A ponte que liga o Brasil à Europa tem travessia de 1 minuto e já não exige visto de brasileiros
Passaporte, vacina de febre amarela e seguro continuam obrigatórios para entrar na Guiana Francesa
A ponte Brasil Europa existe e fica no Amapá: é a Ponte Binacional Franco-Brasileira, que cruza o Rio Oiapoque e liga a cidade de Oiapoque a Saint-Georges-de-l’Oyapock, na Guiana Francesa. De carro, a travessia leva cerca de 1 minuto. E, desde o fim de julho, brasileiros não precisam mais de visto para ficar até 30 dias do outro lado.
Visto não é passaporte, e aqui mora uma confusão comum. O documento continua obrigatório. A Guiana Francesa é território da França e faz parte da União Europeia, então a entrada passa pela polícia de fronteira francesa, que confere passaporte, vacina e outros comprovantes antes de liberar o viajante.

Uma ponte de 378 metros que ficou anos fechada
A ponte tem 378 metros de extensão e foi idealizada em 1997 pelos então presidentes Fernando Henrique Cardoso e Jacques Chirac, segundo reportagem do g1 publicada na abertura. A estrutura ficou pronta em 2011 e custou cerca de R$ 70 milhões, mas só foi liberada para veículos em março de 2017.
A demora, de acordo com o g1, se deveu à falta de acordos entre os dois países e às obras do posto alfandegário do lado brasileiro, que ainda não estava concluído na época. O lado francês estava pronto desde 2011.
Por isso a travessia é tão curta: são poucas centenas de metros sobre o rio. O que toma tempo de verdade é a fila e a checagem de documentos dos dois lados.
Brasileiro precisa de passaporte para cruzar?
Sim. O acordo assinado em 1º de julho no Palácio Itamaraty, em Brasília, suspendeu a exigência de visto de curta duração, mas não dispensou o passaporte. A medida passou a valer em 31 de julho, informou a Agência Brasil.
Até então, a situação era curiosa: o brasileiro podia passear por Paris sem visto, mas precisava dele para atravessar a ponte. Isso porque a Guiana Francesa, apesar de ser parte da França, não integra o Espaço Schengen e mantinha regras próprias de imigração.
No dia da estreia, o governo do Amapá organizou uma travessia simbólica na ponte e reforçou que os procedimentos migratórios continuam obrigatórios, incluindo passaporte válido. O chanceler Mauro Vieira chamou o acordo de “marco histórico” nas relações entre os dois países e disse que ele atende a uma reivindicação antiga de quem vive na região de fronteira, segundo a Agência Brasil.
A Catraca já tinha explicado como ficou a regra do visto para a Guiana Francesa quando o acordo foi anunciado.
Os documentos que a polícia francesa pode pedir
Segundo o jornal France-Guyane, a lista para entrar sem visto inclui:
- passaporte emitido há menos de dez anos, válido por pelo menos três meses depois da data de volta e com duas páginas em branco;
- certificado de vacinação contra a febre amarela;
- seguro-saúde internacional com cobertura de até 30 mil euros;
- comprovação de recursos de 32,50 a 120 euros por dia, conforme o tipo de hospedagem; um cartão de crédito internacional pode servir.
Vale conferir a caderneta de vacinação antes de pegar a estrada: o certificado internacional da febre amarela é emitido pela Anvisa com base no registro da dose.
Quanto tempo dá para ficar do outro lado
A dispensa vale para estadias de até 30 dias dentro de qualquer período de 180 dias, de acordo com o France-Guyane. A medida é experimental: foi adotada por seis meses, até 31 de janeiro de 2027, e pode ser renovada.
Quem pretende trabalhar, estudar ou morar na Guiana Francesa, ou ficar mais de 30 dias, continua precisando de visto de longa permanência.
Horário do posto e o que esperar em Saint-Georges
O posto da Polícia de Fronteira francesa fica na própria ponte e funciona todos os dias, das 7h às 19h, segundo o France-Guyane. O mesmo posto também atende quem chega de barco a Saint-Georges.
Do outro lado, a moeda é o euro e a língua oficial é o francês. Oiapoque fica no extremo norte do Amapá, numa região de floresta que inclui o maior parque nacional do Brasil, na divisa com a Guiana Francesa. Para quem sempre quis pisar na Europa sem atravessar o oceano, é o caminho por terra mais curto que existe.