Câncer de próstata só afeta idosos? Confira mitos e verdades sobre a doença

Por EdiCase

Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número estimado de casos novos de câncer de próstata no Brasil é de 77.920 para cada ano do triênio de 2026-2028. A doença ocupa a segunda posição entre os tumores mais incidentes no país, desconsiderando os de pele não melanoma.

O mês de novembro é marcado pela campanha Novembro Azul, uma iniciativa dedicada à conscientização sobre a saúde masculina, especialmente a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. A informação e o acesso aos serviços de saúde são fundamentais para identificar a doença precocemente e aumentar as chances de sucesso do tratamento.

“O Novembro Azul é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre a saúde masculina, combater preconceitos e incentivar esse público a participar ativamente das decisões sobre sua saúde”, explica Karine Martins da Trindade, oncologista clínica da Oncologia D’Or – CE e gerente médica do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (IDOR) – CE.

Abaixo, a especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre o câncer de próstata, reforçando a importância da informação, do cuidado individualizado e da atenção à saúde do homem. Confira!

1. Câncer de próstata é uma doença exclusiva de idosos

Mito. Embora o risco aumente significativamente com a idade, especialmente após os 50 anos, o câncer de próstata também pode acometer homens mais jovens. O histórico familiar e determinadas alterações genéticas hereditárias podem aumentar o risco de desenvolver a doença.

2. Quem não apresenta sintomas não precisa se preocupar com o câncer de próstata 

Mito. Nas fases iniciais, o câncer de próstata geralmente não provoca sintomas. Por isso, é importante conhecer os fatores de risco e conversar com o médico sobre os benefícios e as possíveis limitações dos exames de detecção precoce. Essa avaliação deve ser individualizada.

3. Dificuldade para urinar é sinal precoce de câncer de próstata

Mito. Sintomas como dificuldade para urinar, diminuição da força do jato urinário e aumento da frequência urinária podem estar relacionados a diversas condições, especialmente ao crescimento benigno da próstata.

Quando associadas ao câncer de próstata, essas alterações podem aparecer em fases avançadas da doença. Embora não indiquem necessariamente câncer, essas mudanças merecem avaliação médica.

4. Todo homem terá câncer de próstata, conforme o envelhecimento

Mito. O envelhecimento aumenta o risco de desenvolver câncer de próstata, mas isso não significa que todos os homens terão a doença. Além disso, alguns tumores apresentam crescimento muito lento e podem nunca provocar sintomas ou comprometer a saúde do paciente.

A avaliação contínua permite acompanhar a evolução da doença e orientar as decisões terapêuticas (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
A avaliação contínua permite acompanhar a evolução da doença e orientar as decisões terapêuticas (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)

5. O câncer de próstata pode evoluir de diferentes formas

Verdade. O câncer de próstata apresenta diferentes graus de agressividade. Alguns tumores crescem lentamente e têm baixo risco de progressão, enquanto outros exigem tratamento mais precoce. Em casos selecionados, a vigilância ativa, com acompanhamento médico rigoroso, pode ser uma alternativa segura, evitando tratamentos desnecessários e seus possíveis efeitos adversos.

6. A vasectomia aumenta o risco de câncer de próstata

Mito. As evidências científicas atuais não demonstram uma relação causal entre a vasectomia e o desenvolvimento do câncer de próstata. Portanto, o procedimento não é considerado um fator de risco estabelecido para a doença.

7. A atividade sexual frequente protege contra o câncer de próstata

Mito. Alguns estudos observacionais identificaram uma associação entre maior frequência de ejaculação e menor risco de câncer de próstata. Entretanto, isso não comprova uma relação de causa e efeito. Até o momento, não existem evidências suficientes para recomendar uma determinada frequência de atividade sexual como estratégia de prevenção da doença.

8. Um exame de PSA alterado significa que o homem tem câncer de próstata

Mito. O PSA é uma proteína produzida pela próstata, cuja concentração no sangue pode aumentar por diferentes motivos, incluindo o crescimento benigno da próstata, inflamações e câncer. Um resultado alterado não confirma o diagnóstico e deve ser interpretado pelo médico considerando a idade, o histórico clínico e outros achados. Quando necessário, exames complementares podem ser indicados.

9. O toque retal não é obrigatório para todos os homens

Verdade. O toque retal é uma ferramenta clínica que pode contribuir para a avaliação da próstata, mas não é obrigatório para todos os homens. Sua indicação depende do contexto clínico e deve ser avaliada individualmente. A decisão sobre a investigação e os exames de detecção precoce deve considerar os fatores de risco, as recomendações médicas e as preferências do paciente.

10. Receber o diagnóstico de câncer de próstata significa perder a potência sexual ou o controle urinário

Mito. O diagnóstico de câncer de próstata não implica necessariamente a ocorrência de disfunção erétil ou incontinência urinária. Alguns tratamentos, especialmente a cirurgia e a radioterapia, podem provocar alterações urinárias e sexuais, com riscos que variam conforme o tratamento, as características do tumor e as condições de cada paciente. Os avanços nas técnicas terapêuticas e nas estratégias de reabilitação permitem reduzir ou tratar parte dessas complicações.

Atenção à saúde masculina deve fazer parte da rotina 

Karine Martins da Trindade destaca ainda a importância de os homens procurarem ajuda médica e fazerem o acompanhamento da saúde, mesmo sem sintomas. “Conhecer os fatores de risco, valorizar os sinais do organismo e buscar orientação médica são atitudes fundamentais. Mais do que falar sobre exames, o Novembro Azul é um convite para que os homens cuidem da saúde durante todo o ano”, finaliza.