União Soviética construiu o maior submarino da história que mais parece uma cidade submersa equipada com mísseis nucleares

Imagine um submarino tão largo que sua estrutura abriga mais de um casco interno e tão pesado que, submerso, desloca cerca de 48 mil toneladas de água.

Imagine um submarino tão largo que sua estrutura abriga mais de um casco interno e tão pesado que, submerso, desloca cerca de 48 mil toneladas de água. Criada pela União Soviética durante a Guerra Fria, a classe Typhoon continua sendo a maior já construída, mesmo depois de seu último exemplar deixar o serviço militar.

O título pertence aos submarinos soviéticos do Projeto 941 Akula, conhecidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte como classe Typhoon.
O título pertence aos submarinos soviéticos do Projeto 941 Akula, conhecidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte como classe Typhoon. - Imagem gerada por IA

Qual foi o maior submarino da história?

O título pertence aos submarinos soviéticos do Projeto 941 Akula, conhecidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte como classe Typhoon. Cada unidade media aproximadamente 175 metros de comprimento e 23 metros de largura, dimensões comparáveis às de um grande edifício colocado horizontalmente sobre o mar.

O dado mais impressionante era o deslocamento submerso, estimado em 48 mil toneladas. Esse número não representa apenas o peso da embarcação, mas a quantidade de água deslocada pelo casco. Para comparação, um submarino norte-americano da classe Ohio desloca aproximadamente 18.750 toneladas quando está sob a água.

Dimensões e deslocamento marcando recordes absolutos na história da navegação militar.
Dimensões e deslocamento marcando recordes absolutos na história da navegação militar. - Imagem gerada por IA.

Por que a União Soviética construiu uma máquina tão grande?

Os Typhoon foram projetados para transportar mísseis balísticos com ogivas nucleares e permanecer escondidos durante longas missões. O primeiro exemplar foi lançado em 1980, enquanto a tensão entre Estados Unidos e União Soviética ainda orientava investimentos gigantescos em armas capazes de garantir uma resposta devastadora a qualquer ataque.

O tamanho também estava relacionado aos enormes mísseis R 39 transportados pela classe. Cada submarino possuía 20 silos instalados à frente da torre de comando. A embarcação deveria operar inclusive sob o gelo do Ártico, região onde poderia se proteger da vigilância inimiga e romper camadas congeladas para realizar um eventual lançamento.

O que existia dentro desse gigante nuclear?

Ao contrário da imagem de um único tubo metálico, a estrutura reunia vários cascos de pressão dentro de uma cobertura externa. Dois cascos principais ficavam lado a lado, uma solução que aumentava a largura e oferecia maior resistência. O espaço interno também proporcionava condições menos apertadas para uma tripulação de aproximadamente 160 pessoas.

Os números ajudam a revelar a escala extraordinária da classe Typhoon:

  • Comprimento aproximado de 175 metros
  • Largura próxima de 23 metros
  • Deslocamento submerso de cerca de 48 mil toneladas
  • Velocidade submersa máxima de 27 nós
  • Profundidade operacional estimada em 400 metros
  • Propulsão fornecida por dois reatores nucleares

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Hoje no Mundo Militar mostrando mais sobre o maior submarino do mundo.

Como um submarino tão pesado conseguia navegar?

Dois reatores nucleares alimentavam turbinas ligadas a eixos de propulsão independentes. Mesmo com milhares de toneladas, o submarino podia alcançar cerca de 27 nós quando submerso, velocidade próxima de 50 quilômetros por hora. A energia nuclear ainda permitia permanecer no mar por meses, com a autonomia limitada principalmente pelos mantimentos.

A engenharia foi preparada para as condições severas do norte da Rússia. Os cascos múltiplos aumentavam a capacidade de sobrevivência em caso de danos, enquanto superfícies de controle ajudavam a conduzir a embarcação sob o gelo. Seu tamanho, porém, também elevava os custos de manutenção, modernização e operação após o fim da União Soviética.

O que aconteceu com os submarinos da classe Typhoon?

Seis unidades foram concluídas no estaleiro de Severodvinsk. Com o fim da Guerra Fria, a Rússia herdou embarcações caras e mísseis próximos da obsolescência. Algumas foram desmontadas, enquanto o Dmitry Donskoy permaneceu por mais tempo, sendo adaptado para testes do míssil Bulava e usado em atividades de apoio e cerimônias.

O Dmitry Donskoy foi oficialmente retirado de serviço em fevereiro de 2023, encerrando a carreira operacional da classe. Ainda assim, nenhum submarino posterior superou seu deslocamento. Conhecer essa máquina é observar até onde a rivalidade nuclear levou a engenharia e refletir sobre o enorme preço tecnológico, financeiro e humano da Guerra Fria.