatamente naquele ponto para abrir o cofre que ninguém voltou para buscar.