Quer emagrecer até dezembro? Veja como tornar o “projeto verão” mais sustentável

Por EdiCase

Outubro chega e, com ele, começa a contagem regressiva para o verão. É nesta época que dietas restritivas, desafios de emagrecimento e estratégias para perder muitos quilos em poucas semanas voltam a ganhar espaço. Com a popularização das “canetas emagrecedoras” (medicamentos injetáveis que imitam o hormônio intestinal GLP-1), a velocidade da perda de peso também passou a chamar atenção.

Mas existe uma diferença importante entre emagrecer rápido e emagrecer bem. Abaixo, veja cuidados para não transformar o “projeto verão” em uma corrida contra a balança! 

1. Não tente compensar o ano inteiro em dois meses

Quando dezembro vira prazo final, cortar carboidratos, pular refeições ou reduzir drasticamente as calorias pode parecer um atalho. O problema é que estratégias incompatíveis com a vida real tendem a ser difíceis de manter depois que a urgência passa.

“Quando existe uma pressa muito grande para emagrecer, é comum que a pessoa procure estratégias extremamente restritivas. Elas podem até provocar uma redução rápida do peso, mas o mais importante é pensar se aquilo pode ser sustentado. Emagrecimento não deveria ser uma corrida de poucas semanas”, explica Gabriela Rossmam, médica com atuação em emagrecimento.

2. Perder peso não significa perder apenas gordura

Ver o número da balança diminuir rapidamente pode ser estimulante, mas ele não revela sozinho o que está sendo perdido. Dependendo da estratégia, parte dessa redução também pode envolver massa muscular, especialmente em emagrecimentos mais expressivos.

“Quando o paciente perde peso, precisamos olhar para a qualidade desse emagrecimento. O objetivo não deveria ser simplesmente perder o maior número de quilos no menor período possível, mas reduzir gordura preservando ao máximo a massa muscular”, alerta o médico Patrick Ferreira, presidente da Academia Brasileira de Clínica Médica.

3. Caneta emagrecedora não combina com “quanto menos eu comer, melhor”

A redução do apetite provocada pelos medicamentos pode fazer algumas pessoas diminuírem excessivamente a alimentação. É justamente nesse cenário que proteína, energia e outros nutrientes podem ficar abaixo das necessidades individuais.

“Uma das armadilhas é o paciente pensar: ‘Estou sem fome, então quanto menos eu comer, melhor’. Não é assim. Uma ingestão muito baixa e sem equilíbrio nutricional pode dificultar a preservação da massa muscular. O medicamento pode fazer parte do tratamento, mas não substitui os outros cuidados”, orienta Patrick Ferreira.

4. Proteína importa, mas não resolve tudo

Com o medo da perda muscular, suplementos proteicos também entraram no universo de quem faz uso das canetas emagrecedoras. Eles podem ser úteis em situações específicas, mas não substituem uma alimentação adequada. Além disso, não existe uma quantidade de proteína que sirva igualmente para todo mundo.

“Whey é uma fonte de proteína e pode ser útil quando existe indicação. O erro é imaginar que basta acrescentar um suplemento e todo o restante estará resolvido. Precisamos avaliar alimentação, consumo energético, quantidade de proteína, atividade física e condições clínicas”, explica o médico.

A musculação contribui para manter a força e a capacidade funcional durante o emagrecimento (Imagem: NassornSnitwong | Shutterstock)
A musculação contribui para manter a força e a capacidade funcional durante o emagrecimento (Imagem: NassornSnitwong | Shutterstock)

5. Musculação não deveria entrar apenas para “definir” o corpo

Durante o emagrecimento, o exercício de força ganha uma função que vai além da estética. Estimular os músculos ajuda a trabalhar força e capacidade funcional enquanto o organismo passa pela redução de peso.

“O músculo precisa de matéria-prima, mas também precisa de estímulo. Quando não há contraindicação, o exercício de força deve ser pensado como parte do tratamento. Emagrecer enquanto se trabalha força e capacidade funcional produz uma composição corporal diferente de simplesmente emagrecer permanecendo sedentário”, destaca Patrick Ferreira.

6. Não copie o projeto de emagrecimento de outra pessoa

Dieta da influenciadora, protocolo da amiga ou estratégia que viralizou no TikTok não consideram histórico clínico, composição corporal, rotina ou necessidades individuais. O que funcionou para uma pessoa pode não fazer sentido para outra.

“Cada paciente possui uma história, uma rotina e objetivos diferentes. É por isso que copiar exatamente aquilo que alguém fez nas redes sociais pode não trazer o mesmo resultado. O emagrecimento precisa ser individualizado e pensado dentro da realidade de cada pessoa”, ressalta Gabriela Rossmam.

7. O projeto de emagrecimento precisa ser sustentável

Talvez o principal teste não seja chegar a dezembro com determinado número na balança, mas descobrir se a estratégia continua possível quando as férias terminam. Quando o emagrecimento vira apenas uma missão para usar biquíni ou determinada roupa, o prazo pode acabar com os hábitos.

“O melhor resultado é aquele que a pessoa consegue levar para janeiro, fevereiro e para o restante do ano. Quando alimentação e hábitos deixam de ser uma medida temporária para chegar ao verão e passam a integrar uma rotina possível, existe uma chance maior de construir um resultado sustentável”, finaliza Gabriela Rossmam.

Por Sarah Carvalho