O arquipélago mais famoso do Brasil encanta com 21 ilhas e nasceu como prisão no século XVIII

O arquipélago pernambucano reúne 21 ilhas, ilhotas e rochedos, ocupando uma área total aproximada de 26 km².

Fernando de Noronha é hoje associado a praias de águas transparentes, mergulho e preservação marinha, mas sua ocupação portuguesa consolidada começou sob uma lógica completamente diferente. Em 1737, o arquipélago foi fortificado e recebeu uma colônia correcional, iniciando uma relação com o sistema prisional que atravessaria diferentes períodos da história brasileira.

Praias que atualmente atraem visitantes funcionavam como limites naturais para quem não podia deixar a ilha.
Praias que atualmente atraem visitantes funcionavam como limites naturais para quem não podia deixar a ilha. - Imagem gerada por IA

Quantas ilhas formam Fernando de Noronha?

O arquipélago pernambucano reúne 21 ilhas, ilhotas e rochedos, ocupando uma área total aproximada de 26 km². A maior delas concentra a população permanente, as estradas, o aeroporto e boa parte das praias visitadas pelos turistas.

A paisagem de origem predominantemente vulcânica também abriga duas unidades de conservação, incluindo o Parque Nacional Marinho. Essa combinação de formações rochosas, praias e biodiversidade ajuda a explicar por que o destino atual parece tão distante da função estratégica que recebeu no século XVIII.

Por que Portugal transformou as ilhas em ponto militar e presídio?

Depois de sucessivas disputas estrangeiras pelo arquipélago, Portugal retomou sua ocupação em 1737 por meio da Capitania de Pernambuco. A posição isolada no Atlântico favorecia tanto a defesa marítima quanto o confinamento de pessoas enviadas para longe do continente.

  • Um sistema de fortificações passou a proteger pontos possíveis de desembarque;
  • Uma colônia correcional recebeu presos comuns enviados de Pernambuco;
  • O isolamento natural dificultava fugas e contatos com o continente;
  • Presos políticos também foram enviados para a ilha em diferentes momentos;
  • Vilas e estruturas administrativas cresceram em torno dessa ocupação militar e penal.

Veja a seguir o vídeo do canal Wout of the World mostrando o arquipélago, Fernando de Noronha:

Como era viver em um paraíso transformado em lugar de confinamento?

Praias que atualmente atraem visitantes funcionavam como limites naturais para quem não podia deixar a ilha. A distância do continente, as correntes oceânicas e a presença militar reforçavam o isolamento, enquanto presos participavam de atividades e trabalhos ligados ao funcionamento do próprio território.

A função penal atravessou o século XIX e chegou ao XX. Em 1938, Fernando de Noronha foi entregue à União para a instalação de um presídio político; quatro anos depois, em plena Segunda Guerra Mundial, tornou-se território federal e ganhou novamente forte função estratégica militar.

Praias que atualmente atraem visitantes funcionavam como limites naturais para quem não podia deixar a ilha.
Praias que atualmente atraem visitantes funcionavam como limites naturais para quem não podia deixar a ilha. - Créditos: depositphotos.com / KcrisRamos

Quais marcas desse passado ainda permanecem na ilha?

O patrimônio histórico preserva construções que ajudam a contar uma Noronha muito diferente daquela vista em fotografias de viagem. Fortes, antigos núcleos urbanos e edifícios erguidos durante séculos de ocupação revelam como defesa militar e confinamento moldaram o território.

  • A Vila dos Remédios concentra parte importante das construções históricas;
  • Fortificações foram erguidas para controlar possíveis desembarques;
  • A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios começou a ser construída ainda em 1737;
  • Estruturas militares acompanharam diferentes fases da ocupação;
  • A população atual também guarda vínculos com famílias formadas durante esses períodos históricos.

Do isolamento forçado a um dos destinos mais desejados do Brasil

A transformação de Fernando de Noronha ao longo dos séculos cria um contraste difícil de imaginar diante das águas azuis atuais. O mesmo isolamento geográfico que serviu aos interesses militares e penitenciários tornou-se, mais tarde, uma característica decisiva para a preservação de paisagens e ecossistemas marinhos.

Conhecer esse passado muda a leitura das 21 ilhas. Por trás das praias e dos paredões vulcânicos existe uma história marcada por fortificações, presos comuns, perseguidos políticos e presença militar, até que o arquipélago deixasse de ser lembrado principalmente como lugar de confinamento e passasse a ocupar o imaginário brasileiro como um dos seus maiores patrimônios naturais.