A causa do autismo pode ter relação direta com o cordão umbilical do bebê, aponta pesquisa

Pesquisa identifica ácido graxo no sangue do cordão umbilical ligado ao autismo. Entenda os achados

Thatyana Costa em parceria com João Gabriel Braga (Médico - CRMGO 28223)
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O estudo sugere que os níveis de diHETrE no sangue do cordão umbilical podem prever o risco de autismo, com implicações para intervenções futuras.
O estudo sugere que os níveis de diHETrE no sangue do cordão umbilical podem prever o risco de autismo, com implicações para intervenções futuras. - iStock/ruizluquepaz

Um estudo recente realizado pela Universidade de Fukui, no Japão, revelou uma nova possível causa para o desenvolvimento do transtorno do espectro autista (TEA).

A pesquisa, que analisou amostras de sangue do cordão umbilical de 200 crianças, identificou um ácido graxo chamado diHETrE como um fator potencialmente relacionado à gravidade dos sintomas do autismo.

A relação entre dihetre e os sintomas do autismo

Os pesquisadores observaram que o diHETrE, um ácido graxo poli-insaturado, tem uma correlação interessante com o comportamento das crianças. Níveis elevados dessa substância no sangue do cordão umbilical estavam associados a dificuldades sociais, um dos principais sinais do autismo.

Por outro lado, crianças com níveis mais baixos de diHETrE apresentaram comportamentos repetitivos e restritivos, outro sintoma característico do transtorno. As análises indicaram que as meninas, em particular, foram mais afetadas por essas variações, sugerindo que o TEA pode se manifestar de maneira diferente entre os gêneros.

Possíveis implicações para a prevenção e diagnóstico do autismo

De acordo com os cientistas responsáveis pelo estudo, medir os níveis de diHETrE no momento do nascimento poderia ser uma forma eficaz de prever o risco de autismo.

Além disso, intervenções direcionadas ao metabolismo desse composto durante a gravidez poderiam, teoricamente, reduzir as chances de desenvolvimento do transtorno. No entanto, os pesquisadores ressaltam que são necessários mais estudos para confirmar essas hipóteses e estabelecer intervenções concretas.

O estudo foi publicado na revista Psychiatry and Clinical Neurosciences e abre novas perspectivas para a compreensão do autismo, além de sugerir que fatores biológicos específicos, como os níveis de ácidos graxos no sangue do cordão umbilical, podem desempenhar um papel fundamental na manifestação do TEA.

A pesquisa destaca a importância de diagnósticos precoces, pois o transtorno afeta habilidades sociais e comportamentais de forma variável, o que torna o monitoramento ainda mais crucial.

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