Os dermatologistas concordam: para o protetor solar entregar o FPS da embalagem, o rosto, o pescoço e a cabeça precisam de uma colher de chá rasa do produto, e não de uma camada fina
A proteção pode cair quando a película deixa espaços invisíveis sobre a pele.
Passar protetor solar todo dia já virou hábito para muita gente. O problema é que quase todo mundo usa bem menos produto do que deveria. O FPS escrito no rótulo só funciona quando a pele recebe uma camada generosa. Para o rosto e o pescoço, a orientação da dermatologia é usar uma colher de chá rasa. Com menos do que isso, a fotoproteção pode cair bastante e as manchas podem aparecer mais rápido.
Por que a camada fina derruba o FPS?
O fator de proteção solar é medido em laboratório. O teste usa uma quantidade padronizada de produto espalhada sobre a pele, e não aquele fio fino que muita gente aplica às pressas na frente do espelho. Estudos sobre o assunto mostram que usar menos do que o padrão reduz a proteção contra os raios UVB.
Isso acontece porque o filtro solar precisa formar uma película contínua para absorver ou refletir a radiação ultravioleta. Quando a camada fica falhada, os raios passam pelos espaços vazios e chegam à pele. O resultado pode ser vermelhidão no fim do dia, melasma mais escuro e fotoenvelhecimento acumulado ao longo dos anos.

A medida que a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) orienta, na chamada regra da colher de chá, usar cerca de uma colher de chá rasa de produto no rosto, espalhada de forma uniforme. Algumas orientações da entidade estendem essa medida para a cabeça e o pescoço; vale conferir as indicações no site da SBD e seguir a recomendação do seu dermatologista. Mesmo quem aplica com cuidado costuma esquecer algumas regiões que pegam muito sol:
- orelhas, principalmente a parte de trás;
- linha do cabelo e couro cabeludo exposto, como a risca e as entradas;
- nuca e laterais do pescoço;
- região ao redor dos olhos e do nariz;
- dorso das mãos, que fica exposto o dia inteiro.
Quanto tempo antes de sair de casa o filtro deve ir para o rosto?
A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, recomenda aplicar o protetor solar cerca de 15 minutos antes da exposição ao sol, para que ele tenha tempo de oferecer o benefício máximo. As orientações da SBD seguem na mesma linha, com antecedência de cerca de 15 minutos.
Esse intervalo dá tempo para a fórmula se fixar no rosto antes do contato com o suor, o vento e o atrito da gola da roupa. Quem usa maquiagem pode esperar o produto secar antes de passar a base. Só não vale diminuir a dose para a base não empelotar.

Reaplicação: os momentos em que a pele pede uma nova camada
A regra geral é reaplicar a cada duas horas ao ar livre. Esse prazo fica menor quando o produto sai antes da hora. Fique atento a estas situações, em que a reaplicação deve ser imediata:
- depois de nadar no mar, no rio ou na piscina;
- após suar muito em treino, corrida ou caminhada no calor;
- sempre que secar o rosto com toalha;
- em exposições longas, como praia, show ao ar livre ou estádio;
- quando houver atrito de capacete, boné, máscara ou das próprias mãos.
Fotoproteção vai além do frasco
Um FPS alto não compensa a aplicação insuficiente. Ele também não libera mais horas sob o sol sem reaplicar. Os produtos resistentes à água têm um tempo de duração indicado no rótulo, e nenhum filtro bloqueia toda a radiação UV. Por isso, chapéu de aba larga, óculos escuros, roupas com proteção UV e sombra completam a barreira nos horários de sol forte.
Quem tem histórico de câncer de pele, melasma ou usa medicamentos fotossensibilizantes deve procurar um dermatologista para ajustar o fator, a textura e a rotina de cuidados. Para os demais, o protetor solar só entrega o que promete quando a colher de chá rasa vira hábito diário, inclusive nos dias nublados, quando os raios UVA continuam atravessando as nuvens.