Excesso de calor e pentear com força: veja hábitos comuns que podem quebrar o cabelo
Durante a rotina de cuidados, alguns hábitos podem parecer inofensivos, mas acabam afetando a saúde dos cabelos ao longo do tempo. Quando repetidos com frequência, determinados comportamentos podem deixar os fios mais ressecados, frágeis e suscetíveis à quebra.
Além da aparência, também é importante observar mudanças no couro cabeludo, na quantidade de queda e na espessura do cabelo. Para a dermatologista e tricologista Dra. Bianca Almeida, identificar alterações persistentes é fundamental para entender quando existe apenas um dano ao fio e quando pode haver uma condição que precisa de investigação.
Abaixo, veja hábitos comuns que podem prejudicar a saúde capilar.
1. Usar secador, chapinha e modeladores em excesso
A exposição frequente a temperaturas elevadas pode comprometer a estrutura dos fios. “O uso frequente de fontes de calor, principalmente em temperaturas elevadas, pode favorecer o ressecamento e a quebra. Não é necessário deixar de utilizar secador ou chapinha, mas é importante evitar temperaturas muito altas e o contato prolongado do aparelho com o mesmo local. O uso de proteção térmica também pode ajudar a minimizar os danos”, explica a Dra. Bianca Almeida.
2. Desembaraçar os fios puxando ou fazendo muita força
Outro erro comum acontece na hora de pentear. “Quando o cabelo está sensibilizado, a tração excessiva pode aumentar a quebra. É importante desembaraçar os fios com cuidado, principalmente quando estão molhados ou passaram por algum procedimento químico. Pequenas mudanças na maneira de manipular o cabelo podem fazer diferença para preservar sua estrutura”, orienta a especialista. A recomendação é desembaraçar o cabelo com delicadeza, começando pelas pontas e avançando aos poucos em direção à raiz.
3. Fazer químicas em intervalos muito curtos
É importante ter cuidado com os procedimentos químicos, como colorações, descolorações e alisamentos. “A química pode alterar significativamente a estrutura do cabelo, principalmente quando envolve processos como descoloração. Quando o fio já está sensibilizado, a realização de novos procedimentos em períodos muito próximos aumenta o risco de danos e quebra. É importante respeitar intervalos e avaliar as condições do cabelo antes de realizar outra química”, destaca a Dra. Bianca Almeida.
Não ignore as mudanças no volume e na espessura
Nem sempre o principal problema está na quebra. O afinamento progressivo também merece atenção e pode estar relacionado a condições como a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície. Nas mulheres, essa alteração pode aparecer de maneira gradual, com a risca central ficando mais larga, o couro cabeludo mais aparente ou o rabo de cavalo perdendo volume.
“É comum que a mulher perceba que o cabelo está mais fino ou que perdeu volume sem necessariamente observar uma queda muito intensa. O afinamento progressivo pode ser um sinal de alopecia androgenética e precisa ser diferenciado da quebra. Quanto mais cedo identificamos a causa, maiores são as possibilidades de estabelecer uma estratégia adequada de acompanhamento e tratamento”, explica a dermatologista.
Não tente resolver a queda apenas com vitaminas e produtos
Quando os cabelos começam a cair mais, é comum buscar vitaminas, suplementos ou produtos específicos por conta própria. Porém, a queda pode ter diversas causas, e a suplementação sem indicação não necessariamente resolve o problema. Alterações hormonais, estresse, doenças, deficiências nutricionais e perda de peso significativa estão entre os fatores que podem estar associados às mudanças capilares.
“O uso indiscriminado de vitaminas e suplementos não é recomendado. Quando existe suspeita de deficiência nutricional, é necessário investigar individualmente para entender se realmente existe alguma carência. A queda de cabelo pode ter diferentes causas e o tratamento precisa ser direcionado ao problema que está provocando a alteração”, ressalta a Dra. Bianca Almeida.
Como o emagrecimento rápido pode afetar o cabelo
A perda de peso significativa também pode ser acompanhada por aumento temporário da queda dos fios. O quadro, conhecido como eflúvio telógeno, pode surgir alguns meses depois de um processo de emagrecimento importante. Além da própria perda de peso, dietas muito restritivas podem reduzir o consumo de proteínas e outros nutrientes necessários para o funcionamento adequado do organismo.
“É relativamente comum que pacientes percebam uma queda maior dos cabelos depois de uma perda de peso importante. Nesses casos, precisamos avaliar se estamos diante de um eflúvio telógeno relacionado ao emagrecimento ou se existe também outra condição, como a alopecia androgenética, que pode causar afinamento progressivo dos fios”, explica a especialista.
Quando procurar um dermatologista?
Queda intensa ou persistente, surgimento de falhas, redução progressiva do volume, afinamento dos fios, coceira, descamação ou outras alterações no couro cabeludo devem ser avaliados por um dermatologista. Além disso, é importante diferenciar queda desde a raiz e quebra do comprimento, já que os dois problemas podem ter causas e tratamentos diferentes.
“Não existe uma rotina universal para todos os tipos de cabelo. O cuidado precisa considerar as características dos fios, do couro cabeludo e também o momento de vida de cada pessoa. Quando existe uma mudança persistente, o ideal é investigar a causa em vez de tentar apenas mascarar o problema com produtos”, conclui a Dra. Bianca Almeida.
Por Sarah Carvalho
