Uma rinoceronte recebeu cerca de 100 mil votos para vereadora em São Paulo e superou todos os candidatos humanos
A votação surpreendente de Cacareco superou a dos candidatos humanos e transformou uma brincadeira eleitoral em símbolo de insatisfação política.
Na eleição municipal de São Paulo de 1959, nenhum político conseguiu superar uma candidata que sequer podia ocupar o cargo: Cacareco, uma rinoceronte. Cerca de 100 mil eleitores escreveram seu nome nas cédulas, transformando uma brincadeira de protesto em um dos episódios eleitorais mais curiosos do Brasil.

Como uma rinoceronte acabou entrando na eleição?
Cacareco havia nascido no Rio de Janeiro e foi levada a São Paulo para a inauguração do zoológico da cidade, tornando-se rapidamente uma atração popular. Em meio à campanha para vereador de 1959, o jornalista Itaboraí Martins ajudou a lançar a ideia de apresentar simbolicamente o animal como alternativa aos políticos.
Na época, o voto era feito com cédulas de papel, o que permitia ao eleitor escrever nomes que nem sequer pertenciam à lista oficial de candidatos. A insatisfação com a política encontrou naquela rinoceronte já conhecida pelo público uma maneira simples, engraçada e bastante visível de chegar às urnas.

Quantos votos Cacareco recebeu?
Quando os votos foram contados, o resultado chamou atenção: Cacareco recebeu cerca de 100 mil votos, mais do que qualquer candidato humano individualmente naquela disputa. A quantidade teria sido suficiente para uma votação extraordinária, mas os votos obviamente não poderiam ser considerados válidos para eleger o animal.
O número exato varia em registros históricos porque os votos destinados à rinoceronte foram anulados. Ainda assim, as fontes da época e registros posteriores convergem para uma votação próxima ou superior a 100 mil, dimensão suficiente para transformar o caso em notícia e símbolo político.
Por que tanta gente decidiu votar nela?
O sucesso não significava que os paulistanos acreditavam seriamente que uma rinoceronte pudesse exercer um mandato. Escrever “Cacareco” na cédula era uma maneira de manifestar descontentamento com os candidatos e com o cenário político, usando o humor como uma forma coletiva de protesto.
Alguns elementos fizeram a manifestação ganhar uma dimensão que dificilmente seria alcançada por uma simples campanha de reclamação:
- Cacareco já era conhecida e querida por visitantes do zoológico paulistano.
- As cédulas de papel permitiam escrever livremente o nome de uma pessoa ou até de um animal.
- A ideia oferecia aos insatisfeitos uma forma bem-humorada de rejeitar as opções disponíveis.
- A enorme votação transformou uma piada eleitoral em um protesto impossível de ignorar.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Canal Não Adormeça contando a história do rinoceronte que recebeu 100 mil votos na câmara dos vereadores.
Ela poderia realmente ter se tornado vereadora?
Não. Cacareco nunca foi uma candidata oficial e, naturalmente, não preenchia qualquer requisito para disputar ou assumir um cargo público. Os votos destinados a ela foram considerados nulos, portanto a votação impressionante não produziu uma cadeira na Câmara Municipal nem qualquer efeito eleitoral direto.
Isso, porém, não diminuiu o impacto simbólico do episódio. O fato de um animal receber mais votos do que candidatos registrados tornou evidente o tamanho da rejeição expressada por parte dos eleitores e fez com que o nome Cacareco ultrapassasse rapidamente os limites do zoológico.
Como Cacareco virou símbolo do voto de protesto?
Décadas depois, a história continua lembrada justamente porque condensou insatisfação política, humor e participação popular em um único gesto. Cacareco se tornou um dos exemplos mais famosos de voto de protesto no Brasil e passou a ser citada sempre que eleitores demonstram rejeição às alternativas apresentadas.
A eleição de 1959 mostra que o protesto nas urnas pode assumir formas inesperadas. Quando cerca de 100 mil pessoas escolhem escrever o nome de uma rinoceronte, a piada deixa de ser apenas engraçada e vira documento de uma época. Vale lembrar Cacareco porque, por trás do episódio absurdo, havia uma mensagem política bastante clara.