O verde-esmeralda na linha d’água realça os olhos castanhos depois dos 60 pelo contraste com a íris, mas para quem tem olho seco ou usa lente o traço rende mais em outro lugar

A explicação está no contraste de cores, e a linha d’água pede cuidado em quem tem os olhos sensíveis

Um traço verde-esmeralda na linha d’água é a aposta de uma reportagem da revista espanhola Clara sobre maquiagem aos 60 para quem tem olhos castanhos: o verde puxa os tons quentes da íris e devolve luz ao olhar. A explicação está no contraste de cores. Só que a linha d’água é a região mais delicada do olho, e para quem sofre com olho seco ou usa lentes de contato o mesmo verde rende mais colado aos cílios, do lado de fora.

Uma passada leve na metade externa basta para o ponto de cor – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
Uma passada leve na metade externa basta para o ponto de cor – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Dá para ter o efeito sem pagar com ardência no fim do dia.

Por que o verde deixa o castanho mais quente?

O olho castanho raramente é de uma cor só. De perto, a íris mostra reflexos de mel, dourado, cobre e até avermelhados. No círculo cromático, o verde fica do lado oposto do vermelho e do laranja, e cores opostas lado a lado se intensificam: cada uma faz a outra parecer mais viva.

É por isso que a Clara fala em realçar o matiz quente da íris e em um olhar “magnético”. Um preto faz moldura; o esmeralda conversa com a cor do olho. O tom tem ainda uma vantagem sobre verdes muito claros ou neon: é profundo e um pouco azulado, então define o contorno sem parecer fantasia.

A linha d’água é a parte mais sensível da maquiagem

A borda interna da pálpebra fica em contato direto com a lágrima. Um estudo-piloto liderado pela pesquisadora Alison Ng, do Centro de Pesquisa em Lentes de Contato da Universidade de Waterloo, no Canadá, comparou o lápis aplicado por dentro e por fora da linha dos cílios. Segundo o resumo divulgado pela universidade em 2015, o traço interno levou de 15% a 30% mais partículas para o filme lacrimal em apenas cinco minutos.

O trabalho, publicado na revista científica Eye and Contact Lens, acompanhou só três voluntárias, segundo o resumo indexado no PubMed. Duas horas depois, a contaminação já era mínima. Mesmo assim, os autores apontam que esse resíduo pode incomodar quem tem olhos sensíveis ou secos, e que a cera e o óleo do lápis tendem a se acumular nas lentes de contato, deixando a visão mais embaçada.

Quando é melhor levar o verde para fora

Em alguns casos, a troca de lugar faz sentido desde o primeiro dia:

Rente aos cílios, por fora, o verde mantém o contraste sem tocar a lágrima – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
Rente aos cílios, por fora, o verde mantém o contraste sem tocar a lágrima – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
  • olho seco, que costuma piorar com a idade, ou ardência frequente no fim da tarde;
  • uso de lentes de contato;
  • olho vermelho, irritado ou com qualquer sinal de infecção;
  • período de recuperação de cirurgia nos olhos, até liberação do oftalmologista.

Nesses casos, o verde pode ir para a raiz dos cílios inferiores, por fora da linha d’água, com um pincel fino esfumando o traço. O contraste com a íris continua lá, só que sem tocar a lágrima. A FDA, agência que regula cosméticos nos Estados Unidos, orienta não usar maquiagem nos olhos quando há infecção ou a pele ao redor está inflamada.

Para quem prefere a cor na pálpebra de cima, a Catraca já mostrou como usar o delineador verde para destacar o olhar depois dos 50, com traço fino e tons como oliva e musgo.

Como dosar o esmeralda sem pesar o olhar

Menos produto funciona melhor. Uma passada leve, do meio da pálpebra inferior em direção ao canto de fora, já cria o ponto de cor. O canto interno costuma lacrimejar mais e espalha o pigmento.

Um lápis macio e cremoso desliza sem puxar a pele, o que conta muito numa pálpebra mais fina. Fórmulas à prova d’água seguram melhor no calor e na umidade de boa parte do Brasil. Se o esmeralda parecer intenso demais, um verde-oliva ou musgo dá o mesmo efeito de contraste em versão mais discreta.

O resto da maquiagem pode ficar neutro: máscara marrom ou preta nos cílios, sombra bege ou terracota suave e sobrancelha penteada. Assim o verde vira o único ponto de cor, e o castanho do olho aparece mais.

Lápis limpo e olho descansado

Alison Ng recomenda apontar bem o lápis antes de cada uso e tirar o resíduo da ponta. Nos modelos retráteis, a orientação dela é cortar um pedacinho da ponta antes de aplicar. E a maquiagem deve sair toda antes de dormir. Para essa etapa, ajuda saber como remover a maquiagem dos olhos sem esfregar, deixando o demaquilante agir antes de passar o algodão.

A FDA também aconselha não emprestar lápis de olho, nem para a melhor amiga, e usar perto dos olhos apenas produtos feitos para essa área: lápis de boca não serve de delineador. No Brasil, cosméticos são regularizados pela Anvisa, e a embalagem do lápis deve indicar o uso nos olhos.

Se o traço arder, coçar ou deixar o olho vermelho, a regra é suspender o produto. Quando a irritação continua, a orientação da FDA é procurar um médico.