Ator e humorista Max Petterson revela seus lugares favoritos em Paris
Humorista que viveu dez anos na capital francesa compartilha roteiro com passeios de bicicleta, bairros históricos e dicas para aproveitar no verão
O verão europeu transforma Paris em um destino que convida a ocupar as ruas, os parques e as margens do Rio Sena. Com dias mais longos e uma programação cultural intensa, a capital francesa ganha ritmo diferente, estimulando caminhadas entre monumentos, cafés ao ar livre e bairros históricos. É também o período em que muitos viajantes aproveitam para combinar os principais cartões-postais com experiências que vão além dos roteiros tradicionais.
É nesse cenário que o ator e humorista cearense Max Petterson passa férias na capital francesa. Com 1,3 milhão de seguidores no Instagram, ele se mudou para a França em 2014 para estudar teatro na Universidade Paris 8 e ganhou projeção nacional em 2017, após viralizar nas redes sociais com um vídeo bem-humorado em que relatava o calor extremo enfrentado em Paris.

Desde então, passou a compartilhar situações do cotidiano e os choques culturais vividos durante os dez anos em que morou na cidade, aproximando a cultura francesa de suas raízes no Cariri, no Ceará. Agora, de volta ao destino como turista, divide com os seguidores dicas de passeios, atrações e experiências para quem visita a capital francesa durante o verão.
A Catraca Livre pediu para Max Petterson compartilhar algumas dicas de lugares que merecem ser visitados em Paris.
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Meu roteiro afetivo por Paris
Por Max Petterson
Paris é uma cidade que se revela aos poucos. Claro que os cartões-postais são impressionantes, mas acredito que o verdadeiro encanto está justamente em viver a cidade como um parisiense: caminhar sem pressa, pedalar, sentar em um café, explorar bairros e descobrir pequenos detalhes que muitas vezes passam despercebidos por quem visita a capital francesa pela primeira vez.
Se eu tivesse que indicar uma experiência imperdível, começaria por um passeio de bicicleta. Paris se transformou em uma das cidades mais agradáveis do mundo para pedalar. As ciclovias estão por toda parte e alugar uma bicicleta é muito simples. Meu trajeto favorito acompanha as margens do Rio Sena: passando pela Torre Eiffel, cruzando a Pont Alexandre III, seguindo pelo Musée d’Orsay, pelo Louvre, pela Pont des Arts e chegando até a Île de la Cité, onde a silhueta de Notre-Dame vai surgindo aos poucos no horizonte. Logo depois aparecem a Île Saint-Louis e o Hôtel de Ville. É como se Paris fosse se apresentando lentamente e abraçando quem passa por ela. Em um dia de céu azul, esse passeio fica ainda mais inesquecível.
Outro lugar que sempre recomendo é Montmartre. Além da beleza da Basílica de Sacré-Cœur, vale muito a pena subir até a cúpula da igreja para ter uma das vistas mais bonitas da cidade. Como Montmartre é o ponto mais alto de Paris, a perspectiva da cidade é completamente diferente. Depois disso, gosto de descer pelas pequenas ruas do bairro, entrando nos ateliês, observando os artistas e descobrindo cantinhos que carregam séculos de história. Saber que nomes como Picasso e Van Gogh passaram por ali torna o passeio ainda mais especial.
Para quem gosta de moda, decoração e design, uma caminhada pelo Marais é indispensável. É um bairro cheio de lojas autorais, vitrines criativas, objetos de design e marcas independentes que servem tanto para comprar quanto para se inspirar. Sempre encontro alguma ideia diferente por lá. É um daqueles lugares onde vale mais a pena caminhar sem roteiro do que seguir um mapa.
Quando tenho mais tempo, gosto de fugir um pouco da movimentação e ir ao Bois de Boulogne. Muita gente nem imagina que Paris abriga um parque urbano dessa dimensão. É um lugar perfeito para alugar uma bicicleta ou simplesmente caminhar entre lagos, bosques, trilhas e árvores centenárias. Você encontra esquilos, muito verde e uma tranquilidade que contrasta completamente com o ritmo do centro da cidade.
A magia da Queda da Bastilha
Se existe uma época especial para visitar Paris, é durante as celebrações da Queda da Bastilha.
A festa começa ainda na noite de 13 de julho, com o tradicional Bal des Pompiers, o famoso Baile dos Bombeiros. É curioso ver uma profissão tão respeitada e séria abrindo os quartéis para celebrar junto da população em um clima leve, descontraído e festivo. A cidade inteira entra nesse espírito de comemoração.
Mas o grande espetáculo acontece no dia 14 de julho.

Posso dizer, sem exagero, que foi uma das cenas mais bonitas que já vi na vida. Os fogos de artifício iluminando a Torre Eiffel, o espetáculo de luzes, a música executada pela orquestra aos pés da torre e milhares de pessoas reunidas vivendo aquele momento criam uma atmosfera emocionante. É impossível não se arrepiar.
Sim, exige planejamento. É preciso chegar horas antes, encontrar um bom lugar, fazer um piquenique e esperar pacientemente o espetáculo começar. Mas, quando tudo acontece, você entende que valeu cada minuto. É uma experiência que recomendo viver pelo menos uma vez na vida.
O clima da Copa do Mundo
Durante minha estadia na França, também acompanhei de perto a atmosfera da Copa do Mundo.
Acho que existe uma semelhança muito grande entre franceses e brasileiros nesse aspecto. Todo mundo diz que não vai criar expectativa, que não vai torcer tanto… mas, quando percebe, já está completamente envolvido.

Eu estava em Paris no dia em que a França foi eliminada pela Espanha. Foi impressionante perceber a mudança no clima da cidade. Antes da partida, havia entusiasmo, expectativa e uma energia contagiante nas ruas. Depois do apito final, o silêncio tomou conta de Paris.
Faz parte do futebol.
No fim das contas, independentemente do resultado, o mais bonito da Copa é justamente essa energia coletiva. É ver um país inteiro compartilhando emoções, torcendo junto, sofrendo junto e comemorando junto. Essa sensação ultrapassa qualquer placar e faz parte da experiência de viajar durante um grande evento esportivo.