Câncer de pulmão: diagnóstico tardio ainda é um dos principais obstáculos no tratamento

Por EdiCase

O câncer de pulmão é responsável pelo maior número de mortes por tumores malignos no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 35 mil novos casos por ano da doença entre 2026 e 2028. Durante o Agosto Branco, mês dedicado à conscientização sobre a condição, especialistas reforçam que ampliar a prevenção e a identificação precoce é fundamental para reduzir a mortalidade.

Grande parte do impacto do câncer de pulmão está relacionada a fatores que podem ser evitados ou modificados ao longo da vida e à dificuldade de reconhecer a doença em suas fases iniciais. Segundo o INCA, apenas 16% dos casos no Brasil são descobertos em estágios precoces.

Para o Dr. Álvaro Guimarães Paula, oncologista especialista em tumores de tórax, da Croma Oncologia, a combinação entre a exposição ao cigarro — principal fator associado ao desenvolvimento da doença — e a ausência de sinais claros no começo, contribui para que muitos pacientes recebam o diagnóstico quando o tumor já está mais avançado.

“O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão, relacionado a aproximadamente 85% dos casos. Como a doença frequentemente não apresenta sintomas ou provoca sinais pouco específicos no início, cerca de 75-80% dos pacientes são diagnosticados quando o tumor já está mais avançado, reduzindo as possibilidades de tratamento com intenção de cura”, explica.

Tipos de câncer de pulmão e principais sintomas

Embora seja tratada como uma única condição, a doença reúne diferentes tipos de tumores, com características próprias. De forma geral, é dividida em dois grandes grupos: o câncer de pulmão de células não pequenas e o de pequenas células. Essa classificação ajuda os médicos a compreenderem o comportamento do tumor e a definir a abordagem terapêutica mais adequada para cada paciente.

Quando presentes, sintomas como tosse persistente, dor no peito, falta de ar, tosse com sangue e perda de peso sem explicação devem ser investigados. Como os sinais podem ser discretos no início, muitos casos acabam sendo identificados durante exames de imagem realizados por outros motivos.

A tomografia computadorizada de baixa dose ajuda a ampliar a identificação precoce de câncer de pulmão (Imagem: gentlelight | Shutterstock)
A tomografia computadorizada de baixa dose ajuda a ampliar a identificação precoce de câncer de pulmão (Imagem: gentlelight | Shutterstock)

Tomografia de baixa intensidade ajuda na detecção precoce

Uma das estratégias para ampliar a identificação precoce do câncer de pulmão é o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose em pessoas consideradas de alto risco. No Brasil, a recomendação contempla fumantes ou ex-fumantes que interromperam o hábito há até 15 anos, têm entre 50 e 80 anos e histórico de consumo igual ou superior a 20 maços-ano.

Apesar dos benefícios, o acesso ainda é limitado: o exame possui cobertura na saúde suplementar para pessoas elegíveis, mas não integra a rotina do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, um estudo conduzido pelo INCA avalia a viabilidade de incorporar essa estratégia à rede pública.

Avanços no tratamento tornaram a abordagem mais personalizada

A medicina passou a contar com ferramentas capazes de revelar características específicas de cada tumor e orientar escolhas mais individualizadas. Além da biópsia, exames que analisam alterações genéticas ajudam os médicos a identificar quais pacientes podem se beneficiar de terapias direcionadas. Um exemplo é uma alteração no gene ALK, encontrada em cerca de 5% a 7% dos casos de câncer de pulmão de células não pequenas.

O ALK participa do funcionamento das células e, quando sofre uma alteração específica, pode estimular o crescimento do tumor. Nesses casos, terapias desenvolvidas para bloquear esse mecanismo podem atuar de forma mais precisa. Essa alteração é mais frequente em pacientes jovens, que nunca fumaram ou tiveram pouca exposição ao tabaco, especialmente mulheres.

Nos últimos anos, a imunoterapia e as terapias direcionadas transformaram a forma de tratar o câncer de pulmão. Embora a quimioterapia ainda tenha papel importante, essas estratégias ampliaram o controle da doença e contribuíram para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Muitos desses tratamentos podem ser administrados por via oral, reduzindo a necessidade de aplicações intravenosas frequentes. “Quanto mais cedo a doença é identificada e quanto mais individualizada é a abordagem, maiores são as chances de controle e de preservação da qualidade de vida dos pacientes”, conclui o Dr. Álvaro Guimarães Paula.

Por Pamela Moraes