Hotéis de luxo investem na restauração de recifes nas Maldivas e no Caribe

Resorts desenvolvem projetos com impressão 3D e cultivo de corais resilientes para recuperar habitats marinhos em destinos turísticos

Os recifes de coral ocupam menos de 1% do fundo dos oceanos, mas abrigam cerca de um quarto das espécies marinhas. Em destinos insulares, onde os ecossistemas marinhos também fazem parte da experiência turística, a recuperação desses ambientes passou a integrar projetos ambientais de hotéis e resorts.

Nas Maldivas e no Caribe panamenho, duas iniciativas utilizam estratégias diferentes para restaurar áreas degradadas. O Anantara Dhigu Maldives Resort instalou uma estrutura de argila produzida com impressão 3D para servir de base à formação de um novo habitat. Já o Nayara Bocas del Toro trabalha com corais que apresentam maior resistência a águas mais quentes e ácidas.

Nas Maldivas e no Caribe panamenho, projetos unem ciência, inovação e experiências que aproximam os hóspedes da vida sob o mar
Nas Maldivas e no Caribe panamenho, projetos unem ciência, inovação e experiências que aproximam os hóspedes da vida sob o mar - VitalyEdush/iStock

Os projetos têm em comum a tentativa de recuperar o ambiente marinho próximo às propriedades e acompanhar sua evolução ao longo do tempo. Em ambos os casos, os hóspedes também podem ter contato com as iniciativas por meio de atividades de mergulho e snorkel.

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Estruturas de argila impressas em 3D

No Atol de Malé Sul, nas Maldivas, o Anantara Dhigu Maldives Resort desenvolveu, em parceria com a empresa rrreefs, o projeto Theyra Maa, nome que significa “13 Flores” em dhivehi. A estrutura é formada por 13 módulos interligados de argila produzidos por impressão 3D.

Iniciativa do Anantara Dhigu Maldives Resort instalou estruturas de argila impressas em 3D no fundo do mar
Iniciativa do Anantara Dhigu Maldives Resort instalou estruturas de argila impressas em 3D no fundo do mar - Divulgação

O desenho foi inspirado nas formas dos recifes naturais. As estruturas possuem cavidades entre as camadas de impressão, criando áreas protegidas para a fixação e o desenvolvimento de organismos marinhos. A porosidade da argila também favorece a formação de biofilmes, que contribuem para o estabelecimento de condições adequadas ao crescimento dos corais.

O projeto foi desenvolvido pela equipe da rrreefs em colaboração com o pesquisador Gerrit Nanninga, do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade Ludwig Maximilian, de Munique (Alemanha).

Com o desenvolvimento da estrutura, a expectativa é que ela receba fragmentos de coral, peixes recifais e outras espécies, formando um novo habitat na lagoa próxima ao resort.

Vista do Anantara Dhigu Maldives Resort
Vista do Anantara Dhigu Maldives Resort - Divulgação

A iniciativa acrescenta uma frente de restauração ao conjunto de ações ambientais do hotel e permite que os visitantes conheçam o projeto durante a estadia.

Corais resistentes no Caribe

No arquipélago de Bocas del Toro, no Panamá, o Nayara Bocas del Toro desenvolve outro modelo de restauração. O resort, voltado exclusivamente para adultos e reconhecido com duas chaves Michelin, mantém uma parceria com o Caribbean Coral Restoration Center (CCRC) para criar um sistema de recifes vivos.

No Panamá, o Nayara Bocas del Toro ajuda a criar um sistema de recifes vivos
No Panamá, o Nayara Bocas del Toro ajuda a criar um sistema de recifes vivos - Divulgação

A região concentra aproximadamente 87% das espécies de corais construtores de recifes registradas no Panamá. O projeto utiliza exemplares que já apresentaram maior resistência a condições como aumento da temperatura e acidificação da água.

O acompanhamento considera indicadores de biodiversidade e biomassa e observa não apenas os corais, mas também o desenvolvimento de habitats que possam abrigar peixes, crustáceos e predadores marinhos.

Vista área do Nayara Bocas del Toro
Vista área do Nayara Bocas del Toro - Divulgação

A iniciativa está dividida em três etapas. A primeira já começou com a instalação de estruturas de habitat sob as villas sobre a água do resort, que passaram a atrair pequenos peixes e outras espécies.

A segunda prevê a criação de um recife além dos limites da propriedade, conectado à rede mantida pelo CCRC. Atualmente, o centro reúne 16 zonas de restauração e atua em uma área superior a 80 mil metros quadrados em Bocas del Toro.

Projeto acompanha expansão do resort

A terceira fase está relacionada à expansão do Nayara Bocas del Toro e prevê a ampliação do habitat pela baía protegida que deverá cercar seis futuras villas flutuantes.

O projeto combina restauração de recifes, uso de energia renovável, iniciativas de carbono azul e créditos de carbono verificados. A previsão é que as novas unidades sejam concluídas até o fim de 2027.

A proposta é que as futuras villas sejam classificadas pelo projeto como Net Nature Positive, conceito que busca associar a operação das estruturas à recuperação dos ecossistemas naturais.

Os hóspedes também podem acompanhar o trabalho do CCRC em atividades guiadas de snorkel e mergulho. Durante as experiências, é possível conhecer o processo de instalação das estruturas e o cultivo de corais selecionados para o projeto.

O programa do Nayara inclui ainda um sistema de adoção que permite acompanhar o desenvolvimento dos habitats depois da estadia. Dados e imagens são coletados em diferentes períodos, incluindo seis meses, um ano e três anos após a implantação.

A proposta é transformar a recuperação dos recifes em um projeto de longo prazo, com monitoramento da evolução das estruturas e dos organismos que passam a ocupar os novos habitats.