Poliomielite: quais são as doses da vacina e quando as crianças devem ser imunizadas?
A poliomielite é uma doença infectocontagiosa causada pelo poliovírus. A vacinação é a principal forma de prevenção contra a condição, que pode afetar o sistema nervoso e causar paralisia permanente. Nos casos mais graves, pode provocar fraqueza muscular e paralisia flácida, geralmente nos membros inferiores, mas também comprometer os braços e os músculos responsáveis pela respiração e pela deglutição. Essas sequelas podem durar toda a vida quando há destruição de neurônios motores.
De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação, do Ministério da Saúde, a imunização contra a poliomielite começa aos 2 meses de idade. O esquema infantil inclui três doses iniciais e dois reforços. O pediatra Azamir Wiliams, professor do curso de Medicina da Uniderp, destaca a importância de manter a vacinação em dia.
“Pais e responsáveis devem ficar atentos às datas e conferir regularmente a caderneta de vacinação dos filhos. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) utiliza exclusivamente a vacina inativada poliomielite (VIP), aplicada por injeção, tanto no esquema básico quanto nas doses de reforço. A vacina oral, conhecida popularmente como gotinha, não faz mais parte da vacinação de rotina”, destaca.
Como ocorre a transmissão da poliomielite?
A transmissão da doença ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio do contato com fezes de pessoas infectadas, podendo ocorrer por água, alimentos ou mãos contaminadas. Também pode haver transmissão pela interação com secreções da boca e da garganta.
“Em muitos casos, a infecção não provoca sintomas. No entanto, quando o vírus atinge o sistema nervoso, pode causar fraqueza muscular e paralisia, principalmente nos membros inferiores. Em situações graves, também pode comprometer os músculos responsáveis pela respiração e colocar a vida do paciente em risco”, completa o pediatra.
Como funcionam as etapas de vacinação?
O esquema de vacinação infantil contra a poliomielite prevê as seguintes etapas:
- Aos 2 meses: primeira dose da vacina inativada poliomielite (VIP);
- Aos 4 meses: segunda dose da VIP;
- Aos 6 meses: terceira dose da VIP, que completa o esquema básico;
- Aos 15 meses: primeiro reforço da VIP;
- Aos 4 anos: segundo reforço da VIP.
Completar todas as etapas é fundamental para garantir a proteção contra a doença. A vacinação continua sendo essencial para manter o controle da poliomielite e evitar o retorno da circulação do vírus no Brasil.
O que fazer se a vacinação estiver atrasada?
Quando a criança perde a data prevista para alguma dose, os pais ou responsáveis devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber orientações sobre como atualizar a vacinação. A conduta depende da idade e do histórico de imunização. Por isso, é importante levar a caderneta de vacinação para que os profissionais de saúde avaliem quais doses ainda são necessárias.
Em geral, não é preciso reiniciar o esquema vacinal: as doses válidas já recebidas são consideradas no planejamento da atualização. Caso a caderneta tenha sido perdida, a equipe de saúde poderá orientar a família sobre como proceder.
Importância de manter a vacinação em dia
O Brasil não registra circulação do poliovírus selvagem desde 1990, mas a poliomielite ainda não foi erradicada mundialmente. “A persistência do vírus selvagem em alguns países e a ocorrência de poliovírus derivados da vacina em diferentes regiões reforçam a importância de manter elevadas coberturas vacinais e proteger as crianças contra a doença”, finaliza Azamir Wiliams.
Por Camila Crepaldi
