Mamas densas: entenda como essa característica impacta o diagnóstico do câncer de mama por meio da mamografia
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) prevê o surgimento de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Diante do aumento de diagnósticos, que ganham maior relevância durante a campanha do Outubro Rosa, a precisão nos exames preventivos de rotina é fator decisivo para identificar a doença em estágio inicial, quando as chances de cura ultrapassam 90%.
E a mamografia é o melhor exame para o rastreio desse tipo de tumor, já que é capaz de visualizar lesões milimétricas precocemente, como afirma a Dra. Andreia Brandão, radiologista do Núcleo de Mama do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro. Mas o exame tem um desafio: a visibilidade do tumor em mulheres que têm mamas densas.
O que são mamas densas?
Segundo a Dra. Andreia Brandão, a densidade mamária significa como é a composição interna da estrutura mamária. Ela reflete a proporção entre o tecido fibroglandular, responsável pela produção de leite, e o tecido adiposo (a gordura).
“O tecido glandular e possíveis nódulos malignos aparecem brancos na mamografia; já a gordura aparece em tons mais escuros, acinzentados. Nas mamas densas, a alta concentração glandular predomina sobre a gordura, o que diminui o contraste da imagem e pode criar o chamado efeito de mascaramento sobre lesões em fases iniciais”, comenta.
Risco de câncer de mama
Estima-se que quase metade das mulheres na faixa etária recomendada para realizar a mamografia (a partir dos 40 anos) têm mamas densas. Além disso, a Sociedade Americana do Câncer ressalta que o tecido mamário denso possui uma proporção maior de células com potencial de se tornarem anormais.
“Isso não é motivo para pânico, mas exige adequação na conduta médica na hora do rastreamento do câncer de mama e maior experiência dos radiologistas que conduzem o exame de mulheres que têm mamas densas”, explica a Dra. Fernanda Philadelpho, coordenadora do Núcleo de Mama do Alta Diagnósticos e da CDPI, marcas da Dasa no Rio de Janeiro.
Identificando a mama densa
A densidade mamária só pode ser definida por meio do exame de imagem. Mamas firmes à palpação não são necessariamente densas, da mesma forma que mamas macias podem apresentar alta proporção de tecido glandular. Além disso, a densidade varia ao longo da vida: é mais comum em mulheres jovens e tende a diminuir após a menopausa por causa do processo natural de substituição do tecido por gordura, detalha a Dra. Andreia Brandão.
Mamografia permanece importante
A mamografia não deixa de ser útil em casos de mamas densas. ” A mamografia continua sendo o único exame de rastreamento populacional comprovadamente capaz de reduzir a mortalidade por câncer de mama, pois detecta microcalcificações que outros exames não veem. A diferença é que, para pacientes com mamas densas, ela atua como um primeiro filtro e precisa ser associada a exames complementares, como a ultrassonografia mamária, que ajuda a diferenciar a anatomia glandular de uma lesão oculta”, afirma a Dra. Fernanda Philadelpho.
A médica reforça ainda que a tomossíntese também pode ser usada no rastreio no lugar da mamografia, quando disponível. “Em casos específicos, recursos como a ressonância magnética também podem integrar a investigação individualizada”.
Ela acrescenta que o papel do especialista nesses casos é desmistificar o laudo e sinalizar a densidade mamária da paciente. Segundo a médica, quando a mulher entende o que significa ter mamas densas, ela compreende a indicação do exame complementar com tranquilidade, sabendo que eles não foram solicitados por suspeita de câncer, mas para garantir a precisão do rastreamento.
Por Rachel Lopes
