Garganta irritada sem motivo aparente? Refluxo pode estar por trás do problema

Por EdiCase

Nem todo refluxo provoca aquela sensação conhecida de queimação no peito. Em alguns casos, o conteúdo que retorna do estômago pode alcançar regiões mais altas e provocar sintomas principalmente na garganta, fazendo com que o paciente procure inicialmente um otorrinolaringologista ou tente tratar o desconforto por conta própria.

No entanto, a ausência da tradicional sensação de queimação não significa necessariamente que o refluxo esteja descartado. Algumas manifestações podem aparecer predominantemente na região da garganta e não serem acompanhadas pelos sintomas digestivos mais conhecidos.

“O refluxo pode se manifestar de maneiras diferentes. Algumas pessoas não apresentam a azia típica e percebem apenas sintomas na garganta, como tosse, pigarro ou rouquidão. Isso não significa que esses sintomas sejam necessariamente causados pelo refluxo, mas, quando persistem, é importante considerar essa possibilidade durante a investigação”, explica o gastroenterologista Dr. Michel Fernandes.

Observe sintomas persistentes na garganta

A tosse que não passa, o pigarro recorrente, a rouquidão e a sensação de ter algo parado na garganta podem ter diversas origens. Por isso, quando esses sintomas permanecem por semanas ou voltam com frequência, é importante não simplesmente conviver com o desconforto.

O refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago e, em determinadas situações, pode estar relacionado a manifestações que ultrapassam os sintomas digestivos mais conhecidos.

Antes de associar automaticamente o quadro ao refluxo, entretanto, é necessário considerar outras possíveis causas. “Precisamos avaliar o conjunto de sintomas e o histórico do paciente. O refluxo é apenas uma das possíveis causas de tosse, rouquidão ou sensação de algo parado na garganta. Por isso, não é adequado assumir que todo desconforto nessa região seja refluxo sem uma avaliação médica”, orienta o Dr. Michel Fernandes.

A automedicação pode alterar a manifestação dos sintomas, atrasando a investigação do problema (Imagem: Daniel Hoz | Shutterstock)
A automedicação pode alterar a manifestação dos sintomas, atrasando a investigação do problema (Imagem: Daniel Hoz | Shutterstock)

Evite tratar os sintomas por conta própria

Quando a azia ou outros desconfortos aparecem, é comum que algumas pessoas recorram a medicamentos para reduzir a acidez do estômago. O problema está em utilizar esses medicamentos durante períodos prolongados sem entender a origem dos sintomas.

Além de não necessariamente resolver a causa do problema, a automedicação pode mascarar manifestações e atrasar a investigação de outras condições que também podem provocar sintomas semelhantes.

O gastroenterologista destaca que a escolha do tratamento deve acontecer depois de uma avaliação individualizada, considerando o quadro apresentado pelo paciente. “A utilização prolongada de medicamentos por conta própria não é recomendada. O tratamento precisa ser individualizado e, antes disso, precisamos entender o que está provocando os sintomas. Em alguns casos, a investigação pode envolver avaliação clínica e exames específicos, de acordo com a necessidade de cada paciente”, ressalta.

Procure avaliação quando o desconforto não desaparece

Manifestações ocasionais podem acontecer, mas sintomas recorrentes merecem atenção, principalmente quando começam a afetar o sono, a alimentação, a fala ou a qualidade de vida. Tosse noturna, necessidade constante de limpar a garganta ou rouquidão que permanece por muito tempo são exemplos de situações que justificam uma avaliação médica para identificar a origem do problema.

Em vez de simplesmente tentar controlar os sintomas, é importante investigar o que está causando o quadro, já que refluxo não é a única possibilidade. A avaliação médica permite analisar o histórico, os sintomas e, quando necessário, indicar exames para chegar a um diagnóstico mais preciso.

“O principal alerta é a persistência. Se a pessoa passa semanas ou meses convivendo com tosse, pigarro, rouquidão ou sensação de bolo na garganta sem entender a origem, vale procurar avaliação. Identificar corretamente a causa é o primeiro passo para escolher o tratamento adequado”, conclui o Dr. Michel Fernandes.

Por Sarah Carvalho