A uma hora de Milão, Lugano combina o melhor de dois países

Cidade suíça de língua italiana reúne passeios de barco, vinícolas, vilarejos históricos e montanhas às margens de um lago

Pedir um café em italiano, caminhar por ruas cercadas de construções históricas e terminar o dia diante de um lago emoldurado por montanhas. A cena poderia ser de alguma cidade do norte da Itália, mas acontece na Suíça.

A pouco mais de uma hora de trem de Milão, Lugano reúne características dos dois países e pode ser uma alternativa para quem deseja ampliar o roteiro de viagem pela Europa sem precisar embarcar em outro voo.

Funicular que leva ao Monte Brè, em Lugano
Funicular que leva ao Monte Brè, em Lugano - Milo Zanecchia/Divulgação/Lugano Region

Localizada no cantão de Ticino, no sul da Suíça, onde o italiano é a única língua oficial, a cidade combina influências mediterrâneas com a infraestrutura de transportes e serviços suíços. A proximidade com Milão permite uma visita de um dia, mas reservar ao menos duas noites é uma forma de conhecer a região, que reúne vinhedos, vilarejos históricos, restaurantes e trilhas pelas montanhas.

O interesse dos brasileiros pelo destino também tem crescido. Em 2025, a região de Lugano registrou 998.234 pernoites em hotéis, aumento de 2,5% em relação ao ano anterior. Entre os visitantes brasileiros, o crescimento foi de 11%, segundo dados do turismo regional.

Lugano fica a cerca de 1h30 de Milão
Lugano fica a cerca de 1h30 de Milão - Von Draussen/Divulgação/Lugano Region

Às margens do Lago de Lugano, a cidade tem um centro histórico que pode ser percorrido a pé. A Piazza della Riforma, cercada por edifícios históricos e cafés, é um dos principais pontos de encontro. Dali, o passeio pode seguir pela Via Nassa, conhecida pelas arcadas e lojas, até o Parco Ciani, área verde à beira do lago, com jardins e caminhos entre árvores.

O clima relativamente ameno para os padrões suíços favorece a presença de palmeiras e outras espécies de vegetação mediterrânea. A paisagem também ajuda a explicar uma das particularidades de Lugano: a possibilidade de alternar passeios urbanos, navegação pelo lago e caminhadas nas montanhas em um mesmo dia.

Vilarejos e montanhas fazem parte do roteiro

Uma das maneiras de conhecer os arredores é embarcar em um dos barcos que percorrem o Lago de Lugano. Entre as paradas está Gandria, antigo vilarejo de pescadores construído na encosta, com casas próximas umas das outras, vielas estreitas e escadarias de pedra.

Vilarejo às margens do Lago de Lugano
Vilarejo às margens do Lago de Lugano - Michele Mengozz/Divulgação/Lugano Region

O acesso por barco permite observar o conjunto de construções a partir da água. Em terra, o passeio segue por caminhos que passam entre as casas e pequenos restaurantes, alguns deles instalados em antigas adegas.

Outro programa é subir ao Monte Brèè, acessível por funicular. Do alto, é possível observar o lago, a cidade e as montanhas da região. A visita pode incluir uma caminhada até o vilarejo de Brè, conhecido pelas construções tradicionais e ruas de pedra.

Na margem oposta, o Monte San Salvatore oferece outro ponto de observação da paisagem. A montanha, frequentemente comparada ao Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, também é acessível por funicular e conta com trilhas para diferentes percursos.

Para quem prefere passeios que combinem natureza e patrimônio histórico, Morcote é outra opção. O vilarejo à beira do lago reúne construções antigas, ruas estreitas e restaurantes. A região também abriga o parque Swissminiatur, em Melide, onde monumentos, construções e sistemas ferroviários suíços são reproduzidos em escala reduzida.

Vinícolas e restaurantes revelam a identidade do Ticino

A gastronomia é outro motivo para prolongar a estadia. No Ticino, a cozinha tem influência italiana, mas preserva preparações e ingredientes associados à tradição suíça.

Vinhedos na região de Ticino
Vinhedos na região de Ticino - Milo Zanecchia/Divulgação/Lugano Region

Uma das experiências locais é comer em um grotto, nome dado aos restaurantes rústicos tradicionalmente instalados em antigas adegas de pedra. O cardápio costuma incluir polenta, queijos, embutidos e outras receitas regionais.

Entre os endereços estão o San Rocco e o Cantine di Gandria, com funcionamento sazonal de abril a setembro, além do Morchino, que recebe visitantes durante todo o ano.

O vinho também ocupa espaço na cultura gastronômica da região. A principal variedade cultivada é a Merlot, utilizada tanto na produção de tintos quanto de brancos. Embora seja mais conhecida pelos vinhos tintos de Bordeaux, na França, a uva também dá origem a vinhos brancos no Ticino.

Duas propriedades podem entrar no roteiro mediante reserva antecipada. A Tenuta Castello di Morcote tem vinhedos distribuídos em terraços com vista para o lago e um castelo do século 15. Já a Fattoria Moncucchetto, localizada em uma colina de Lugano, abriga uma adega projetada pelo arquiteto suíço Mario Botta.

Vinícolas de Ticino oferecem atividades aos turistas
Vinícolas de Ticino oferecem atividades aos turistas - Milo Zanecchia/Divulgação/Lugano Region

As visitas permitem conhecer a produção regional e participar de degustações, que podem ser combinadas com refeições preparadas com ingredientes locais.

Além dos restaurantes tradicionais, o cantão de Ticino reúne dez estabelecimentos com estrelas Michelin, segundo a edição de 2025 do guia gastronômico.

Como organizar três dias em Lugano

Embora seja possível conhecer parte da cidade em uma viagem de um dia a partir de Milão, três dias e duas noites permitem distribuir os passeios entre o centro histórico, as montanhas e os arredores do lago.

Primeiro dia — Centro histórico e Gandria

A chegada pode ser seguida por uma caminhada pela Piazza della Riforma, Via Nassa e Parco Ciani. Depois do almoço no centro, a sugestão é embarcar em um barco até Gandria, percorrer as ruas do vilarejo e conhecer um dos restaurantes tradicionais da região. O retorno a Lugano pode ser feito no fim da tarde.

Segundo dia — Monte Brè, vinhos e cultura

O dia começa com a subida de funicular ao Monte Brè e uma caminhada pelo vilarejo de mesmo nome. Na sequência, o roteiro pode incluir uma visita com degustação à Fattoria Moncucchetto ou à Tenuta Castello di Morcote, mediante agendamento. À tarde, uma opção é conhecer o LAC Lugano Arte e Cultura, centro cultural que recebe exposições, espetáculos musicais e apresentações teatrais.

Terceiro dia — Monte San Salvatore e Morcote

A programação começa com a subida ao Monte San Salvatore para observar o lago e percorrer as trilhas. Depois, o passeio segue para Morcote, onde é possível almoçar em um restaurante local. Quem viaja com crianças pode incluir uma visita ao Swissminiatur, em Melide. No retorno em direção a Milão, outra possibilidade é fazer uma parada no FoxTown, outlet localizado em Mendrisio.

Hospedagem em Lugano permite explorar também o Lago de Como

Usar Lugano como base também facilita a visita a destinos do norte da Itália. A cidade de Como, às margens do lago de mesmo nome, fica a aproximadamente 35 a 45 minutos de trem, dependendo do serviço ferroviário.

A ligação permite passar o dia na Itália e retornar à Suíça para dormir, sem a necessidade de trocar de hotel ou transportar bagagens entre os destinos.

A oferta de hospedagem em Lugano inclui hotéis históricos, estabelecimentos boutique e alternativas de diferentes categorias. Entre os endereços tradicionais estão o Grand Hotel Villa Castagnola e o Hotel Splendide Royal, ambos próximos ao lago.

Para quem pretende utilizar o transporte público com frequência, ficar na região central facilita os deslocamentos até a estação ferroviária, os embarcadouros e as atrações urbanas.

A cidade também pode ser combinada com Zurique. A viagem de trem entre os dois destinos leva cerca de duas horas, o que permite organizar um roteiro pela Suíça com chegada ou saída pela maior cidade do país, que recebe voos diretos de São Paulo.

Quando ir e como chegar a Lugano

Lugano pode ser visitada durante todo o ano, mas a escolha da época influencia os passeios. A primavera e o outono favorecem caminhadas e visitas às vinícolas, enquanto o verão concentra festivais e atividades ao ar livre.

Para quem parte de Milão, o trem é uma das alternativas de acesso, com viagem de pouco mais de uma hora. Outra possibilidade para brasileiros é voar diretamente de São Paulo a Zurique e seguir de trem até Lugano.

Os passeios às vinícolas exigem reserva antecipada, e o funcionamento de alguns restaurantes e atrações pode variar conforme a estação.