Problema cardíaco oculto pode estar encolhendo seu cérebro

Alterações no coração podem significar mais do que apenas risco cardiovascular – elas também podem sinalizar mudanças precoces na saúde do cérebro

31/03/2025 10:33

Um novo estudo revelou uma conexão preocupante entre a saúde do coração e o funcionamento do cérebro. Segundo uma meta-análise publicada na revista Neurology, mesmo alterações cardíacas sutis podem estar associadas à redução do volume cerebral, especialmente em regiões ligadas à memória. Isso pode representar um sinal precoce de demência, reforçando a importância do monitoramento da saúde cardíaca para preservar a função cognitiva ao longo da vida.

A pesquisa, que analisou sete estudos envolvendo mais de 10.800 participantes com idade média de 67 anos, identificou que indivíduos com disfunção cardíaca apresentavam menor volume cerebral total, além de redução específica no hipocampo, região essencial para a memória. De acordo com os pesquisadores do Erasmus University Medical Center na Holanda, a preservação da função cardíaca pode ajudar a manter a saúde cerebral e as habilidades cognitivas com o passar dos anos.

Disfunção cardíaca e encolhimento do cérebro

Os pesquisadores focaram em dois tipos de disfunção cardíaca:

  • Disfunção sistólica: ocorre quando o ventrículo esquerdo do coração não se contrai adequadamente, comprometendo o bombeamento sanguíneo.
    Disfunção diastólica: caracteriza-se pela dificuldade do ventrículo esquerdo relaxar entre os batimentos, prejudicando o enchimento de sangue.

A meta-análise revelou que pessoas com disfunção sistólica moderada a grave apresentavam um volume cerebral total significativamente menor em comparação àquelas com função normal. Da mesma forma, indivíduos com disfunção diastólica leve também apresentaram redução do volume cerebral, sugerindo que até mesmo alterações cardíacas menos severas podem impactar a saúde do cérebro.

Estudo observa que até mesmo alterações cardíacas menos graves podem impactar a saúde do cérebro
Estudo observa que até mesmo alterações cardíacas menos graves podem impactar a saúde do cérebro - Planet Flem/istock

Monitoramento e intervenção precoce

Diante dessas descobertas, os especialistas destacam a necessidade de avaliar a função cardíaca em pacientes com sinais precoces de comprometimento cognitivo. Isso pode permitir a detecção antecipada da demência e a implementação de estratégias para retardar sua progressão.

No entanto, os cientistas ressaltam que mais estudos são necessários para compreender plenamente a relação entre doenças cardíacas e perda de células cerebrais. Além disso, a pesquisa foi realizada majoritariamente com participantes brancos, o que limita a generalização dos resultados para outras populações.