Costa avalia repetir cruzeiro pela Terra do Fogo após alta procura
Roteiro volta depois de anos fora da programação e pode permanecer na próxima temporada; companhia também quer ampliar presença no Brasil
A volta dos cruzeiros da Costa pela Terra do Fogo ainda nem aconteceu, mas a procura pelo roteiro já levou a companhia a estudar sua permanência na temporada seguinte. A viagem, que retorna depois de anos fora da programação da armadora na América do Sul, será realizada pelo Costa Serena antes do início de sua operação regular na região.
O roteiro terá 14 noites, com embarque em San Antonio, no Chile, em 8 de dezembro, e desembarque em Buenos Aires, em 22 de dezembro. No caminho, o Costa Serena passará por Puerto Montt, Puerto Chacabuco e Punta Arenas, no Chile, além de Ushuaia —onde haverá pernoite— e Puerto Madryn, na Argentina.

Para o mercado brasileiro, a companhia também montou o pacote Conexão Costa, que reúne o cruzeiro, voos entre Brasil, Argentina e Chile, uma noite de hospedagem em Santiago com café da manhã, transfers terrestres, seleção de bebidas durante almoço e jantar e excursões.
“Estamos tendo uma receptividade maravilhosa do trade e um nível de vendas bem acelerado, alinhado ao que esperávamos. Dado o sucesso desse roteiro, estamos, sim, avaliando mantê-lo na próxima temporada”, afirmou Ruy Ribeiro, diretor comercial da Costa Cruzeiros no Brasil, em entrevista à Catraca Livre durante a ABAV Expo 2026, em São Paulo
A próxima temporada pela Terra do Fogo ainda não foi anunciada e, segundo o executivo, a decisão sobre a permanência do itinerário não está fechada. O desempenho das vendas, porém, colocou a viagem entre os produtos que estão sendo analisados pela companhia.
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A retomada desse itinerário atende também a uma demanda que vinha sendo apresentada por agentes de viagens e passageiros, segundo Ribeiro. A viagem foge dos circuitos mais tradicionais oferecidos a partir dos portos brasileiros e acrescenta à temporada um produto voltado a quem procura destinos diferentes dentro da própria América do Sul.

“O brasileiro é ávido por novos destinos. Era um roteiro que há muitos anos o trade e os hóspedes pediam para voltar”, diz o executivo.
Temporada começa em novembro com Costa Diadema
A temporada 2026/2027 da Costa na América do Sul começa em 23 de novembro, quando o Costa Diadema fará sua primeira saída a partir de Santos. A companhia chega ao novo ciclo depois de avaliar positivamente o desempenho da operação anterior e afirma que as vendas estão em ritmo acelerado.
O Costa Diadema ficará baseado em Santos, enquanto o Costa Serena se incorpora posteriormente à programação sul-americana. São dois navios em uma região na qual a companhia já chegou a operar três embarcações simultaneamente.

A possibilidade de voltar a aumentar essa oferta permanece nos planos do escritório brasileiro. “Sempre queremos ter mais navios aqui na costa brasileira porque isso significa mais investimento e mais renda no Brasil. Só que precisamos ser competitivos em termos de custo. Esse é um grande desafio que o setor tem como um todo”, afirma Ribeiro.
Segundo o executivo, a definição da frota não responde apenas às condições de curto prazo. A programação dos navios é organizada com anos de antecedência e envolve a distribuição global da capacidade da companhia.
Essa antecedência também explica por que as instabilidades no Oriente Médio não provocaram uma mudança recente de navios para a América do Sul. Ribeiro afirma que a Costa já havia decidido, em julho de 2025, não operar na região diante das incertezas existentes naquele momento.
“O mercado de cruzeiros tem um planejamento feito com uma antecedência considerável, de dois ou três anos. Já temos vários programas sendo vendidos para 2028”, explica.
Caribe cresce entre os brasileiros
Mesmo com dois navios na América do Sul, a estratégia da Costa para o brasileiro não termina nos portos nacionais. A companhia vem ampliando a venda de cruzeiros pelo Caribe e terá dois navios atendendo esse mercado na temporada.
Segundo Ribeiro, a procura está aquecida, favorecida também pelos pacotes Air&Sea, que reúnem cruzeiro, passagem aérea e transfer. Para embarques na República Dominicana, há opções com voo direto a partir de São Paulo.
“Parece que o Caribe está muito longe, mas temos voo direto e são aproximadamente seis horas e meia. Não é uma distância tão grande”, diz.

A proposta é reduzir uma das dificuldades de quem compra um cruzeiro internacional: combinar horários de voos, traslados e embarque no navio. Ao entregar esses componentes dentro do mesmo produto, a Costa também tenta simplificar a venda para as agências de viagens.
No Costa Fascinosa, a companhia criou ainda o programa Alma Latina, que será oferecido entre dezembro de 2026 e março de 2027 nos roteiros com embarque em La Romana, na República Dominicana. A experiência terá entretenimento, gastronomia e programação inspirados na cultura latino-americana.
“A programação, do nascer ao pôr do sol, está relacionada à cultura latina. Estamos tendo um sucesso muito grande”, afirma Ribeiro.
Canárias entram na estratégia para a Europa
Na Europa, a Costa também tenta aproximar o brasileiro de itinerários que exigem uma logística mais complexa. Uma das apostas são as Ilhas Canárias.
Para esse produto, a companhia montou um pacote Air&Sea que combina voos a partir de São Paulo, conexões, transfers, hospedagem e sete noites de cruzeiro.
A solução nasceu, segundo Ribeiro, de uma demanda dos próprios passageiros e agentes de viagens.
“Dá segurança para o passageiro e para o agente. Ele não precisa se preocupar em casar o aéreo, saber se vai chegar no horário ou procurar o transfer. Nós entregamos tudo”, afirma.
A estratégia amplia o alcance da Costa junto ao brasileiro para além da temporada doméstica. Enquanto Diadema e Serena concentram a operação sul-americana, Caribe e Europa passam a ser comercializados como alternativas durante diferentes períodos do ano.
Costa prioriza renovação dos navios atuais
Se os itinerários estão aumentando, uma nova classe de navios não aparece, por enquanto, entre os anúncios da Costa. O último navio construído para a companhia foi o Costa Toscana, entregue em 2022 e movido a gás natural liquefeito.
Ribeiro lembra que a Costa integra a Carnival Corporation e afirma que, neste momento, os investimentos estão concentrados também na atualização da frota existente.
O Costa Serena é um exemplo dessa estratégia. O navio passou por uma extensa revitalização antes de iniciar a volta ao mundo que terminará por trazê-lo novamente à América do Sul.
“Toda a nossa frota, sem exceção, passou por um processo de revitalização. Esse é um trabalho constante. Nosso foco é a experiência do hóspede”, diz Ribeiro.
Para o executivo, itinerário continua sendo decisivo na escolha de um cruzeiro, mas deixou de atuar sozinho. Gastronomia, entretenimento, hospitalidade e serviço passaram a pesar cada vez mais na decisão — justamente quando a Costa tenta convencer o brasileiro a olhar não apenas para os portos próximos de casa, mas também para Terra do Fogo, Caribe e Ilhas Canárias.