Uma pedra rara avaliada em milhões foi encontrada em uma mina que já estava perto de fechar as portas
Um diamante amarelo de 158,20 quilates foi descoberto no norte do Canadá. Entenda sua raridade, idade estimada e os fatores que definem seu valor
Uma descoberta extraordinária marcou os últimos meses de produção de uma mina de diamantes no norte do Canadá: uma pedra amarela de 158,20 quilates, considerada uma das maiores desse tipo já encontradas no país. O achado ocorreu na mina Diavik, nos Territórios do Noroeste, pouco antes do encerramento definitivo da extração, concluído em março de 2026. Além do tamanho, a gema chama a atenção pela raridade da coloração e pela idade estimada em cerca de 2 bilhões de anos. Embora estimativas de mercado apontem valores milionários para pedras dessa categoria, o preço definitivo depende de características que só podem ser avaliadas com precisão após análises gemológicas e eventual lapidação.

Por que o diamante amarelo encontrado no Canadá é tão raro?
O diamante de 158,20 quilates foi identificado na mina Diavik, uma operação localizada em uma região remota do Canadá, aproximadamente 200 quilômetros ao sul do Círculo Polar Ártico. Segundo informações divulgadas pela mineradora Rio Tinto, responsável pela operação, a pedra está entre apenas cinco diamantes amarelos com mais de 100 quilates encontrados na mina durante seus mais de 20 anos de atividade. A produção da Diavik foi composta principalmente por diamantes brancos, enquanto os exemplares amarelos representaram menos de 1% do total.
A tonalidade amarela está relacionada à presença de nitrogênio na estrutura cristalina do diamante. A quantidade e a distribuição desse elemento influenciam a cor, enquanto o tamanho, a transparência e as características internas também interferem no interesse comercial. A combinação dessas propriedades explica por que pedras coloridas de grandes dimensões despertam tanta atenção. Outro exemplo da raridade desse mercado pode ser visto na história de um dos diamantes lapidados mais famosos do mundo, cuja trajetória mostra como tamanho, qualidade e procedência podem transformar uma gema em uma peça histórica.
Quanto pode valer uma pedra preciosa desse tamanho?
O valor de um diamante bruto não é determinado apenas pelo peso. A intensidade da cor, a transparência, as inclusões internas, as fraturas e o potencial de lapidação são fatores importantes para estabelecer seu preço. Uma pedra muito grande pode perder parte significativa de sua massa durante o corte, processo que busca equilibrar o aproveitamento do material, a aparência final e o brilho. Por isso, avaliações preliminares não devem ser confundidas com um preço oficial de venda.
No caso do exemplar encontrado na Diavik, não há uma avaliação definitiva publicamente confirmada pela mineradora que permita afirmar que ele vale exatamente US$ 15 milhões. Esse tipo de cifra depende de hipóteses sobre a qualidade gemológica e o resultado da lapidação. O mercado de pedras excepcionais também considera a raridade e a procedência, aspectos que podem influenciar o interesse de colecionadores. Uma comparação útil é a descoberta de um rubi de dimensões extraordinárias em Mianmar, que também evidencia como peso, características naturais e origem entram na avaliação de gemas raras.

Como os diamantes se formam tão profundamente no interior da Terra?
Os diamantes naturais se formam sob pressões muito elevadas e temperaturas intensas no manto terrestre, a profundidades que geralmente ultrapassam 140 quilômetros. Nessas condições, átomos de carbono podem se organizar em uma estrutura cristalina extremamente resistente. Muitos diamantes se formaram há bilhões de anos e permaneceram nas profundezas até serem transportados para regiões próximas à superfície por magmas que originaram rochas como a kimberlita.
A mineração explora depósitos em que essas rochas ou seus materiais associados concentram diamantes suficientes para justificar a extração. A região de Diavik possui formações geológicas favoráveis à presença dessas gemas, mas isso não significa que todas as pedras encontradas sejam grandes ou coloridas. O aparecimento de um diamante amarelo excepcional depende de uma combinação incomum de condições durante sua formação. A história da produção de diamantes da Diavik, divulgada pela Rio Tinto, contextualiza a raridade desses achados dentro de uma operação que produziu mais de 150 milhões de quilates ao longo de sua trajetória.
O que acontece com a mina depois de uma descoberta tão importante?
A descoberta não foi suficiente para prolongar indefinidamente a atividade da Diavik. A mina encerrou sua produção em março de 2026, após mais de duas décadas de exploração. O fechamento já fazia parte do planejamento da operação, cujo ciclo produtivo chegou ao fim com a redução das reservas economicamente viáveis. Mesmo depois da última extração, o trabalho não termina imediatamente: ainda existem atividades de desativação das instalações, recuperação ambiental e acompanhamento da área.
O caso mostra como a mineração depende tanto das condições geológicas quanto de fatores econômicos, técnicos e ambientais. Uma gema excepcional pode marcar os últimos capítulos de uma operação, mas não elimina os desafios de manter uma mina em funcionamento. No Ártico canadense, as baixas temperaturas, o isolamento e a necessidade de infraestrutura especializada tornam a atividade particularmente complexa. O diamante amarelo de 158,20 quilates permanece como um achado raro na história da Diavik, reunindo uma origem geológica antiga, características incomuns e uma descoberta realizada pouco antes do fim da produção.