Azul aposta em novos destinos para ampliar turismo pelo Brasil

Azul Viagens atua na estruturação e promoção de destinos enquanto companhia usa sua malha para levar brasileiros e estrangeiros além das rotas tradicionais

Abrir uma rota aérea para um destino turístico não significa apenas colocar um avião entre dois aeroportos. Antes do primeiro voo decolar, é preciso saber onde o passageiro vai se hospedar, quais experiências encontrará, quem fará o receptivo e, principalmente, como aquele destino chegará às prateleiras das agências de viagens.

É nesse processo que a Azul Viagens vem assumindo um papel que vai além da venda de pacotes. A operadora da Azul Linhas Aéreas atua na estruturação comercial e na promoção de destinos atendidos pela companhia, numa estratégia que busca transformar a conectividade aérea em fluxo turístico.

Giulliana Mesquita, diretora da Azul Viagens
Giulliana Mesquita, diretora da Azul Viagens - Divulgação

“A Azul Viagens tem um papel dentro da Azul de desenvolver o lazer. Somos responsáveis por construir a história de cada um dos destinos”, afirma Giulliana Mesquita, diretora da Azul Viagens, em entrevista à Catraca Livre durante a ABAV Expo 2026, em São Paulo.

O trabalho começa antes da promoção. Segundo a executiva, a empresa avalia se o destino dispõe de hotéis, passeios, receptivo e outros serviços necessários para receber o viajante. A partir desse diagnóstico, o voo é combinado aos produtos disponíveis no local.

“Quando a gente vai para um destino, avalia e entende o quanto ele está estruturado, o que tem de equipamentos turísticos, passeios, hotelaria e receptivo. Depois começamos a colocar o produto voo na prateleira consolidado com esses produtos”, explica.

Só então entra uma segunda etapa: criar demanda.

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Da abertura do voo à venda do destino

Para Giulliana, uma das diferenças da Azul Viagens em relação às operadoras que não pertencem a grupos aéreos é justamente a possibilidade de usar a estrutura da companhia para promover um destino.

Isso inclui desde os canais próprios de comunicação da Azul até a distribuição por meio das agências de viagens. O objetivo é fazer com que a nova rota seja acompanhada por produtos que deem motivos para o passageiro embarcar.

“Depois vem o fomento, que é a promoção turística. Temos uma companhia aérea por trás e conseguimos usar toda a plataforma de mídia da Azul, além, obviamente, da distribuição com os nossos canais de agências”, afirma.

Flutuação na Nascente Azul é uma das atividades para fazer em Bonito (MS)
Flutuação na Nascente Azul é uma das atividades para fazer em Bonito (MS) - Divulgação

Bonito (MS) está entre os destinos em que essa atuação pode ser observada. O trabalho envolve diferentes participantes da cadeia turística e busca associar o acesso aéreo à oferta de hospedagem e experiências disponíveis no destino.

A mesma lógica começa a ser aplicada em Aracati (CE), porta de entrada para Canoa Quebrada e outros destinos do litoral leste cearense.

A nova operação foi abordada durante a ABAV também por Daniel Bicudo, vice-presidente Comercial e de Negócios da Azul. Segundo ele, quando a companhia decide entrar em um destino turístico, diferentes áreas começam a trabalhar antes mesmo da consolidação da rota.

“Quando a gente se propõe a fazer um destino novo, principalmente de turismo, trabalha todas as unidades de negócios. A Azul Viagens precisa trabalhar o produto no destino para que ele seja atrativo”, afirma Bicudo.

Azul tenta fazer a rota funcionar além do avião

A estratégia não se limita ao passageiro de lazer. Segundo Bicudo, a companhia também avalia as possibilidades de logística e transporte de cargas geradas pela nova operação, além da participação de operadoras, consolidadoras e agências.

“Não é só um trabalho de malha. É um trabalho coletivo de todos esses negócios”, diz.

Azul retoma voos para Aracati, no Ceará; cidade é porta de entrada de Canoa Quebra
Azul retoma voos para Aracati, no Ceará; cidade é porta de entrada de Canoa Quebra - Thaís Mesquita/Divulgação

A combinação ajuda a explicar por que a Azul busca desenvolver destinos que ainda não têm a mesma escala dos grandes mercados nacionais. A companhia opera em 138 aeroportos, segundo Bicudo, capilaridade que permite distribuir passageiros por cidades fora dos principais corredores aéreos.

Esse alcance também começa a ser usado em outra frente: levar o estrangeiro que chega ao Brasil para além de Rio de Janeiro, São Paulo e dos destinos tradicionalmente comercializados no exterior.

Com operações internacionais, inclusive para a Europa, a companhia vê a malha doméstica como uma forma de distribuir esses visitantes pelo país.

“A gente já tem pessoas trabalhando na Europa para trazer esses clientes. Temos uma capilaridade para distribuir os estrangeiros que vêm para cá e potencializar o turismo doméstico”, afirma Bicudo.

Nesse processo, a Azul Viagens volta a assumir a função de transformar conectividade em produto turístico. “Entra novamente o papel da Azul Viagens, desenvolvendo o turismo, trazendo Sebrae, secretarias de Turismo e parceiros para que a gente consolide o destino”, diz o executivo.

Estrangeiro pode abrir espaço para turismo de nicho

Para Giulliana, porém, ampliar a chegada de estrangeiros aos destinos regionais exige também mudar a maneira como o Brasil é apresentado lá fora.

Sol e praia, Amazônia e Pantanal continuam funcionando como referências internacionais, mas a executiva vê espaço para experiências mais específicas, principalmente entre viajantes europeus e norte-americanos.

Observação de aves e kitesurf estão entre os exemplos citados por ela. Eventos esportivos também podem funcionar como motivadores de viagem —caso da Maratona do Rio, que passou a atrair corredores estrangeiros.

“O turismo de nicho, principalmente para o europeu e o americano, é muito importante. Temos observação de pássaros, kitesurf e vários tipos de turismo dentro do Brasil que trazem um diferencial para o país”, afirma.

Na avaliação da executiva, há uma mudança na própria motivação desses viajantes. “Principalmente o europeu está buscando outras coisas, está buscando experiência. Acho que existe muita oportunidade nesses nichos para trabalhar”, diz.