3 vitaminas do complexo B essenciais para a saúde cerebral
A alimentação é uma das principais aliadas da saúde cerebral e do bem-estar mental. Alguns nutrientes presentes nos alimentos contribuem para o funcionamento adequado do organismo e podem influenciar diferentes aspectos do cérebro. Entre eles, destacam-se as vitaminas do complexo B, especialmente B6, B9 e B12.
De acordo com o Dr. Fabrício Hampshire, neurologista da Casa de Saúde São José, essas vitaminas atuam conjuntamente em diversas funções no cérebro. Desde a produção de neurotransmissores, a formação e manutenção da mielina, capa que protege os neurônios, até o controle dos níveis de homocisteína, substância que, quando elevada, pode se tornar tóxica para o sistema nervoso.
Sinais de alerta para a deficiência de cada vitamina
A deficiência de vitaminas B6, B9 e B12 pode colaborar para o agravamento neurológico, causando dificuldade de concentração, raciocínio lento, falhas de memória, cansaço mental, irritabilidade, sintomas depressivos e maior risco de comprometimento cognitivo para idosos. Segundo o Dr. Fabrício Hampshire, os principais sinais de alerta para a deficiência de cada tipo de vitamina são:
- B12: formigamento nas mãos e nos pés, dormência, falhas na memória, desequilíbrio ao caminhar, fadiga, confusão mental, língua dolorida ou avermelhada;
- B9: cansaço, palidez, irritabilidade e dificuldade de concentração;
- B6: irritabilidade, alterações de humor, sonolência, neuropatia periférica e até convulsões.
Em um nível mais grave, a deficiência de vitamina B12, por exemplo, favorece a ocorrência de convulsões — por deixar a atividade elétrica cerebral menos controlada e os neurônios mais sensíveis a estímulos, reduzindo a tolerância do cérebro a crises convulsivas — assim como alterações cognitivas, como esquecimento.
Alimentos ricos em vitaminas do complexo B
Uma alimentação variada e equilibrada pode ajudar a garantir boas fontes dessas vitaminas. No geral, os alimentos ricos em cada tipo de vitamina B são:
- B6: carnes, frango, peixe, banana, batata e grão de bico;
- B9: vegetais verde-escuros, como espinafre, couve e brócolis, feijões, lentilhas e abacate. É recomendado o consumo de vegetais crus ou levemente cozidos no vapor para ajudar a preservar os nutrientes;
- B12: alimentos de origem animal, como carnes, leite, ovos e derivados.
Quando é indicada a suplementação de vitaminas?
A suplementação de vitaminas do complexo B só gera benefícios para o paciente quando realmente há deficiência e deve ser realizada por meio do atendimento médico e nutricional. De acordo com Ana Paula Pereira, coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética (SND) da Casa de Saúde São José, a indicação acontece em situações específicas com deficiência comprovada em exames, como dietas restritivas, gestação, doenças que afetam a absorção intestinal e uso de determinados medicamentos.
Se a pessoa já apresenta níveis adequados de vitaminas, a suplementação não vai trazer os benefícios esperados, como o aumento significativo de energia. Além disso, o uso indiscriminado pode trazer riscos à saúde.
“Altas doses de vitamina B6, por exemplo, causam alterações neurológicas, como formigamentos e perda de sensibilidade em alguns casos. Já o excesso de ácido fólico pode mascarar sintomas de deficiência de B12, atrasando o diagnóstico. Embora a vitamina B12 tenha baixa toxicidade, seu uso sem necessidade não é recomendado. Por isso, é fundamental ter consciência antes de iniciar qualquer suplementação e buscar orientação de um profissional de saúde, como médico ou nutricionista, para uma avaliação individualizada”, finaliza Ana Paula Pereira.
Por Bernardo Bruno
