Saiba como identificar os sintomas do transtorno bipolar

Embora sem cura, é possível ter controle da doença com tratamento adequado

Por: Redação | Comunicar erro

Bipolaridade virou um termo popular e sinônimo de variação de humor. Quem nunca ouviu alguém dizer: “Fulano é bipolar” em tom de brincadeira? O que poucos sabem é que a doença é muito mais séria e complexa do que uma simples oscilação de humor. O transtorno bipolar é uma alteração na saúde mental que atinge cerca de 4% da população adulta mundial, de acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB). Essa prevalência vale também para o Brasil, o que representa 6 milhões de pessoas com a doença no país.

Caracterizado por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão, o transtorno bipolar costuma manifestar os primeiros sintomas com mais frequência na adolescência (60% dos casos). Muitas vezes, não é reconhecido como uma doença e os pacientes podem sofrer por anos sem ter o diagnóstico.

A doença é marcada por múltiplas instabilidades, não só de humor. A pessoa que sofre com transtorno bipolar pode oscilar entre um estado de muita disposição física mesmo sem dormir, ou muito cansado mesmo após longas horas de sono.

Os estados eufóricos, em que o paciente se apresenta alegre, são chamados de manias e os apáticos, irritadiços, são chamados de depressivos.

sombra de um homem com as mãos encostadas na parede
Crédito: KatarzynaBialasiewicz/istockEstado apático é chamado de depressivo

O diagnóstico da doença não é simples, já que não existem exames precisos de sangue ou de imagem, que revelem o distúrbio. O quadro é fechado quando o médico observa os sinais clínicos.

Entre os sintomas do transtorno bipolar, destacam-se:

  • Alterações de humor
  • Alterações de energia (agitação, pensamento e fala rápidos);
  • Sono (insônia ou necessidade de dormir pouco);
  • Bulimia;
  •  Pensamento e fala acelerados, pulando de uma ideia para outra;
  • Dificuldade de concentração e memória;
  • Agressividade;
  • Comportamento provocador, invasivo ou agressivo;
  • Compras compulsivas;
  •  Juízo crítico deficiente;
  • Dores crônicas ou outros sintomas corporais persistentes que não são causados por doenças ou lesões físicas;
  • Hábitos de risco, como sexo sem proteção;
  • Ideias de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio;
  • Delírios e alucinações.

Causa do transtorno bipolar

A causa exata do transtorno bipolar é desconhecida, mas acredita-se que o problema  pode estar a fatores genéticos e ambientais que podem agir de forma combinada. Por fatores ambientais, pode-se considerar algum episódio de maus-tratos, como abuso sexual, por exemplo.

Transtorno bipolar e a criatividade

Alguns estudos relacionam a doença com uma maior habilidade criativa. Um exemplo é o trabalho de um grupo de pesquisadores da Suécia que descobriu que pessoas com transtorno bipolar tinham 1,35 mais chances de trabalhar com arte, fotografia e design.

Autorretrato de Vincent Willem Van Gogh
Crédito: Van GoghAutorretrato de Vincent Van Gogh

Estudiosos da biografia do artista holandês Vincent van Gogh, por exemplo, acreditam que o pintor sofria de transtorno bipolar, o que não dá para afirmar com certeza. As suspeitas se justificam por conta dos inúmeros acessos de raiva, comuns em toda sua vida, além de episódios de surto psicótico. Em um deles, após uma discussão com Gauguin, Van Gogh cortou um pedaço de sua orelha.

Se em Van Gogh o diagnóstico é incerto, em outros artistas o transtorno bipolar foi confirmado e assumido. É o caso da atriz Catherine Zeta-Jones, do comediante Jim Carrey e do ator Jean-Claude Van Damme.

A cantora Rita Lee também já falou abertamente sobre a doença, relatando alternância entre o estado de euforia e depressão.

Tratamento para transtorno bipolar

Embora não haja cura, é possível haver um controle da doença com tratamento adequado, que costuma ser contínuo e intermitente.  Até mesmo pacientes com as formas mais graves da doença podem obter uma estabilização considerável de suas oscilações do humor e dos sintomas relacionados.

Tanto o diagnóstico como o tratamento devem ser feitos por um psiquiatra.  Outros profissionais de saúde mental, como psicólogos, assistentes sociais psiquiátricos e enfermeiros psiquiátricos, podem ajudar a proporcionar à pessoa e sua família abordagens adicionais ao tratamento.

Geralmente são utilizados medicamentos estabilizadores do humor, antidepressivos, além de psicoterapia. O apoio psicológico familiar também é um complemento importante.

A ajuda pode ser encontrada nos seguintes serviços e locais:

– Programas filiados a universidades ou escolas de medicina
– Serviços de psiquiatria de hospitais
– Consultórios e clínicas particulares de psiquiatria
– Organizações para a manutenção da saúde, ONGs
– Consultórios de médicos de família, internistas e pediatras
– Centros públicos de saúde mental comunitária

Em São Paulo, a ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) trabalha amparando psicossocialmente não somente os pacientes, como também seus familiares e amigos. A associação também promove palestras para profissionais de saúde mental e para a sociedade como um todo sobre a natureza e tratamento dos transtornos afetivos.

Atendimento telefônico : (11) 3256-4831

De 2ª a 6ª feira – das 13h às 17h

Endereço:Rua Dr Diogo de Faria, 102 – São Paulo

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