Efeito platô no emagrecimento: 5 cuidados durante o tratamento com as canetas
A perda de peso associada ao uso das chamadas “canetas emagrecedoras” pode ser expressiva, mas isso não significa que o organismo deixe de responder aos mecanismos biológicos relacionados à obesidade. À medida que o peso diminui, o corpo pode ativar mecanismos compensatórios que aumentam a fome, reduzem a saciedade e diminuem o gasto energético, o que pode contribuir para o chamado efeito platô.
De acordo com a endocrinologista Marcela Chambarelli, do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, no Rio de Janeiro, a obesidade é uma doença crônica influenciada por fatores genéticos, biológicos, hormonais, comportamentais e sociais. Por isso, a estratégia terapêutica exige acompanhamento de longo prazo e estratégias para a manutenção dos resultados.
Quando a perda de peso desacelera ou deixa de ocorrer, o momento exige uma avaliação individualizada. Alimentação, atividade física, composição corporal e resposta ao medicamento devem ser considerados antes de qualquer alteração no tratamento.
“A caneta precisa estar inserida em um plano terapêutico, com acompanhamento médico e uma estratégia definida para cada caso”, explica o especialista em cirurgia bariátrica e metabólica Fernando de Barros, do Hospital São Lucas Copacabana.
A seguir, especialistas trazem 5 cuidados para potencializar os resultados das canetas para emagrecimento. Confira!
1. Preserve a massa muscular
A prática regular de atividade física, especialmente a combinação de musculação e exercícios aeróbicos, contribui para a preservação da massa muscular e para a manutenção do peso perdido.
2. Estruture a alimentação
Mesmo com o controle da fome proporcionado pelos medicamentos, a alimentação continua sendo parte essencial do tratamento. O acompanhamento nutricional ajuda a estabelecer uma rotina sustentável, com consumo adequado de proteínas e fibras e menor exposição a alimentos que possam funcionar como gatilhos para a compulsividade.
3. Cuide do sono e do estresse
Privação de sono e estresse crônico estão entre os fatores que podem dificultar a manutenção do peso. Por isso, estabelecer uma rotina de sono adequada e estratégias para controlar o estresse também faz parte do cuidado.
Recomenda-se, sempre que possível, manter horários regulares para dormir e acordar, priorizar um ambiente tranquilo e confortável para o sono e reduzir o uso de telas e outros estímulos próximo ao horário de dormir. Uma rotina de sono adequada pode contribuir para a regulação do apetite, a disposição e a capacidade de manter hábitos alimentares e de atividade física.
4. Monitore o peso corporal
Acompanhar o peso regularmente pode ajudar a identificar precocemente uma tendência de recuperação e permitir ajustes no tratamento. Seu controle pode ser feito em intervalos regulares, conforme orientação do profissional de saúde.
Um aumento progressivo do peso ao longo de algumas semanas – especialmente quando acompanhado de fome persistente, episódios de compulsão alimentar ou dificuldade para manter a rotina – deve ser discutido com o médico ou o nutricionista.
Nessa avaliação, podem ser investigados fatores como alimentação, sono, estresse, atividade física, medicamentos e outras condições de saúde, permitindo ajustar o tratamento quando necessário.
5. Não interrompa a medicação sem planejamento
A suspensão do tratamento deve ser discutida com o médico. Segundo o endocrinologista do Hospital Samaritano Higienópolis, Danilo Romano, o termo “efeito rebote” pode transmitir a ideia equivocada de que a medicação provocou uma piora. O mais adequado é falar em recorrência da obesidade após a interrupção do tratamento, já que os mecanismos biológicos da doença voltam a se manifestar quando a terapia é retirada.
Para o especialista, o principal objetivo não deve ser apenas atingir determinado número na balança, mas construir uma estratégia de cuidado que permita acompanhar o paciente ao longo do tempo.
A facilidade de aplicação das canetas pode criar a falsa impressão de que a terapêutica pode ser conduzida sem acompanhamento profissional. Para Fernando de Barros, esse é um dos principais pontos de atenção.
“Os erros mais comuns são a automedicação e o uso recreativo das canetas. Não é uma medicação simples, que basta comprar e aplicar. O paciente precisa estar envolvido em um acompanhamento médico próximo, com um profissional que tenha experiência no tratamento da obesidade”, finaliza o especialista.
Por Monique Dutra
