Albergue nas Astúrias oferece moradia de graça a quem atender peregrinos do Caminho de Santiago 25 horas por semana
Casa de 1900 em Pola de Allande dá cama e três refeições, mas a inscrição tem custo e regras
Um albergue de peregrinos em Pola de Allande, nas Astúrias, no norte da Espanha, procura voluntários para morar de graça em troca de cerca de 25 horas semanais de trabalho. A oferta inclui cama e três refeições por dia para quem ajudar a receber quem percorre o Caminho de Santiago.
A vaga foi publicada na plataforma Worldpackers pelo dono da casa, identificado como Stef, e ganhou repercussão depois de uma reportagem da Xataka, na Espanha. A ideia parece um sonho para quem gosta de viajar devagar, mas tem custos e detalhes que merecem atenção antes de qualquer inscrição.

Uma casa antiga no meio do Caminho Primitivo
O albergue se chama Polagrino e funciona num casarão de por volta de 1900 na Plaza de Abajo, no centro do vilarejo. Ele fica no traçado do Caminho Primitivo, a rota mais antiga até Santiago de Compostela, associada ao rei Afonso II no século IX.
Não se trata de um albergue público. Segundo a Xataka, é uma hospedagem privada com 15 vagas divididas em três quartos, que só aceita peregrinos com credencial e funciona no sistema de doação consciente, com roupa de cama e café da manhã incluídos. A casa abre de 1º de abril a 31 de outubro.
Pola de Allande também tem peso na rota. É ali que termina a etapa que sai de Tineo, com cerca de 28 km, e começa a chamada etapa rainha, de 21,9 km até La Mesa, passando pelo Puerto del Palo, a 1.146 metros de altitude, de acordo com a mesma reportagem.
O que o voluntário faz no dia a dia
O anúncio fala em 25 horas por semana, com um dia de folga. O próprio anfitrião, segundo a Xataka, diz que a média real fica perto de três horas por dia e raramente passa de cinco.
As tarefas descritas por quem já passou por lá são as de qualquer pousada pequena:
- trocar lençóis e arrumar os quartos;
- limpar banheiros e lavar roupa;
- receber os peregrinos que chegam;
- preparar o jantar, que é dividido com os hóspedes.
A casa fornece os ingredientes, e os relatos indicam que é preciso alguma criatividade na cozinha. O ritmo muda conforme o movimento de caminhantes. As estadias costumam durar de dez dias a um mês, com equipes de um a cinco voluntários ao mesmo tempo.
Quem pode se candidatar
Os requisitos são simples: ter mais de 18 anos e falar inglês ou espanhol em nível intermediário. Não há curso prévio nem exigência de já ter feito a peregrinação.
Isso diferencia a vaga do voluntariado tradicional do Caminho. A Federação Espanhola de Associações de Amigos do Caminho de Santiago, conforme a Xataka, pede que o hospitaleiro já tenha caminhado ao menos uma vez e faça um curso preparatório, com turnos de quinze dias em albergues públicos.
Para quem gosta do tema, a Catraca já mostrou outra oferta parecida na Espanha, a de uma fazenda em Gredos que troca hospedagem por cuidado com animais.
De graça, mas nem tanto
Teto e comida estão cobertos. O resto sai do bolso do viajante. Para se candidatar, é preciso assinar a Worldpackers: um guia atualizado em maio e citado pela Xataka aponta US$ 59 por pessoa ou US$ 69 para casais, com promoções ocasionais.
Passagem aérea, seguro-viagem, deslocamento dentro da Espanha e eventual visto ficam por conta de quem vai. Os voluntários também citam o isolamento como ponto fraco: sem carro, entrar e sair de um vilarejo de montanha não é simples.
Há ainda uma questão legal. A Lei 45/2015 do voluntariado, publicada no Boletim Oficial do Estado espanhol, define o voluntariado como atividade sem contraprestação econômica ou material. Como casa e comida contam como contraprestação e o Polagrino é um negócio privado, a recomendação da Xataka é pedir por escrito as tarefas, os horários, as despesas cobertas e as condições do seguro.
E para quem sai do Brasil?
Brasileiros entram na Espanha como turistas sem precisar de visto, mas morar numa casa em troca de tarefas é outra situação. Antes de comprar a passagem, vale consultar o consulado espanhol sobre a forma correta de fazer esse tipo de viagem e guardar tudo o que for combinado com o anfitrião.
O calendário também pesa. A casa fecha no fim de outubro, e o inverno esvazia a rota. Por isso, quem se animar deve mirar a temporada de 2027 e, de quebra, aproveitar para conhecer outros destinos ligados a viagens de conexão interior, como o próprio Caminho de Santiago.
Interesse não falta. Segundo dados da Oficina do Peregrino citados pela Xataka, foram 530.987 compostelas emitidas em 2025, um recorde. Ficar do outro lado do balcão, carimbando credenciais, é um jeito diferente e mais lento de viver essa experiência.