Copa mira expansão no Brasil com novas cidades e mais voos
Companhia chega a 117 voos semanais em janeiro e estuda novas cidades; Brasil já disputa posição de principal mercado da aérea
A presença da Copa Airlines no Brasil deve continuar crescendo. Depois de alcançar a marca histórica de 100 frequências semanais no país em julho de 2026, a companhia prepara um novo avanço para janeiro de 2027, quando chegará a 117 voos por semana, e mantém conversas com cidades de diferentes regiões interessadas em receber novas operações.
A expansão acompanha o desempenho do mercado brasileiro dentro da companhia. Considerando o volume total de vendas, o Brasil ocupa a segunda posição, atrás dos Estados Unidos. Quando são consideradas apenas as passagens vendidas e iniciadas em cada um dos dois países, porém, o mercado brasileiro assume a liderança.

“Quando eu isolo a venda com saída do Brasil, feita no Brasil, e a venda com saída dos Estados Unidos, feita nos Estados Unidos, o Brasil é o primeiro mercado. A relevância do país é muito grande”, afirma Monica Afonso, Country Manager da Copa Airlines no Brasil, em entrevista à Catraca Livre durante a ABAV Expo 2026, em São Paulo.
Hoje, a companhia opera em oito cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, Manaus e Salvador, esta última incorporada à malha em janeiro deste ano.
Segundo Monica, a ocupação dos voos supera 85% e, em determinados períodos, passa dos 90%. O desempenho comercial também ficou acima das projeções da empresa. Entre janeiro e aproximadamente setembro, os resultados no segmento corporativo ficaram 25% acima do previsto no orçamento para 2026.
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Novas cidades brasileiras estão em negociação
O próximo passo depende, em parte, da disponibilidade de aviões. Em abril, a Copa anunciou uma encomenda de 60 novas aeronaves com entregas a partir de 2032. Antes disso, a empresa prevê receber outras 30 até 2029.
Somente até o final de 2026, são esperadas mais dez aeronaves, de acordo com a executiva. O cumprimento do cronograma de entregas pela Boeing será determinante tanto para aumentar frequências nas rotas existentes quanto para abrir novos destinos.

“O que a gente faz com tanta aeronave? Isso vai fazer com que consigamos ampliar a frota e, com isso, oferecer mais opções, mais frequências nos destinos já operados e também analisar novas cidades”, diz.
A executiva não revela quais cidades estão mais próximos de receber voos, mas confirma que algumas negociações já se encontram em estágio avançado. “Tem algumas cidades no Brasil que estão bastante adiantadas em conversas com a Copa. São de várias regiões”, afirma.
O interesse não parte apenas da companhia. Segundo Monica, governos e representantes de diferentes estados vêm procurando a aérea para discutir novas operações. Durante a própria ABAV Expo, conta, foi abordada por mais um estado interessado em atrair voos.
A equação envolve tanto levar brasileiros ao exterior quanto ampliar o turismo receptivo. A partir do Aeroporto Internacional de Tocumen, na Cidade do Panamá, passageiros que embarcam no Brasil podem seguir para mais de 80 destinos atendidos pela companhia.
Conexão no Panamá sustenta expansão
É justamente o modelo de conexão no Panamá que está no centro da estratégia da Copa. Um passageiro que embarca em Manaus, Salvador ou Porto Alegre, por exemplo, pode seguir para diferentes cidades do continente fazendo apenas uma escala.

Segundo Monica, durante a conexão no Panamá não é necessário retirar e despachar novamente a bagagem nem passar pelo processo migratório para seguir ao destino final. Para a executiva, essa facilidade, combinada à pontualidade, ajuda a explicar os índices de ocupação registrados no Brasil.
A expansão da malha também continua fora do país. Em 2026, a companhia acrescentou novos destinos à sua rede, enquanto outras rotas estão programadas para os próximos meses.
Entre os mercados que ganham espaço está o Caribe, região que se beneficiou da mudança no comportamento do brasileiro nos últimos anos.
Caribe vai além de Punta Cana e Cancún
Durante muito tempo, Cancún esteve entre os destinos caribenhos mais lembrados pelo viajante brasileiro. A exigência de visto mexicano alterou parte dessa dinâmica e abriu espaço principalmente para Punta Cana, na República Dominicana.
“Punta Cana cresceu significativamente no mercado. Tem uma grande rede hoteleira, muitos all-inclusive e uma variedade de hotéis que o brasileiro gosta”, afirma Monica.

Agora, a companhia vê espaço para diversificar essa demanda. Aruba e Curaçao estão entre as ilhas que vêm ganhando presença no mercado brasileiro, enquanto outros destinos ainda precisam ser apresentados com maior intensidade aos viajantes e às agências.
Los Cabos, no México, aparece nessa estratégia com uma proposta diferente da encontrada em destinos predominantemente associados aos grandes resorts all-inclusive. “É outro perfil de passageiro. Para quem já foi à República Dominicana, já visitou Punta Cana e quer uma experiência diferente, é um novo destino”, explica.
A Copa também prepara a retomada de voos para Isla Margarita, na Venezuela, ampliando novamente a oferta de destinos caribenhos acessíveis por meio do Panamá. “Temos uma infinidade de opções para o passageiro que quer experimentar coisas diferentes”, afirma a executiva da Copa Airlines no Brasil.
O desafio, segundo ela, é romper uma concentração que ainda caracteriza as escolhas do brasileiro. Assim como Caribe costuma ser associado imediatamente a Punta Cana ou Cancún, as viagens aos Estados Unidos continuam muito concentradas na Flórida.
Copa quer levar brasileiro além da Flórida
A companhia tenta aproveitar sua malha para estimular viagens a outras cidades norte-americanas. Washington é um exemplo. O destino pode ser alcançado a partir das cidades brasileiras atendidas pela Copa com uma única conexão na Cidade do Panamá.
Para Monica, ampliar o conhecimento sobre essas possibilidades passa também por capacitar agentes de viagens e apresentar destinos que ainda não estão espontaneamente na cabeça do consumidor.

“Pensou em Estados Unidos, é Flórida. Então a gente precisa fazer um trabalho para fomentar outros destinos”, diz.
A mesma lógica vale para o próprio Panamá. Embora o país funcione como centro de conexões da Copa, a companhia tenta convencer parte desses passageiros a sair do aeroporto e permanecer alguns dias no destino.
O principal instrumento para isso é o programa Panama Stopover, que permite acrescentar uma parada no país à viagem antes de seguir ao destino final.
A estratégia ganhou força à medida que a Cidade do Panamá ampliou sua oferta turística. Casco Antiguo, gastronomia, hotelaria e atrações ligadas ao Canal do Panamá são alguns dos produtos usados para transformar o antigo ponto de conexão em parte da viagem.
Monica reconhece, porém, que ainda há trabalho a fazer para que o programa seja conhecido em um país das dimensões do Brasil.
“Talvez tenha cidades, como Manaus, em que ainda não esteja na cabeça do passageiro que existe um programa de stopover no Panamá. Nosso trabalho é fomentar isso”, afirma.
Para quem passou pelo país há alguns anos, ela deixa um convite que também resume a estratégia da companhia de transformar conexão em destino: “Você vai se surpreender quando voltar. É outro Panamá.”