Beto Carrero aposenta a montanha-russa mais antiga do Brasil

Montanha-russa será desmontada após 32 anos para dar lugar a uma área temática; parque prevê ciclo de R$ 2 bilhões em atrações, hotéis e infraestrutura

A Star Mountain, uma das atrações mais antigas do Beto Carrero World, em Penha (SC), fará sua última operação em 13 de setembro. Inaugurada em 1994, três anos depois da abertura do parque, a montanha-russa será desmontada após 32 anos de funcionamento e dará lugar a uma nova área temática.

A decisão ocorre em meio a um ciclo de investimentos de cerca de R$ 2 bilhões anunciado pelo Beto Carrero para os próximos anos. O programa inclui novas atrações, áreas temáticas, hotéis e estruturas no entorno do complexo. A substituição da Star Mountain, portanto, faz parte de uma estratégia mais ampla de renovação do parque e de ocupação de áreas com novos produtos turísticos.

Muito mais do que uma montanha-russa, a Star Mountain tornou-se um dos grandes símbolos do Beto Carrero World
Muito mais do que uma montanha-russa, a Star Mountain tornou-se um dos grandes símbolos do Beto Carrero World - Divulgação

Ao longo de sua operação, a Star Mountain recebeu aproximadamente 35 milhões de passageiros. A atração tem 730 metros de percurso, 22 metros de altura, velocidade máxima de 60 km/h e dois loopings. Fabricada pela holandesa Vekoma, tornou-se uma das referências do parque desde os primeiros anos de funcionamento.

A última operação será acompanhada de uma programação especial chamada “Última Volta”. O parque também prepara uma série com cinco episódios sobre a atração, reunindo depoimentos de colaboradores e visitantes e informações sobre sua história.

Manutenção pesa na decisão

A retirada da Star Mountain está relacionada ao ciclo de vida da estrutura. Segundo o parque, avaliações técnicas realizadas ao longo dos anos indicaram que a atração se aproximava de seu limite operacional e demandaria intervenções cada vez mais complexas.

A montanha-russa foi projetada e fabricada no início dos anos 1990, quando os processos de desenvolvimento e fabricação de trilhos eram diferentes dos utilizados atualmente. A evolução tecnológica alterou os padrões de projeto, fabricação e manutenção desse tipo de equipamento.

Em 32 anos a Star Mountain recebeu mais de 33 milhões de visitantes
Em 32 anos a Star Mountain recebeu mais de 33 milhões de visitantes - Divulgação

Alex Murad, CEO do Beto Carrero World, afirmou que a decisão foi tomada a partir do acompanhamento técnico da atração. “Chega uma hora que ela chega muito próximo ao limite. Tem uma hora que os cuidados teriam que ser muito, muito grandes. A gente não quer ter uma atração que não tenha um selo homologado”, disse o executivo.

A manutenção de equipamentos de parques temáticos envolve não apenas a operação cotidiana, mas também inspeções, substituição de componentes e certificações. Com o envelhecimento de uma atração, os custos e a complexidade dessas intervenções podem aumentar.

A retirada também libera uma área relevante do parque para um novo empreendimento. O Beto Carrero ainda não divulgou o nome ou o tema da atração que ocupará o espaço da Star Mountain, mas informou que será uma área temática voltada para famílias. A previsão é que o projeto seja entregue antes da área dedicada ao Bob Esponja, prevista para 2028.

Novo ciclo de investimentos

A substituição da Star Mountain ocorre enquanto o Beto Carrero reorganiza parte de seu portfólio. O parque anunciou um programa de aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos, distribuídos entre novas atrações, áreas temáticas, hotéis e outras estruturas.

A estratégia acompanha uma mudança no modelo de expansão do complexo. Em vez de depender apenas da instalação de brinquedos isolados, o parque vem ampliando o uso de áreas temáticas associadas a personagens, restaurantes, lojas e outros serviços.

A área do Bob Esponja é um dos principais projetos dessa estratégia. O empreendimento será desenvolvido em parceria com a Paramount e está previsto para 2028. Entre as atrações anunciadas está uma nova montanha-russa com aproximadamente 1,4 quilômetro de extensão, lançamentos múltiplos e trechos de gravidade zero.

A retirada da Star Mountain ocorre, assim, antes da inauguração de um dos maiores projetos do novo ciclo. O terreno da antiga montanha-russa será utilizado para outra área temática, enquanto o espaço do antigo zoológico concentra parte das obras relacionadas ao Bob Esponja.

O investimento também inclui três hotéis integrados ao complexo, ampliando a capacidade de hospedagem no destino e a possibilidade de aumentar o tempo de permanência dos visitantes.

FireWhip passa por reforma de R$ 24 milhões

A renovação não significa apenas a substituição de atrações antigas. Outra montanha-russa do parque, a FireWhip, passou por um processo de modernização com investimento superior a R$ 24 milhões.

A reforma incluiu a substituição dos 502 metros de trilhos, além de intervenções nos sistemas operacionais e na estrutura da atração. A previsão é de reabertura em 3 de setembro, dez dias antes da última operação da Star Mountain.

A FireWhip reabre oficialmente no dia 3 de setembro após passar por um massivo processo de modernização
A FireWhip reabre oficialmente no dia 3 de setembro após passar por um massivo processo de modernização - Divulgação

Durante um curto período, portanto, as duas atrações poderão operar simultaneamente. A FireWhip retorna ao parque modernizada, enquanto a Star Mountain entra na reta final de funcionamento.

O movimento mostra duas estratégias diferentes para ativos de um mesmo parque: uma atração passa por um retrofit para ampliar seu ciclo operacional; outra é retirada para liberar espaço para um novo projeto.

Atrações como ativos turísticos

Para um parque temático, brinquedos de grande porte representam ativos que precisam ser avaliados não apenas pela popularidade, mas também por custos de manutenção, segurança, capacidade operacional e potencial de renovação.

A Star Mountain chegou a receber mais de 1 milhão de visitantes por ano em determinados períodos e se tornou parte da identidade do Beto Carrero. Mas a decisão de retirá-la ocorre justamente quando o parque acelera a substituição de atrações antigas por experiências associadas a novas propriedades intelectuais.

O Castelo das Nações é a porta de entrada do Beto Carrero World
O Castelo das Nações é a porta de entrada do Beto Carrero World - Vlademir Bueno Cardoso/Divulgação

O modelo também busca ampliar as fontes de receita dentro do complexo. Áreas temáticas com restaurantes, lojas e atrações próprias podem aumentar o número de atividades realizadas pelo visitante durante o dia e estimular o consumo além do ingresso.

A estratégia vem sendo utilizada pelo Beto Carrero em diferentes projetos. A área de Hot Wheels, por exemplo, combinou atração, tematização e licenciamento de marca. Agora, o parque amplia essa lógica com a parceria com a Paramount e a futura área do Bob Esponja.