5 cuidados para evitar a contaminação cruzada dos alimentos na cozinha
Manter a cozinha segura vai além de retirar a sujeira aparente. Durante o preparo das refeições, mãos, utensílios, bancadas, panos, esponjas e recipientes podem transportar microrganismos de um alimento para outro, aumentando o risco de contaminação cruzada. Pequenas mudanças na rotina ajudam a reduzir esse problema e tornam o ambiente mais seguro para toda a família.
Ricardo Oliveira, CEO e diretor comercial da VEM, empresa brasileira especializada em utensílios gastronômicos profissionais, explica que a contaminação cruzada pode ocorrer mesmo quando não há nenhum sinal visível de sujeira. “É a transferência de microrganismos, como bactérias, vírus e fungos, de uma superfície ou utensílio contaminado para outro que estava seguro. O problema é que esse processo costuma ser invisível: não necessariamente há alteração de cheiro, cor ou aparência”, explica.
Abaixo, veja como evitar a contaminação cruzada dos alimentos na cozinha:
1. Separe utensílios para alimentos crus e prontos
Utilizar a mesma faca, tábua ou colher para manipular carnes cruas e, na sequência, alimentos que não passarão por cozimento pode levar microrganismos para uma preparação pronta para consumo. O ideal é utilizar tábuas diferentes para carnes, vegetais e outros alimentos. Quando isso não for possível, o utensílio deve ser lavado cuidadosamente com água e detergente antes de ser utilizado novamente. Tábuas muito riscadas também merecem atenção, pois as ranhuras podem acumular resíduos.
“Uma tábua usada para cortar frango cru pode parecer perfeitamente limpa, mas ainda carregar bactérias como a Salmonella. Se ela for utilizada em seguida para cortar uma salada, por exemplo, esses microrganismos podem chegar diretamente a um alimento que não será submetido ao calor”, alerta Ricardo Oliveira.
2. Armazene corretamente os alimentos na geladeira
A organização dos alimentos dentro da geladeira também ajuda a evitar a contaminação. Carnes, aves e peixes crus devem ficar nas prateleiras inferiores, sempre acondicionados em recipientes fechados ou tampados. Já os alimentos prontos para consumo devem ocupar posições superiores. Esse cuidado reduz a possibilidade de que líquidos provenientes de produtos crus escorram sobre preparações que não passarão novamente pelo cozimento.
Para quem armazena alimentos em recipientes, também existem opções com vedação hermética por meio de anel de silicone, que ajudam a reduzir o contato do conteúdo com o ar e a protegê-lo de agentes externos. Modelos reutilizáveis também podem substituir o uso frequente de materiais descartáveis no armazenamento doméstico.
“O recipiente adequado faz parte da organização da geladeira. Uma boa vedação ajuda a manter o alimento protegido e também evita vazamentos que poderiam atingir outros produtos. O importante é que cada preparação esteja devidamente acondicionada e que os alimentos crus permaneçam separados dos que já estão prontos”, orienta Ricardo Oliveira.
3. Lave as mãos nos momentos certos
A higienização das mãos é fundamental antes e durante o preparo. Depois de manipular carnes cruas, ovos, embalagens, lixo ou outros materiais potencialmente contaminados, é necessário lavar as mãos antes de tocar em alimentos prontos. A recomendação é utilizar água e sabão por pelo menos 20 segundos, esfregando também entre os dedos, as unhas e as costas das mãos.
“Não adianta ter utensílios limpos se as mãos fazem a ponte entre um alimento cru e outro que já está pronto. A lavagem precisa acontecer sempre que houver mudança de etapa na preparação”, afirma Ricardo Oliveira.
4. Dê atenção a panos, esponjas e bancadas
Panos de prato, esponjas e superfícies de trabalho podem acumular microrganismos, principalmente quando permanecem úmidos por períodos prolongados. Uma alternativa é utilizar panos diferentes para secar as mãos, limpar a bancada e secar a louça. Eles também devem ser lavados com frequência. As esponjas precisam ser substituídas regularmente e higienizadas de acordo com as orientações adequadas para cada material.
Bancadas, pias e outras superfícies devem ser limpas após o contato com alimentos crus e, quando necessário, higienizadas com produto apropriado. “Esponjas e panos são itens tão presentes na rotina que muitas vezes deixam de ser percebidos como possíveis fontes de contaminação. O problema está justamente no uso contínuo, associado à umidade e ao contato com diferentes superfícies”, destaca o executivo.
5. Não reutilize utensílios que tiveram contato com alimentos crus
Colheres, espátulas, pincéis e outros utensílios utilizados em alimentos crus não devem voltar a tocar preparações prontas sem a devida higienização. Um exemplo comum é provar uma preparação com a mesma colher utilizada para mexer a panela e colocá-la novamente no alimento. O mais seguro é utilizar um utensílio limpo para provar a comida.
Também é importante evitar usar o mesmo pincel ou espátula que entrou em contato com carne crua para manipular posteriormente um alimento que não será cozido. “Uma regra simples ajuda a organizar essa rotina: tudo o que teve contato com alimento cru deve ser considerado potencialmente contaminado até passar pela higienização adequada. Ter um utensílio limpo para cada etapa reduz bastante a possibilidade de transferência de microrganismos”, explica Ricardo Oliveira.
Limpar não é o mesmo que higienizar
Outro ponto importante é diferenciar limpeza de higienização. A primeira remove resíduos visíveis, como restos de comida, gordura e sujeira. Já a segunda envolve uma etapa adicional destinada à redução ou eliminação de microrganismos, utilizando produtos apropriados e seguindo as orientações de uso.
Por isso, uma superfície pode apresentar aparência impecável e ainda exigir cuidados antes de receber um alimento pronto para consumo. “A aparência não é suficiente para determinar se uma superfície está segura. Uma bancada pode estar sem nenhuma sujeira visível e ainda apresentar microrganismos. Por isso, a rotina precisa contemplar limpeza e, quando indicada, a posterior higienização”, ressalta Ricardo Oliveira.
Esponja e pano de prato estão entre os itens mais esquecidos
Na rotina doméstica, alguns cuidados acabam sendo negligenciados justamente por fazerem parte do cotidiano. A troca da esponja e a lavagem frequente dos panos estão entre eles. Cheiro forte, sinais de mofo, tábuas excessivamente riscadas e o uso de um mesmo utensílio para diferentes alimentos sem lavagem intermediária são sinais de que os hábitos da cozinha precisam ser revistos.
Para Ricardo Oliveira, a segurança alimentar deve fazer parte da organização diária. “A cozinha precisa ser pensada também como um ambiente de segurança alimentar. Separar o que é cru do que está pronto, cuidar das mãos, dos utensílios, das superfícies e do armazenamento são atitudes simples que não dependem de grandes investimentos. O mais importante é transformar esses procedimentos em rotina”, conclui.
Por Gabriela Andrade
