Lidia Maroñas, dermatologista, sobre cosméticos antienvelhecimento: “Finalmente entendemos que a ruga é a consequência, não a origem”

A nova geração de cremes mira a energia da célula, e a niacinamida é o ativo com mais evidência

Os cosméticos antienvelhecimento estão mudando de alvo, e a dermatologista espanhola Lidia Maroñas resume a virada em uma frase dita à revista ¡Hola!: “Finalmente entendemos que a ruga é a consequência, não a origem”. Em vez de prometer apagar linhas, as fórmulas mais novas tentam agir no que acontece dentro da célula muito antes de a ruga aparecer.

Especialista em medicina estética, ela é fundadora e diretora médica da clínica Oneskin-MED. Segundo a ¡Hola!, a médica criou um método que organiza o cuidado com a pele em cinco fases, do diagnóstico e da recuperação da barreira cutânea até os tratamentos personalizados e a manutenção a longo prazo.

A niacinamida é o precursor do NAD+ com mais evidência – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
A niacinamida é o precursor do NAD+ com mais evidência – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A ruga é o fim de um processo que começa na célula

Para a dermatologista, a cosmética passou anos trabalhando apenas no resultado visível. “Hoje sabemos que, muito antes de aparecer uma ruga, houve perda de energia celular, dano acumulado no DNA, inflamação crônica de baixo grau e degradação do colágeno”, afirma.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia descreve um quadro parecido: o estresse oxidativo tem papel central no envelhecimento cutâneo, altera os ciclos de renovação das células e provoca danos ao DNA, que por sua vez liberam substâncias inflamatórias na pele.

Por que o NAD+ virou assunto nos cremes?

Nessa nova abordagem, a molécula da vez é o NAD+. Lidia Maroñas compara a célula a uma fábrica e define o NAD+ como o combustível que mantém as máquinas ligadas: todas as células precisam dele para gerar energia e se reparar. Com a idade, os níveis caem, e a capacidade de reparo cai junto.

A especialista acrescenta que a radiação ultravioleta e o estresse oxidativo consomem NAD+, então a pele exposta ao sol esgota a molécula mais depressa. Ela faz questão de separar o interesse científico, que considera real, da promessa comercial, que às vezes corre mais rápido do que as evidências.

O NAD+ não fabrica colágeno, mas cuida de quem fabrica

A relação com o colágeno é indireta, segundo a médica. O NAD+ não produz colágeno nem elastina; ele mantém em bom estado os fibroblastos, as células responsáveis por essa produção. Um fibroblasto com energia trabalha melhor, enquanto um esgotado produz menos e com qualidade pior.

Por meio das sirtuínas, proteínas ligadas à longevidade celular, o NAD+ também ajuda a modular a inflamação e a atividade das enzimas que quebram o colágeno. Por isso a dermatologista o vê mais como um ativo que cuida do ambiente onde o colágeno nasce do que como um produtor direto.

Niacinamida, o precursor mais estudado

Há um porém. A molécula de NAD+ penetra mal na pele, e por isso a maioria das fórmulas usa precursores. O mais estudado, segundo Lidia Maroñas, é a niacinamida, presente há anos em cremes tradicionais e com evidência sólida. Outros precursores são mais recentes e ainda têm menos respaldo no uso sobre a pele.

No Brasil, a niacinamida aparece em muitos dermocosméticos de farmácia, o que facilita incluí-la na rotina. Quem tem pele sensível, rosácea ou já usa vários ácidos deve falar com um dermatologista antes de somar mais um produto. E, para quem se maquia, a Catraca reuniu a dica de um maquiador sobre bases fluidas para disfarçar as rugas ao redor dos lábios depois dos 60.

Prevenir para não precisar corrigir

Os cosméticos com NAD+ podem somar, mas não substituem os pilares que já funcionam, de acordo com a reportagem: fotoproteção diária e, quando necessário, tratamentos dermatológicos que estimulam o colágeno nas camadas profundas. O protetor vale também para áreas esquecidas, como lembram os dermatologistas no texto da Catraca sobre protetor solar nas mãos para prevenir manchas depois dos 50.

A proposta de Lidia Maroñas muda a pergunta: em vez de esperar a ruga para tentar apagá-la, manter a pele funcionando bem por mais tempo. Na prática, isso significa protetor solar todos os dias, um ativo com boa evidência como a niacinamida e acompanhamento médico quando a flacidez ou a perda de firmeza começarem a incomodar.