Rossano Ferretti, cabeleireiro: “Os fios brancos indicam que precisamos de luz, porque a pele do rosto começa a perdê-la”

Mechas claras e quentes ao redor do rosto funcionam melhor que a tinta escura aplicada desde a raiz

Os fios brancos não pedem cor escura para serem escondidos, e sim mais luz perto do rosto. É o que defende o cabeleireiro italiano Rossano Ferretti: “A chegada dos fios brancos indica que precisamos de luz, porque a pele do rosto começa a perder a sua luz natural, por isso cobri-los com cores escuras não é recomendável”.

A orientação foi dada em entrevista à revista espanhola Telva, por ocasião da abertura do spa capilar do profissional no hotel Majestic, em Barcelona. Ferretti é um dos cabeleireiros mais conhecidos da Itália, e pelas mãos dele já passaram Kate Middleton, Dakota Johnson e Jennifer Lawrence.

Ferretti prefere mechas na moldura do rosto à cor escura uniforme – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
Ferretti prefere mechas na moldura do rosto à cor escura uniforme – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Cor escura e uniforme pode endurecer os traços

Perguntado sobre os tons que mais envelhecem, Ferretti aponta os escuros demais e os reflexos acaju e avermelhados quando aplicados de forma uniforme desde a raiz. Segundo ele, esse bloco de cor pode endurecer os traços. Entre as cores que não recomendaria em nenhuma situação, cita as muito escuras, como o preto e o berinjela.

Para quem já passou dos 40, 50 e 60 anos, a preferência do cabeleireiro vai para os tons mais quentes e mais claros. “A luz ao redor do rosto é fundamental”, resume.

Onde colocar a luz?

A resposta de Ferretti é bem específica: mechas estrategicamente posicionadas ao redor do rosto, com o tom e a intensidade adequados, trazem luz e frescor na hora. A proposta não é clarear a cabeça inteira, e sim iluminar a moldura do rosto, buscando o equilíbrio que realce a beleza natural de cada pessoa.

O balayage continua entre as técnicas mais pedidas nos salões da marca, que trabalham com ela há 30 anos, segundo o cabeleireiro. A ideia é dar luz e reflexos ao cabelo respeitando a base natural, com um resultado parecido com o clareado que o cabelo das crianças ganha depois de dias na praia.

Integrar os brancos em vez de cobrir tudo

Ferretti observa que cada vez mais mulheres com fios brancos deixaram de se preocupar em cobri-los por completo e preferem integrá-los ao visual. Técnicas de coloração suaves e personalizadas, diz ele, dão brilho e harmonia e suavizam o contraste com a raiz que cresce.

Ele também cita a henna e as colorações que não cobrem totalmente o branco. Como não formam uma tinta uniforme, permitem cores personalizadas e mais brilhantes. Quem prefere outro caminho pode ler sobre retocar só a raiz em vez de pintar todo o comprimento.

Química no cabelo pede teste antes

Mechas, luzes e reflexos usam descolorantes, que retiram a melanina do fio de forma parcial ou total, como explica a Sociedade Brasileira de Dermatologia. A entidade recomenda conhecer os componentes de qualquer tintura e testar uma pequena quantidade na pele antes de usar, para evitar reações alérgicas. Se houver alergia, o uso deve ser suspenso na hora.

Ferretti reforça que o cuidado vem antes da cor. Para ele, não existe cabelo bonito sem saúde, e o ideal é seguir uma rotina com produtos respeitosos e indicados pelo cabeleireiro, tratando o fio com a mesma atenção dada à pele. Coceira, ardência ou feridas no couro cabeludo depois de uma química pedem avaliação de um dermatologista.

Luz no rosto, base natural e tons quentes

Na prática, o roteiro de Ferretti para quem tem fios brancos cabe em poucas escolhas: evitar o escuro uniforme, levar mechas claras e quentes para perto do rosto, respeitar a base natural e deixar o branco participar do resultado. Para completar, vale escolher o corte certo para cabelos brancos de acordo com o formato do rosto.