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Fadiga do Zoom: por que ficamos mais cansados após reuniões virtuais?

O uso das videoconferências impactam negativamente na nossa vida e no autocontrole; entenda as razões

Por: Marcela Kotait
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Há um ano a rotina da maioria das pessoas transformou-se radicalmente; reuniões e happy hours presenciais foram substituídos por encontros remotos. O acesso por aplicativos como Google Meet, Zoom e Skype tornou-se regra. Vivemos como se estivéssemos em frente a um espelho durante o dia inteiro, com a diferença de que o espelho nesse caso é a própria tela do computador.

Junto a todas aquelas pequenas janelinhas com o chefe, o amigo ou a mãe, está também a nossa figura, projetada pela câmera para compor o grupo. Essa hiperexposição à própria imagem e a consequente exaustão causada por essa exposição tem nome. Chama-se “Fadiga do Zoom”. O termo foi cunhado pelo pesquisador Jeremy Bailenson da Universidade de Stanford, em recente estudo publicado na Revista Technology, Mind, and Behaviour.

reuniões virtuais
Crédito: Laurence Dutton/istockHiperexposição perante às câmeras leva à exaustão

A fadiga é o estresse emocional causado pelo aglomerado de rostos expostos enfileirados, estando tão longe e ao mesmo tempo tão perto uns dos outros. As situações virtuais intensificam a autoavaliação, escancarando emoções e sentimentos em relação à própria imagem e desempenho, podendo produzir grande ansiedade. Enquanto vivíamos essas interações sociais de forma presencial, usávamos outros meios de comunicação intuitivamente, como a comunicação não verbal, por exemplo. Em outras palavras: em um encontro físico, o corpo também conversa por meio de gestos. Insatisfação e consentimento podiam ser comunicados sem palavras. Isso é bem mais difícil de ser feito em encontros ou reuniões digitais.

A pesquisa da Universidade de Stanford também concluiu que falamos mais alto quando estamos em situações virtuais, em uma tentativa de nos aproximarmos e compensarmos a distância física. O uso de reforçadores como os movimentos com a cabeça também estão sendo mais usados. Tudo isso gera um esforço maior para os participantes das videoconferências. Não à toa, apesar de não entendermos o porquê, tendemos a ficar muito mais cansados após reuniões digitais do que em encontros presenciais.

Mulheres são vítimas mais usuais da autoavaliação exagerada e negativa em relação à sua imagem, e isso só piorou com a excessiva exposição de seus rostos pelo computador. Não por coincidência, devido a isso, o ano de 2020 assistiu a um aumento exponencial pela busca por procedimentos estéticos, cirúrgicos e harmonizações faciais.

No Brasil, o interesse por “rinoplastia”, segundo o Google Trends, em 2020, cresceu 233% após o início da pandemia; já para o termo “harmonização facial”, o aumento foi ainda mais significativo: 669%.

Existem possibilidades simples para diminuir o desconforto e tentar se adequar a uma experiência com menor autoexposição. É possível mudar as configurações das reuniões e encontros virtuais, por exemplo, impedindo que sua câmera seja vista por você mesma/o durante os encontros. Isso não vai impedir que os outros te vejam, mas diminuirá a sensação de estar com aquele espelho em riste, mirando obsessivamente para você.

Com essa pequena mudança, será mais fácil manter-se focado na conversa e no conteúdo do encontro, de maneira mais pragmática. Além disso, você conseguirá diminuir a preocupação se seu cabelo está no lugar, se a iluminação está perfeita, se a sua postura está ereta, ou se qualquer outra coisa precisar melhorar para que você possa controlar a sua própria imagem. Quebrar o espelho virtual pode ser uma boa forma de diminuir o stress que passamos ao realizar inúmeras reuniões e encontros virtuais todos os dias.

Texto escrito pela nutricionista Marcela Kotait. 

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