Calor na menopausa: por que o corpo parece “esquentar do nada”?
Sensação repentina de calor, suor, rosto avermelhado e até dificuldade para dormir. Os fogachos estão entre os sintomas mais conhecidos da menopausa. A explicação para o corpo “esquentar do nada” está nas mudanças hormonais que acontecem durante essa fase e interferem no sistema responsável pela regulação da temperatura corporal.
Com a queda do estrogênio, a chamada zona termoneutra do organismo fica mais estreita. Na prática, pequenas alterações na temperatura corporal podem ser interpretadas pelo cérebro como excesso de calor, levando à dilatação dos vasos sanguíneos e ao aumento da transpiração como uma tentativa de resfriar o corpo.
“Os fogachos são uma manifestação muito característica da transição menopausal e estão relacionados às alterações na regulação da temperatura corporal provocadas pela queda do estrogênio. Não é simplesmente uma sensação de calor. Existe uma resposta fisiológica do organismo”, explica Aparecida Monteiro, ginecologista e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica do Rio de Janeiro.
Fatores que intensificam os fogachos
O sintoma é frequente entre mulheres na pós-menopausa. Um estudo publicado na revista Maturitas, intitulado “Prevalence and impact of vasomotor symptoms associated with menopause among women in Brazil: Subgroup analysis from na international cross-sectional survey”, que avaliou 1.244 mulheres brasileiras, identificou sintomas vasomotores moderados a intensos em 36,2% das participantes. Entre as mulheres com esses sintomas, os episódios chegaram a provocar impacto de 60% nas atividades diárias e de 50,3% no trabalho.
Além da própria alteração hormonal, alguns fatores podem favorecer o surgimento ou intensificar o desconforto dos fogachos. Ambientes muito quentes, roupas pesadas, bebidas quentes, álcool, estresse e emoções intensas estão entre os possíveis gatilhos. Por isso, observar quando os episódios aparecem pode ajudar cada mulher a identificar situações que pioram os sintomas.
Medidas simples para lidar com o calor
Algumas medidas simples também podem ajudar a lidar com o calor. Manter os ambientes ventilados, optar por roupas leves e em camadas, beber água ao longo do dia e evitar bebidas muito quentes podem contribuir para o conforto. Durante a noite, roupas de cama mais leves e um ambiente fresco podem ajudar a reduzir o impacto dos suores noturnos no sono.
Há tratamentos para reduzir os sintomas da menopausa
Para os casos em que as manifestações são mais intensas, existem tratamentos que podem ser avaliados individualmente. A terapia hormonal é uma das opções para mulheres que apresentam indicação, e também existem alternativas não hormonais para o controle dos sintomas vasomotores.
“Quando os fogachos são frequentes ou intensos, interferem no sono, no trabalho ou nas atividades cotidianas, é importante procurar avaliação médica. A menopausa não deve ser encarada como uma fase em que a mulher simplesmente precisa suportar sintomas que comprometem sua qualidade de vida”, afirma a especialista.
A escolha do tratamento deve considerar o histórico clínico, a intensidade dos sintomas, a presença de fatores de risco e as características individuais de cada mulher. O acompanhamento médico permite avaliar a melhor estratégia para reduzir os fogachos e preservar a qualidade de vida durante a transição menopausa.
Por Maria Clara Montanha
