Nômades digitais movimentam novo modelo de hospedagem no Brasil

Modelo transforma imóveis subutilizados em hospedagens para estadias longas e já avança por Florianópolis, Rio, e agora chega a Pipa

O avanço do trabalho remoto continua mudando não apenas a forma de trabalhar, mas também de viajar e morar temporariamente. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que mais de 20 milhões de brasileiros ocupam funções que podem ser exercidas remotamente, o equivalente a cerca de 22,7% das ocupações do país. Nesse cenário, cresce também a demanda por hospedagens adaptadas para estadias mais longas, impulsionando um novo mercado de colivings voltados a nômades digitais.

É nesse contexto que casas antes subutilizadas começam a ganhar uma nova função no Brasil. Em vez de permanecerem vazias durante parte do ano, elas passam a receber profissionais que trabalham remotamente e permanecem semanas ou até meses em um mesmo destino, conciliando rotina de trabalho, lazer e integração com a comunidade local.

Nômades digitais movimentam novo modelo de hospedagem no Brasil
Nômades digitais movimentam novo modelo de hospedagem no Brasil

O modelo vem sendo adotado pela plataforma Nomadico, que conecta proprietários de imóveis no Brasil a uma comunidade internacional de trabalhadores remotos. A empresa atua como intermediária entre os donos das casas e os hóspedes, sem adquirir imóveis ou assumir a administração das propriedades.

Segundo a plataforma, a proposta difere tanto da hotelaria tradicional quanto das plataformas convencionais de aluguel por temporada. O foco está em estadias mais longas, que estimulam os visitantes a frequentar restaurantes, cafeterias, mercados e outros estabelecimentos da região, ampliando o impacto econômico nas comunidades onde se hospedam.

Ao utilizar imóveis que já pertencem a moradores locais e apresentam baixa ocupação em determinados períodos do ano, o modelo também procura evitar a retirada de residências do mercado imobiliário para fins exclusivamente turísticos.

Trabalho remoto impulsiona novos destinos

A primeira operação brasileira da Nomadico foi inaugurada em agosto de 2025, na Barra da Lagoa, em Florianópolis, com três casas adaptadas para receber nômades digitais. Em menos de um ano, 67 profissionais passaram pelo local.

Depois da capital catarinense, a plataforma iniciou operações no boêmio bairro de Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro. Desde janeiro de 2026, 46 nômades digitais escolheram o bairro como base temporária para trabalhar remotamente enquanto exploravam a cidade.

O perfil desses hóspedes difere do turista convencional
O perfil desses hóspedes difere do turista convencional - mihailomilovanovic/iStock

De acordo com a empresa, o perfil desses hóspedes difere do turista convencional. Em vez de permanecer poucos dias, eles costumam estabelecer uma rotina no destino, utilizando cafés, coworkings, transporte público e serviços locais, além de participar de atividades comunitárias durante a estadia.

A estratégia acompanha uma tendência internacional de destinos que passaram a disputar profissionais capazes de trabalhar de qualquer lugar, desde que encontrem boa conexão à internet, infraestrutura e qualidade de vida.

A Nomadico afirma já ter recebido mais de 1.200 nômades digitais em operações internacionais localizadas em Marrocos, Cidade do Cabo, Ericeira e Medellín, mantendo uma avaliação média de 4,9 estrelas no Google.

Expansão chega ao Nordeste

O próximo passo da plataforma no Brasil será a abertura de uma unidade em Pipa, no Rio Grande do Norte. A inauguração está prevista para agosto de 2026 e amplia a presença da empresa em destinos conhecidos tanto pelo turismo quanto pelas condições para o trabalho remoto.

A escolha da praia potiguar acompanha a estratégia de expandir a rede para localidades que oferecem infraestrutura para longas permanências e favorecem a integração entre visitantes e moradores.

Com isso, a empresa reforça uma tendência que vem ganhando espaço no mercado de viagens: a transformação de destinos turísticos em bases temporárias para profissionais que trabalham remotamente e podem escolher onde viver durante parte do ano.