Atrasos de voos em Guarulhos crescem 40% em um mês

Levantamento da AirHelp mostra alta no número de viajantes afetados por atrasos superiores a duas horas no aeroporto em julho

O número de passageiros afetados por atrasos de voos superiores a duas horas aumentou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, em julho. Segundo levantamento da AirHelp, 20,8 mil passageiros enfrentaram esse tipo de atraso no mês, o equivalente a um em cada 103 viajantes que embarcaram no aeroporto.

Considerado o aeroporto mais movimentado da América Latina em número de passageiros, Guarulhos concentra uma parcela importante da malha aérea brasileira e funciona como principal porta de entrada e saída internacional do país.

O aeroporto de Guarulhos é a principal porta de entra de turistas estrangeiros no país
O aeroporto de Guarulhos é a principal porta de entra de turistas estrangeiros no país - filipefrazao/iStock

Em junho, a proporção era de um passageiro afetado a cada 127 embarques. Naquele mês, 14,9 mil passageiros tiveram voos atrasados por mais de duas horas. Em um mês, portanto, o número de viajantes atingidos pelo problema cresceu cerca de 40%.

Considerando os atrasos superiores a três horas, o número também aumentou. Foram quase 10,6 mil passageiros afetados em julho, ante cerca de 6,7 mil em junho, uma alta próxima de 58%.

Os dados fazem parte de uma pesquisa da AirHelp, empresa especializada em direitos de passageiros aéreos. O levantamento considera as interrupções registradas no Aeroporto Internacional de Guarulhos, um dos principais pontos de conexão aérea do país.

Cancelamentos de voos têm comportamento diferente em Guarulhos

Os cancelamentos apresentaram movimentos distintos de acordo com a antecedência com que ocorreram. Segundo a pesquisa, cerca de 620 mil passageiros foram afetados por cancelamentos comunicados com mais de 30 dias de antecedência em julho, contra 580 mil em junho.

Já entre os cancelamentos comunicados com menos de 30 dias de antecedência houve redução. Em julho, mais de 25 mil passageiros foram afetados, enquanto no mês seguinte o número caiu para 23,8 mil.

Vista do Terminal 3 do aeroporto de Guarulhos
Vista do Terminal 3 do aeroporto de Guarulhos - Divulgação/GruAirport

Para Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil, a alta nos atrasos prolongados chama atenção diante do volume de passageiros que circula pelo aeroporto.

“O Aeroporto Internacional de Guarulhos é o maior em movimentação de aeronaves do país e, apesar da queda no volume de cancelamentos com pouca antecedência, o expressivo aumento de passageiros afetados por atrasos superiores a duas horas demonstra o quanto os passageiros continuam sofrendo com interrupções que podem comprometer seus compromissos”, afirma.

Os números mostram que atrasos e cancelamentos são problemas diferentes para quem viaja. Enquanto o cancelamento altera a programação do voo, um atraso prolongado pode comprometer conexões, reservas, compromissos profissionais e outros trechos do roteiro.

Aeroportos brasileiros com o maior número de passageiros afetados por atrasos superiores a duas e três horas
Aeroporto Atrasos superiores a 2 horas
Julho de 2026
Junho de 2026 Atrasos superiores a 3 horas
Julho de 2026
Junho de 2026
Guarulhos (GRU) 20.800 14.900 10.600 6.700
Viracopos (VCP) 5.300 6.200 1.700 3.000
Afonso Pena (CWB) 4.000 3.000 2.200 1.800
Guararapes (REC) 3.700 3.700 1.100 2.100
Salgado Filho (POA) 3.600 3.500 1.700 1.800
Tancredo Neves (CNF) 2.900 6.000 900 3.300
Cataratas do Iguaçu (IGU) 2.700 3.100 1.900 2.800
Pinto Martins (FOR) 2.600 1.000 1.100 600
Porto Seguro (BPS) 1.700 2.300 800 1.400
Eurico de Aguiar Salles (VIX) 900 1.500 400 1.100

Quando o passageiro pode pedir compensação

Além da assistência durante a interrupção, alguns passageiros podem ter direito a buscar indenização por prejuízos provocados por problemas no transporte aéreo. A possibilidade depende das circunstâncias de cada caso e da comprovação dos danos.

Situações como perda de um compromisso profissional, de uma consulta ou de um evento importante podem ser consideradas em eventual pedido de reparação, desde que seja possível demonstrar a relação entre o problema no voo e o prejuízo sofrido.

A responsabilidade da companhia também é analisada caso a caso. Falhas relacionadas à operação da empresa, como problemas técnicos ou falta de tripulação, podem ter consequências diferentes de situações externas à atuação da companhia.

A AirHelp afirma que os passageiros também podem buscar compensação quando conseguem comprovar danos decorrentes da interrupção. A empresa cita valores que podem chegar a R$ 10 mil por pessoa em determinados casos, mas o montante não é automático e depende da análise individual do processo.

Assistência continua sendo obrigação

Mesmo quando o passageiro não tem direito a uma indenização financeira, a companhia aérea pode ter de prestar assistência ao consumidor durante a espera.

No Brasil, as regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabelecem diferentes obrigações para as empresas conforme o tempo de espera. Entre elas estão comunicação sobre a situação do voo, facilidades de comunicação, alimentação e, em determinadas situações, hospedagem e transporte.

A assistência varia de acordo com o período de atraso e com as circunstâncias da interrupção. Por isso, o passageiro deve guardar documentos relacionados à viagem, como cartão de embarque, comprovantes de despesas, mensagens da companhia e registros do atraso ou cancelamento.

Essa documentação pode ser utilizada posteriormente caso seja necessário comprovar o problema e eventuais prejuízos.

Quais são os direitos dos passageiros previstos no Brasil

Os passageiros que embarcam ou desembarcam no Brasil estão sujeitos às regras nacionais de proteção ao consumidor e às normas específicas da aviação civil. Entre os principais marcos estão o Código de Defesa do Consumidor e as regulamentações da Anac.

As regras abrangem voos domésticos e também operações internacionais que tenham relação com aeroportos brasileiros, conforme as circunstâncias previstas na legislação.

Em caso de atraso, cancelamento ou preterição de embarque, o passageiro deve primeiro buscar informações junto à companhia aérea e verificar quais alternativas estão disponíveis.

A companhia deve informar o passageiro sobre a situação do voo e, nos casos previstos pela regulamentação, oferecer assistência material e alternativas de reacomodação, reembolso ou execução do serviço por outra modalidade de transporte.

Informação é parte do direito do passageiro

A orientação da AirHelp é que o passageiro conheça as regras antes de embarcar e registre o que ocorreu durante uma eventual interrupção. “O sistema de direitos dos passageiros aéreos no Brasil é orientado ao consumidor e oferece forte proteção aos viajantes, especificando claramente a assistência que as companhias aéreas devem prestar em caso de interrupções”, afirma Barreto.

Segundo ele, entretanto, muitos passageiros deixam de buscar seus direitos por desconhecimento dos procedimentos.

“Entre os principais motivos pelos quais passageiros brasileiros deixam de reivindicar seus direitos estão a falta de conhecimento sobre como fazer a solicitação e o baixo nível de conscientização sobre seus direitos”, diz.

O aumento dos atrasos registrados em Guarulhos reforça a importância de o viajante saber diferenciar as situações. Um atraso não significa automaticamente direito a indenização, mas pode gerar obrigações de assistência por parte da companhia.

Para quem enfrenta uma interrupção, guardar os comprovantes e acompanhar as informações fornecidas pela empresa são medidas que podem fazer diferença caso seja necessário contestar o atendimento ou buscar posteriormente uma reparação.