Ginecologista esclarece 9 dúvidas comuns sobre fertilidade

Desvendamos o que ajuda e atrapalha a gravidez

Por: Redação

Os tratamentos de fertilidade ainda carregam muitas lendas e dúvidas, algumas totalmente sem fundamento científico. Selecionamos as mais comuns e pedimos para o ginecologista Pedro Monteleone, especialista em fertilidade, esclarecê-las. Confira abaixo:

1 – Quem faz fertilização in vitro terá gêmeos ou múltiplos

Nem sempre

A alta incidência de gravidezes múltiplas acontece porque existe a ideia de que se implantados mais embriões, maior a chance do tratamento dar certo. Hoje, aproximadamente 30% de gravidezes por fertilização in vitro (FIV) no Brasil têm como resultado de gêmeos a quíntuplos. Para reduzir esse alto número alto, a solução adotada é a implantação de um número menor de embriões.

gêmeos recém-nascidos
Crédito: Viorika/istockA chance de ter gravidez múltipla eleva conforme aumenta o número de embriões

2 – Quem toma anticoncepcional muito tempo tem mais dificuldade para engravidar 

Falso

Segundo o ginecologista Pedro Monteleone, não há risco relacionado à diminuição da fertilidade ao tomar anticoncepcional por muito tempo. “Quando a pessoa para de utilizar o método contraceptivo, o ovário volta normalmente ao seu trabalho, em até dois meses”, afirma. “Mesmo quando a mulher começa cedo a vida sexual, ingerindo anticoncepcionais ou utilizando hormônios para prevenir a gravidez, a taxa de fertilidade dela não é afetada”.

3 – Os homens que fizeram vasectomia não podem mais ter filhos

 Falso

A vasectomia é um procedimento que interrompe o “caminho” dos espermatozoides produzidos pelos testículos e conduzidos através do epidídimo para os canais deferentes, mas o homem não deixa de produzir espermatozoides. Então, mesmo depois de ter feito uma vasectomia, por meio de uma extração testicular de espermatozoides ou pela reversão da vasectomia, é possível que o homem seja pai novamente.

4 – É possível preservar fertilidade em qualquer paciente com câncer 

Verdadeiro

Segundo Monteleone, desde que esteja em idade fértil, é possível congelar os gametas do paciente com câncer antes de se iniciar o tratamento oncológico, que pode, sim, levar à infertilidade. Assim, após o término do tratamento de câncer, existirá a possibilidade de ser feito um procedimento para a fertilização dos gametas. É importante salientar que, após uma única sessão de quimioterapia, a fertilidade já sofre impacto.

calendário

5 – Existe apenas um dia certo por mês em que é possível a mulher engravidar

Falso

Monteleone explica que, na verdade, são cinco dias: o dia da ovulação, mais os dois dias que a antecedem e os dois outros que a seguem.

6 – Mulheres acima dos 35 anos são menos férteis

Verdadeiro

Segundo o especialista, o declínio da função reprodutiva se inicia aos 35 anos intensificando-se aos 40 anos. “A mulher nasce com toda população de folículos primordiais nos ovários. A cada ciclo menstrual, alguns folículos são recrutados e um deles se desenvolve e cresce, até a ovulação. Isso, todos os meses da vida fértil. O impacto dos anos na capacidade reprodutiva é marcante, tanto por fenômenos fisiológicos como pelo acúmulo de fatores adquiridos, como inflamações,  infecções, endométrio, entre outros”, afirma.

7 – Mulheres com mais de 45 anos podem engravidar

Falso

A chance de gravidez a partir dos 45 anos é muito baixa. Nesses casos, a melhor alternativa para o tratamento é a utilização de óvulo doado.

8 – Hormônios usados no tratamento de reprodução assistida aumentam o risco da paciente desenvolver vários tipos de câncer

Falso

“Não existe nenhum estudo que mostra qualquer relação entre a incidência de câncer, trombose ou infarto, e as mulheres que realizaram fertilização”, garante o especialista.

9 – A seleção genética é indicada para afastar as doenças hereditárias fatais

Verdadeiro

Doenças como fibrose cística e esclerose tuberosa, por exemplo, comprometem o desenvolvimento dos filhos e os casais com histórico familiar dessas doenças podem fazer o diagnóstico pré-implantacional para selecionar o embrião que não carregue os genes afetados a fim de transferi-los ao útero materno, afirma Monteleone.

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